Embarques de fertilizantes crescem após acordo no estreito de Ormuz

Por CNN Brasil 26/06/2026 às 09:43

Compartilhar matéria

Os embarques de fertilizantes pelo Estreito de Ormuz começaram a aumentar após um acordo provisório para encerrar a guerra envolvendo o Irã, segundo dados divulgados; no entanto, analistas afirmam que levará tempo até que os volumes retornem aos níveis anteriores ao conflito e tragam alívio ao mercado.

Antes de os EUA e Israel iniciarem a guerra, em 28 de fevereiro, cerca de um terço da ureia comercializada globalmente — o fertilizante mais utilizado no mundo — e quase metade do enxofre transportado por via marítima (um insumo fundamental) passavam habitualmente pelo estreito.

O fechamento quase total dessa via navegável estratégica durante a maior parte do conflito, contudo, reduziu drasticamente esses embarques.

Leia Mais

  • Tráfego marítimo aumenta constantemente no Estreito de Ormuz, aponta site
  • EUA zeram importação de fertilizantes do estreito de ormuz
  • Transportadoras buscam detalhes sobre reabertura do Estreito de Ormuz

Desde o anúncio do acordo entre Washington e Teerã, em 15 de junho, cerca de 640 mil toneladas métricas de enxofre — essencial para a produção de fertilizantes como o fosfato diamônico (DAP) — deixaram o estreito rumo a destinos que incluem Indonésia, Marrocos, Tanzânia e China, de acordo com a análise mais recente de fluxos realizada pela agência de informações de preços Argus. Esse volume contrasta com um total de apenas 80 mil toneladas registradas ao longo dos três meses e meio de guerra.

Paralelamente, 427 mil toneladas de ureia também transitaram pelo estreito após o acordo provisório, em comparação com 275 mil toneladas durante o conflito, segundo dados recentes da consultoria CRU.

Os embarques de outros fertilizantes importantes, como fosfatos, e de insumos como a amônia, também registraram leve alta após o acordo.

Temores de crise alimentar

Os preços dos fertilizantes dispararam durante a guerra, levando os agricultores a reduzir a aplicação do produto em suas lavouras. Isso gerou preocupações de que um fechamento prolongado do estreito pudesse prejudicar a produtividade agrícola e desencadear uma crise global nos preços dos alimentos.

Há mais de 500 navios atualmente retidos no Golfo e, embora o tráfego tenha aumentado nesta semana, ele permanece em uma fração da média de 125 navios por dia que transitavam pela via navegável antes da guerra.

“O fluxo que passa aos poucos pelo estreito traz algum alívio. Mas, ao mesmo tempo, a maior parte refere-se a vendas antigas. Eles não fornecerão novas quantidades ao mercado”, disse Sarah Marlow, chefe de precificação de fertilizantes da Argus.

Embora os navios de carga a granel estejam saindo lentamente do estreito, não há embarcações vazias retornando para buscar novas cargas, disse Marlow, acrescentando que os comerciantes estão fechando pouquíssimos novos negócios de venda de fertilizantes na região.

Para que as embarcações retornem, muitos obstáculos relacionados à guerra precisam ser removidos primeiro, dizem os analistas. A via navegável, por exemplo, precisa passar por uma operação bem-sucedida de desminagem. O atual acúmulo de embarcações também precisa ser escoado, e os armadores precisam se sentir seguros para navegar de volta ao local.

O acordo provisório entre EUA e Irã também precisa resultar em uma trégua permanente.

No entanto, a Organização Marítima Internacional da ONU teve que suspender sua operação de escolta de navios pelo estreito na quinta-feira, depois que uma embarcação relatou um ataque, levantando novas preocupações sobre a viabilidade do acordo.

Um cenário otimista

“Os volumes de fertilizantes passando pelo estreito não retornarão aos níveis pré-conflito tão cedo”, disse Willis Thomas, analista-chefe de fertilizantes da CRU. “Mesmo no melhor cenário, agosto é a data mais próxima em que prevemos uma retomada significativa do tráfego.”

Ainda há cerca de 600.mil toneladas de ureia retidas no estreito, segundo a CRU, enquanto a Argus estima que entre 300 mil e 400 mil toneladas de enxofre aguardam para sair da via navegável.

Instalações de produção de fertilizantes no Golfo também foram atacadas durante a guerra e precisam de reparos. Embora especialistas afirmem que os danos são relativamente limitados, isso ainda retardará a velocidade com que a disparada nos preços dos fertilizantes poderá ser revertida.

“A produção de fertilizantes no Golfo poderá se recuperar em grande parte”, afirmou a associação de transporte marítimo BIMCO. “No entanto, as exportações do Catar e dos Emirados Árabes Unidos podem permanecer abaixo dos níveis anteriores à guerra (no médio prazo), uma vez que sofreram danos em campos de gás e refinarias.”

TópicosCNN Brasil MoneyAgroFertilizantes


Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por fernandapressinott

Conteúdo Original / Fonte: fernandapressinott

Bloqueador de anuncios detectado

Por favor, considere apoiar nosso trabalho desativando a extensão de AdBlock em seu navegador ao acessar nosso site. Isso nos ajuda a continuar oferecendo conteúdo de qualidade gratuitamente.