Donald Trump impõe à Europa um “preço” por proteção, diz especialista

Por CNN Brasil 24/06/2026 às 22:32

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A postura de Donald Trump em relação à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e aos países europeus tem gerado crescente tensão geopolítica.

Segundo o especialista Sandro Teixeira Moita, professor de Ciências Militares da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (Eceme), Trump está deixando claro para a Europa que a proteção americana tem um preço: o alinhamento com a agenda estratégica dos Estados Unidos.

Em entrevista ao WW desta quarta-feira (24), Moita destacou que a questão não é exatamente uma novidade. “Em vários momentos ele lembrava que vários compromissos que os europeus estavam colocando em execução tinham sido assumidos com o ‘Trump 45’ [como 45º presidente dos EUA], a partir de 2017”, destacou o professor.

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Para Moita, a visão de Trump é clara: os aliados europeus não são tratados como parceiros, mas sim como estados que devem ser pressionados ao máximo para seguir a vontade americana. “São quase que vassalos da vontade de Trump e de seu grupo no poder”, afirmou o especialista.

Essa lógica, segundo ele, fica ainda mais evidente quando se observa o perfil das figuras que compõem a elite do Pentágono, como Pete Hegseth, o general Anthony Tata, e Elbridge Colby, este último descrito como totalmente favorável ao pivô para o Pacífico e à contenção da China.

Crise no comando militar

Moita também chamou atenção para uma crise em curso no exército americano: o pedido de passagem à reserva do general Christopher Donahue, atual comandante supremo aliado na Europa.

Segundo o especialista, Donahue é uma figura de grande respeitabilidade, com longa carreira nas operações especiais, presente em praticamente todos os grandes conflitos americanos desde a Guerra do Golfo.

“Ele é um dos mais vocais apoiadores da Ucrânia que existem hoje dentro do Pentágono”, afirmou Moita, ressaltando que a saída forçada do general evidencia as prioridades do atual governo americano.

Outro episódio que ilustra a pressão americana sobre os europeus envolveu a Itália. Moita lembrou que Trump revelou publicamente que a Itália apoiou mais de 500 voos de aeronaves americanas a partir de bases italianas durante as operações contra o Irã.

A declaração gerou imediata repercussão política no país europeu, com pedidos da oposição italiana para que o governo explicasse a natureza desses voos. Isso porque a primeira-ministra italiana havia afirmado anteriormente que os voos eram apenas logísticos e de apoio técnico, e não voos de ataque. “Com essa revelação, isso fica muito pior”, avaliou o especialista.

Autonomia estratégica europeia

Moita observou que, embora os europeus venham discutindo autonomia estratégica desde 2017, a execução concreta dessas iniciativas não tem avançado na velocidade necessária, nem para atender às demandas americanas, nem para suprir adequadamente a própria Ucrânia. Esse vácuo, segundo ele, é justamente o espaço que Trump aproveita para pressionar os aliados.

O especialista citou ainda declarações feitas por Mark Rutte no Salão Oval, nas quais ele mencionou o chamado “trilhão do Trump”: US$ 1,2 trilhão gastos pelos europeus em defesa desde o primeiro mandato de Trump, sendo US$ 300 bilhões desse total investidos no complexo industrial militar americano desde o início do atual mandato.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.TópicosDonald TrumpPentágono


Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por afonsobenites

Conteúdo Original / Fonte: afonsobenites

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