13/09/2026

Entenda o que se sabe do acordo petrolífero entre EUA e Venezuela

Por CNN Brasil

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Em 1º de setembro, a Assembleia Nacional da Venezuela — dominada pelo partido governista — aprovou um acordo sem precedentes para que os Estados Unidos obtivessem acesso a um quinto das reservas de petróleo do país.

Quem assinou o acordo?

Embora a vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, e o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, o tenham saudado como um projeto “binacional”, o governo dos EUA indicou que o Departamento de Defesa e o Departamento de Estado norte-americanos assinaram um acordo com a empresa venezuelana NABEP (North American Blue Energy Partners) — ​​uma companhia petrolífera de capital fechado que é a segunda maior produtora privada de petróleo da Venezuela e uma operadora comprovada, segundo seu site.

O que foi acordado?

Um documento informativo da Casa Branca detalhou um acordo segundo o qual a empresa petrolífera privada NABEP — liderada pelo controverso investidor venezuelano Alejandro Betancourt — obteria uma concessão de 100 anos para explorar 17 campos de petróleo na Venezuela, que detêm reservas estimadas em 65 bilhões de barris.

Os EUA deteriam uma participação acionária de 35% na empresa controladora, receberiam uma parcela garantida de 20% da produção de petróleo e teriam direito de preferência na compra de todo o restante da produção.

O governo venezuelano, que mencionou um acordo de 25 anos, afirmou que a NABEP pagará mais de US$ 209 bilhões (aproximadamente RS 1 trilhão) em royalties e impostos.

Quem é Alejandro Betancourt?

Betancourt é o principal parceiro de Washington no acordo petrolífero incomum com Caracas.

O bilionário cofundou a NABEP em 2024 com o bilionário da Flórida Harry Sargeant, que vendeu suas ações na empresa no mês passado.

Segundo quatro pessoas familiarizadas com a política dos EUA em relação à Venezuela, Betancourt foi peça-chave na estratégia e no planejamento norte-americanos que antecederam a operação de 3 de janeiro — a qual removeu o ex-presidente Nicolás Maduro do poder e o levou a Nova York para responder a acusações de tráfico de drogas, as quais ele nega.

Betancourt foi investigado nos Estados Unidos, na Espanha e na Suíça, mas nunca foi formalmente indiciado.

Uma autoridade dos EUA, que pediu para não ser identificada, afirmou que a maioria dos problemas jurídicos de Betancourt remonta a quase uma década — e que ele é o melhor parceiro para impulsionar a produção de petróleo da Venezuela.

O empresário é um membro de destaque dos chamados “Bolichicos” — uma geração mais jovem de empresários que acumulou fortunas durante o governo do ex-líder venezuelano Hugo Chávez.

Em 2012, Betancourt firmou uma parceria com a estatal PDVSA para operar campos maduros no oeste da Venezuela.

Esses campos acabariam se tornando a base da produção da NABEP.

Por que isso é controverso?

O acordo não passou por um processo competitivo, e sua negociação permaneceu em sigilo até a semana passada, mesmo em meio a uma ampla reforma da legislação fundamental da Venezuela sobre hidrocarbonetos e à migração de dezenas de “joint ventures” (empreendimentos em conjunto) e contratos para novos termos — processo que autoridades e operadoras ainda não concluíram.

Segundo o presidente interino da Venezuela, Rodriguez, o pacto terá duração mínima de 25 anos, em conformidade com a Lei de Hidrocarbonetos do país membro da Opep, garantindo US$ 100 bilhões em investimentos e US$ 209,3 bilhões em “royalties” e impostos; isso deixaria cerca de US$ 19 (cerca de R$ 96) nas mãos da Venezuela para cada barril produzido.

Especialistas manifestaram dúvidas quanto à legalidade do acordo, especialmente pelo fato de caber aos EUA — e não à Venezuela — a escolha do modelo e das empresas que operarão os campos.

O que é tecnicamente alcançável?

Os 65 bilhões de barris virão de 17 campos de petróleo, com a maior parte das reservas situada em oito grandes blocos na vasta Faixa do Orinoco — a principal região produtora da Venezuela — e as áreas restantes localizadas no Lago de Maracaibo, um polo tradicional do país que carece de investimentos, segundo uma lista à qual a agência de notícias Reuters teve acesso.

Uma análise da consultoria Gas Energy Latin America, sediada em Caracas, constatou que os campos contêm 63,7 bilhões de barris em reservas provadas, calculadas com base em um fator de recuperação de 20% — tecnicamente viável, embora ainda não alcançado na prática.

Segundo alguns especialistas, estima-se que o esgotamento dessas reservas recuperáveis ​​levará mais de 25 anos.

No entanto, as áreas oferecem aos EUA uma combinação de ativos “greenfield” (novos projetos) e “brownfield” (instalações existentes), permitindo que a operadora comece com uma base de produção exportável.

Esse volume poderá aumentar à medida que forem concluídos os reparos na infraestrutura do Lago de Maracaibo e implementados os planos de desenvolvimento para as áreas inexploradas da Faixa do Orinoco, que contêm petróleo extrapesado.

A participação pretendida dos EUA na parceria ampliaria ainda mais o volume de petróleo venezuelano enviado para o país, que atualmente representa cerca de 60% do total das exportações.

Diante da pressão política sobre os preços da gasolina — que subiram em meio ao conflito em curso com o Irã —, Trump afirmou que o novo suprimento de barris venezuelanos ajudará a recompor a Reserva Estratégica de Petróleo dos EUA, a qual caiu para 290 milhões de barris neste mês, aproximando-se de seu nível mais baixo em 44 anos.


Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por laurasantana.

Conteúdo Original / Fonte: laurasantana

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