Digimais: Entenda esquema de gestão fraudulenta investigado pela PF

Por CNN Brasil 24/06/2026 às 02:33

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A PF (Polícia Federal) aponta que o Banco Digimais, alvo de operação nesta terça-feira (23), possuía uma sistemática de superavaliação de ativos com objetivo de maquiar a real situação de insolvência da instituição, “ludibriando investidores de varejo, o órgão regulador e o sistema de garantias de crédito”.

Além disso, a PF aponta que a instituição adotou práticas financeiras temerárias e análogas às do extinto Banco Master, do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

As investigações mostram ainda que a liquidação do Master evidenciou uma exposição de aproximadamente R$ 600 milhões do Banco Digimais a carteiras de crédito da instituição de Vorcaro.

“A partir dos anos de 2023 e 2024, o banco começou a emitir Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com taxas superiores a 110% do CDI, o que, atrelado à posterior decretação de liquidação extrajudicial do BANCO MASTER em novembro de 2025, evidenciou uma exposição de aproximadamente R$ 600 milhões do BANCO DIGIMAIS S.A. a carteiras de crédito da instituição liquidada, cujos ativos passaram a ser objeto de questionamentos quanto à qualidade, lastro e regularidade documental”, aponta a PF.

Segundo especialistas consultados pelo CNN Money, a manobra buscava burlar regras e parâmetros do mercado financeiro, como o Índice de Basileia.

Este é o principal indicador de solidez de um banco, que mede a proporção entre o capital imóvel da instituição e o volume de dinheiro que ela empresta.

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“Você pode sair do Índice de Basileia, e com isso você não pode mais pegar dinheiro. E com isso, o que eles fizeram? Eles começaram a inflar, eles tentaram pegar ativos que eles tinham comprado barato, e eles começaram a vender, a avaliar de forma mais cara. Então, ele fingia que ele tinha muito dinheiro, mas na verdade ele não tinha, isso era apenas artificialmente inflado”, explica o economista e professor da FGV (Fundação Getúlio Vargas), Ricardo Hammoud.

Nas investigações, a Polícia Federal aponta ainda que a Corretora ID também é figura central na investigação, tendo em vista que foi a responsável pela administração de fundos do Banco Digimais.

“Igualmente, a sistemática superavaliação de ativos inseridos nos fundos administrados pela corretora ID com o escopo de inflar artificialmente o patrimônio do Banco Digimais para viabilizar a emissão desproporcional de títulos de captação consubstancia fortes evidências da prática de gestão fraudulenta e de inserção de dados falsos em demonstrativos contábeis.”

De acordo com Hammoud, a participação da corretora seria necessária no esquema pois o próprio Banco Digimais não poderia inflar o valor dos próprio ativos e fundos.

“Os fundos são administrados por essa corretora, então ele coloca no fundo, esse fundo sobrevaloriza esses ativos e o banco tem uma cota desse fundo. Então, ele tinha uma cota que valia X, e agora essa cota vale 3X, 4X, 10X, então ele inflou o valor das cotas dele, fazendo com que o banco tenha ativos que valem muito, mas na verdade não valem”, explica o economista.

O professor explica ainda que o mecanismo que oferecer o retorno de CDBs muito alto encontra tração no valor a ser investido, apesar do alto risco, uma vez que o FGC (Fundo Garantidor de Créditos) cobre operações de até R$ 250 mil em caso de liquidação da instituição.

“É um grande problema, o FGC tem esse problema, porque é ótimo que garante a liquidez do sistema financeiro nacional, mas ao mesmo tempo, ele permite que as pessoas emprestem dinheiro para bancos com alto risco, que estão pagando um valor muito acima do mercado, que deveria ser um sinal de alerta. Mas as pessoas acabam querendo investir, emprestar dinheiro para esses bancos devido aos retornos altos, mas com risco bastante alto”, aponta Hammoud.

Os investigados poderão responder, na medida de suas responsabilidades, pelos crimes de gestão fraudulenta, inserção de dados falsos em demonstrativos contábeis e realização de operações de crédito vedadas, previstos na Lei nº 7.492/1986, que define os crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por elisbarreto

Conteúdo Original / Fonte: elisbarreto

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