Embarcações aproveitam abertura em Ormuz, mas tráfego pode fechar em breve

Por CNN Brasil 27/06/2026 às 02:32

Compartilhar matéria

O Estreito de Ormuz registrou mais tráfego na última semana do que nos últimos três meses. Mas esse ritmo diminuiu na sexta-feira (26), à medida que um plano de evacuação crucial foi suspenso.

Setenta e três embarcações transitaram por essa importante via navegável na quarta-feira, o maior número desde logo após o início da guerra com o Irã, no final de fevereiro, de acordo com o MarineTraffic. Esse número é mais do que o dobro do tráfego registrado na terça-feira.

O aumento no tráfego ocorre depois que os Estados Unidos suspenderam as sanções ao petróleo iraniano no início desta semana, como parte do acordo de cessar-fogo entre os dois países. As Nações Unidas e a IMO (Organização Marítima Internacional) também lançaram uma iniciativa humanitária para retirar 11 mil marítimos retidos e 500 embarcações do estreito.

“O que estamos vendo são os navios que estavam parados no Golfo por esse longo período começando a sair, com foco na ajuda humanitária para resgatar os marítimos e, em seguida, alguns petroleiros selecionados quando as sanções foram suspensas”, disse Gene Seroka, diretor executivo do Porto de Los Angeles, que passou meia década trabalhando para uma grande empresa de navegação no Oriente Médio.

“Portanto, isso não significa apenas que a bandeira verde foi hasteada e que todos devem começar a atravessar o estreito.”

Leia Mais

  • Zona do Euro: Expectativa de consumidores para inflação cai a 3,5% em maio
  • UE diz que fluxo de petróleo está se recuperando, mas levará tempo
  • Carregamentos são retomados no maior porto petrolífero do Oriente Médio

Antes da guerra, especialistas estimavam que entre 110 e 160 navios costumavam navegar diariamente pela passagem entre o Irã e Omã. Desde que os combates bloquearam o estreito, uma média de menos de dez navios por dia tem transitado pela passagem de 21 milhas.

O tráfego marítimo começou a se intensificar no fim de semana, à medida que as empresas de navegação ficavam mais confiantes de que as negociações entre os EUA e o Irã estavam avançando.

Na quarta-feira, a IMO, juntamente com o Irã e Omã, criou duas novas rotas marítimas — uma ao longo da parte norte do estreito, perto do Irã, e outra na parte sul do estreito, mais próxima de Omã — que estavam livres de minas e outros perigos. Os navios eram contatados diretamente pelas agências (competentes) quando chegava a sua vez de partir.

A ideia era retirar o tráfego marítimo da região gradualmente e sob controles rigorosos. No entanto, a IMO suspendeu seus planos de evacuação na quinta-feira, depois que uma embarcação foi atingida no Golfo de Omã. Uma autoridade norte-americana disse à CNN que o navio foi atingido por um ataque de drone iraniano, mas não forneceu mais detalhes. O Irã não assumiu a responsabilidade.

O tráfego marítimo caiu cerca de metade na sexta-feira, depois que o Irã alertou que os navios não deveriam passar pelo estreito ao longo da costa de Omã e que a passagem segura seria garantida apenas por rotas declaradas ao Irã. Isso gerou preocupação com possíveis ataques futuros, à medida que os navios tentam sair ou entrar no estreito próximo a Omã.

O secretário-geral da IMO, Arsenio Dominguez, afirmou em comunicado que tomou a precaução de suspender temporariamente o programa, embora a embarcação atacada “não estivesse transitando sob o quadro de evacuação da IMO”.

Há meses, as empresas de navegação vêm adotando uma postura de esperar para ver, calculando cuidadosamente o risco de fazer com que os navios atravessem o estreito. Até o momento, ocorreram pelo menos 46 ataques a embarcações e 14 mortes, segundo a IMO.

As empresas têm hesitado em transportar cargas e pessoal por águas repletas de minas, sob a ameaça de ataques com mísseis. As seguradoras cancelaram a cobertura dos navios devido às cláusulas de tempo de guerra. Várias grandes empresas de navegação, como a Hapag-Lloyd, têm utilizado guias da Marinha dos EUA para atravessar o estreito – mas essa oferta não tem sido constante.

“Os navios que realmente estão transitando por Ormuz nesta semana ainda são, em sua maioria, de bandeira iraniana e alguns navios (taiwaneses) da Evergreen. As principais transportadoras globais ainda não retornaram, então estamos mais próximos do status quo do que de uma mudança real”, disse Sanne Manders, presidente da Flexport, uma empresa global de logística de transporte marítimo.

Manders e Seroka esperam que os níveis de tráfego caiam nos próximos dias, durante a pausa nos esforços de evacuação da IMO.

A IMO planeja “reconfirmar que as garantias de segurança necessárias continuam em vigor para os navios em nossa lista de evacuação e para todos os que estão na região”, disse Dominguez.

Acompanhe Economia nas Redes Sociais

Siga noSiga no Forum InterTópicosCNN Brasil MoneyEstreito de OrmuzNavio


Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por beatrizoliveira

Conteúdo Original / Fonte: beatrizoliveira

Bloqueador de anuncios detectado

Por favor, considere apoiar nosso trabalho desativando a extensão de AdBlock em seu navegador ao acessar nosso site. Isso nos ajuda a continuar oferecendo conteúdo de qualidade gratuitamente.