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“Declínio estrutural”: jornalista vê Seleção Brasileira abaixo dos rivais

Por CNN Brasil Fonte: manuelladalmas 07/07/2026 às 07:32

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A eliminação da Seleção Brasileira para a Noruega nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026 reacendeu um debate que vai além do resultado em campo.

Para o jornalista e escritor Samindra Kunti, que acompanha o futebol brasileiro há décadas, a derrota representa mais um capítulo de um processo de perda de competitividade da equipe nacional.

“Esta foi provavelmente a pior campanha do Brasil em uma Copa do Mundo desde 1990. Para mim, tudo aponta para um declínio estrutural”, afirmou Kunti em entrevista à BBC News Brasil.

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Na avaliação do jornalista, o principal fator por trás desse cenário está na evolução do futebol europeu. Segundo ele, diversas seleções profissionalizaram seus processos de formação de atletas e passaram a desenvolver talentos de forma mais eficiente que o Brasil.

“O Brasil simplesmente foi ultrapassado pela Europa. A Europa industrializou sua formação de base e sua produção de talentos”, disse.

“A realidade é que outras nações desenvolveram seus sistemas de formação e de detecção de talento. Por maior que o Brasil seja, não dá mais para se esconder atrás da ideia de que sempre vai produzir talento”, completou.

Para Kunti, ainda existe uma dificuldade em reconhecer essa mudança de cenário.

“Existe no Brasil um sentimento de negação. O discurso é sempre: ‘somos pentacampeões do mundo’. Mas a realidade é outra”, afirmou.

Uma geração sem estrelas

O jornalista também faz uma avaliação crítica sobre o elenco que disputou a Copa do Mundo nos Estados Unidos. Embora destaque jogadores como Vinícius Júnior, Gabriel Magalhães e Marquinhos, ele entende que a equipe está distante das gerações que reuniam diversos protagonistas do futebol mundial.

“Esta é uma geração muito mediana de jogadores brasileiros. Não são os astros dos elencos de antigamente, quando você tinha Kaká, Ronaldo, Rivaldo, Roberto Carlos e Cafu”, avaliou.

Os números ajudam a ilustrar esse cenário. O Brasil continua sendo o maior exportador de jogadores do mundo, mas chegou à Copa de 2026 com apenas o sexto elenco mais valioso do torneio. Para Kunti, isso mostra que o país segue produzindo atletas em quantidade, mas já não concentra tantos jogadores entre a elite mundial.

O impacto da exportação

O historiador Gregg Bocketti, professor da Transylvania University, compartilha um diagnóstico semelhante. Segundo ele, o desempenho recente da Seleção indica que o favoritismo brasileiro deixou de ser uma certeza.

“Acho que a eliminação mais recente é sintoma de um declínio mais profundo e mais longo, em que já não podemos presumir que a seleção começa a Copa como uma das favoritas”, afirmou.

Para Bocketti, o modelo de exportação precoce de jogadores também tem consequências dentro de campo.

“O modelo de futebol para exportação significa que a seleção é talentosa, mas incoerente”, resumiu. Segundo o historiador, atletas espalhados por diferentes países e culturas futebolísticas tornam mais difícil a construção de uma identidade coletiva para a equipe brasileira.

Como reconstruir?

Após a eliminação, a CBF confirmou Carlo Ancelotti no comando da Seleção até 2030. Para Kunti, no entanto, a discussão vai muito além do treinador.

O jornalista avalia que o técnico italiano assumiu a equipe com pouco tempo de trabalho depois de um ciclo mal conduzido pela CBF, mas pondera que seu perfil pragmático talvez não seja suficiente para liderar uma transformação mais profunda no futebol brasileiro.

Na visão dele, a reconstrução passa por uma mudança de mentalidade.

“Não é mais garantido que a seleção chegue às quartas ou às semifinais de uma Copa. Quando você aceita isso, consegue se reconstruir de verdade”, concluiu.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por manuelladalmas

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