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O inverno teve início no hemisfério sul no último domingo (21), e as temperaturas tendem a cair em diversas partes do Brasil nos próximos dias. No entanto, a presença do fenômeno El Niño deverá imprimir características atípicas à estação em várias regiões do país, segundo o analista de Clima e Meio Ambiente da CNN, Pedro Côrtes.
De acordo com Côrtes, o inverno ainda está em fase inicial de consolidação. “A gente vai ter uma transição agora no início de julho, mas depois as principais características vão se firmar em agosto e setembro”, explicou o analista.
Temperaturas acima da média no Centro-Oeste e Sudeste
Côrtes destacou que a região Sul do Brasil deverá registrar temperaturas dentro do padrão esperado para a estação, ou seja, frio dentro da normalidade. Já nas regiões Centro-Oeste e em boa parte do Sudeste, a influência do El Niño deverá elevar as temperaturas acima da média histórica.
Essa tendência de aquecimento se estende também pelo Nordeste e pela maior parte da região Norte, com exceção do extremo oeste da região Norte, que deverá manter temperaturas dentro do padrão. “A tendência é de um aquecimento de São Paulo para cima, já a partir do mês de julho”, afirmou o analista.
Em São Paulo, áreas serranas como a Serra da Cantareira e a Serra da Mantiqueira poderão registrar temperaturas um pouco mais baixas em relação ao restante do estado. De maneira geral, porém, a elevação das temperaturas será a marca do inverno nas regiões central e norte do país.
Chuvas acima da média e risco de arboviroses
Côrtes destacou que as regiões Sul, Centro-Oeste e parte do Sudeste deverão registrar chuvas acima da média durante o inverno.
No oeste do Paraná, o índice pluviométrico poderá ser ainda mais elevado, o que reforça a necessidade de medidas preventivas contra os efeitos do El Niño — algo que o governo do Rio Grande do Sul já vem adotando, segundo o analista.
A combinação de temperaturas mais altas e maior volume de chuvas em áreas do Centro-Oeste e Sudeste cria condições propícias para a proliferação de arboviroses, como dengue, zika, chikungunya e febre amarela, mesmo durante o inverno.
“Lembrando que o Aedes aegypti já se adaptou ao ambiente urbano. Então, a gente não pode descuidar dos focos de proliferação desse tipo de mosquito, porque a gente pode ter um recrudescimento dessas doenças mesmo num período de inverno”, advertiu Côrtes, destacando que o risco é maior ao final do inverno e início da primavera.
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Seca no Norte e risco de queimadas
Na região Norte, o período seco tradicional deverá ser mais intenso do que o habitual, com redução significativa das chuvas. Segundo Côrtes, as altas temperaturas aliadas à menor precipitação em áreas do Centro-Norte do país aumentam o risco de queimadas.
“Essa vegetação mais quente, em áreas onde não vai chover tanto, vai estar mais seca, então isso pode aumentar o número de queimadas nessa região central”, explicou.
Monitoramento do sistema Cantareira é ampliado
Côrtes também comentou a decisão do governo do estado de São Paulo de segregar o monitoramento do Sistema Cantareira — principal reservatório de abastecimento da região metropolitana de São Paulo, que abrange 39 municípios e mais de 20 milhões de habitantes — em relação aos demais reservatórios do sistema integrado metropolitano.
O analista explicou que, após as crises hídricas severas registradas em 2003-2004, 2014-2016 e em menor escala em 2021, o método de monitoramento foi atualizado para incorporar variáveis climáticas como El Niño e La Niña. A nova metodologia, no entanto, apresenta lacunas na avaliação de Côrtes. “Ela fica faltando dois itens”, afirmou.
O primeiro é a não consideração da Oscilação Decadal do Pacífico (PDO, na sigla em inglês), um fenômeno que atua como modulador da intensidade do El Niño e que esteve presente durante as duas principais crises hídricas do Sistema Cantareira.
O segundo é o período histórico de análise adotado, que vai de 2011 a 2025, deixando de fora episódios relevantes de El Niño e La Niña ocorridos no início do século. “A minha recomendação: incluam a Oscilação Decadal do Pacífico nas análises e também considerem ampliar o período histórico analisado”, concluiu Côrtes.
Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.TópicosChuvasClimaEl NiñoLa NiñaMeio ambienteMudanças climáticasQueimadasRio Grande do Sul
Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por afonsobenites


