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Copom foi confuso e deixou cenário incerto, diz economista

Por CNN Brasil Fonte: afonsobenites 21/06/2026 às 05:32
Copom foi confuso e deixou cenário incerto, diz economista

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O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central decidiu reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, levando-a a 14,25% ao ano. A decisão, divulgada na noite de quarta-feira (17), veio acompanhada de um comunicado extenso que gerou ampla discussão entre economistas e agentes de mercado.

Para Silvia Ludmer, do Andbank, o comunicado foi, ao mesmo tempo, longo e confuso. “Confuso, confuso, eu concordo”, afirmou a economista, ao relatar que grupos de especialistas ficaram “desorientados” após a leitura do texto.

Segundo ela, em vez de esclarecer o pensamento do Banco Central, alguns parágrafos do documento tornaram o ambiente “mais incerto, mais confuso”. Ludmer chegou a afirmar não se lembrar “de um Copom recente que tenha causado tanto burburinho”.

Contradições no comunicado

A economista identificou dois movimentos que considera contraditórios no texto.

No primeiro, o Banco Central listou uma série de preocupações — como o reaquecimento da atividade econômica, o desemprego baixo, a piora nas expectativas de inflação e a alta nos preços de alimentos — para, em seguida, justificar a continuidade dos cortes de juros.

“A gente começou a ler e falou: nossa, ele realmente está endurecendo o tom, está preocupado.

E aí, de repente, no próprio texto, ele dá um cavalo de pau e começa a justificar o porquê, apesar de todos esses pontos, deu para cortar mais a taxa Selic”, explicou Ludmer.

O segundo ponto de controvérsia foi a decisão do Banco Central de ampliar o horizonte de sua política monetária.

Em vez de projetar a inflação para o primeiro trimestre de 2027 — prática habitual —, a instituição passou a mirar o primeiro trimestre de 2028. Segundo Ludmer, essa mudança permitiu ao BC apresentar um IPCA projetado mais próximo da meta de 3%, justificando assim os cortes.

“Se eu ficar olhando cada vez mais para frente, aí dá. Mas, na verdade, não deveria dar, porque é uma espécie de roubadinha”, avaliou a economista.

Projeções de inflação pioram a cada reunião

Ludmer destacou ainda que as projeções de inflação do Banco Central têm se deteriorado consecutivamente. Em março, o IPCA projetado para o horizonte relevante era de 3,3%. Em abril, subiu para 3,5%.

Na reunião de quarta-feira, chegou a 3,7% — cada vez mais distante da meta de 3%. “As projeções de inflação estão piorando, elas estão ficando cada vez mais distantes da meta”, alertou.

Tensão entre política monetária e fiscal

Além dos fatores externos, como a guerra mencionada no comunicado, Ludmer apontou que o ambiente doméstico também dificulta a desinflação.

Pacotes de estímulo do governo — incluindo facilidades para financiamento de veículos, corte de imposto de renda e programas de isenção de energia para baixa renda — injetaram, segundo ela, entre 150 e 200 bilhões de reais na economia, aquecendo o consumo.

Um quer pisar no freio e o outro pisa no acelerador e pisa com força”, resumiu a economista, descrevendo a tensão entre a política monetária restritiva do Banco Central e a política fiscal expansionista do governo.

A reação do mercado refletiu essa incerteza: os juros futuros de curto prazo recuaram, enquanto os de longo prazo subiram. Para Ludmer, esse movimento sinaliza uma perda de credibilidade do Banco Central.

“A gente já não sabe se ele realmente vai conseguir entregar a meta que ele precisa, junto com o governo que também, em vez de ajudar para a desinflação, atrapalha”, concluiu.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.Acompanhe Economia nas Redes Sociais

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Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por afonsobenites

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