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O Irã alertou neste domingo (20) contra um possível novo grande ataque dos Estados Unidos e de seus aliados, afirmando ter informações de que uma ofensiva estaria sendo preparada. A declaração aumenta a tensão em uma região já afetada por ataques com drones e mísseis contra a Arábia Saudita.
O comando militar central do Irã afirmou, em declaração à mídia estatal, que qualquer novo ataque provocaria uma retaliação prolongada contra bases e interesses dos Estados Unidos. Segundo os militares, aliados regionais de Washington também seriam considerados partes do conflito.
O comando não apresentou detalhes sobre as informações que, segundo ele, indicariam a preparação de um novo ataque americano.
O Departamento de Estado dos EUA emitiu no sábado (19) um alerta de segurança afirmando que havia possibilidade de uma escalada inesperada no Oriente Médio. O órgão orientou cidadãos americanos a redobrarem a atenção e alertou para possíveis cancelamentos de voos e fechamentos do espaço aéreo.
Quase sete meses após o início da guerra entre EUA e Irã, nenhum dos lados parece disposto a fazer as grandes concessões necessárias para encerrar os combates. Com os mercados globais de energia já pressionados, o conflito continua se espalhando para outras crises na região.
No sábado (19), os houthis, grupo apoiado pelo Irã no Iêmen, afirmaram ter realizado ataques contra a capital saudita, Riad, e uma importante instalação de petróleo em Yanbu, cidade portuária da Arábia Saudita no Mar Vermelho.
Imagens da Reuters mostraram uma enorme coluna de fumaça preta subindo da região do principal aeroporto internacional de Riad após explosões serem ouvidas durante a noite.
A Arábia Saudita não comentou o incidente nem as alegações dos houthis. Uma coalizão liderada pelos sauditas que combate o grupo, porém, afirmou ter frustrado outros ataques contra o país. O alerta do Departamento de Estado americano citou os ataques dos houthis contra a Arábia Saudita, incluindo contra aeroportos civis.
A recente escalada dos houthis colocou Riad diante de um dilema: continuar os ataques aéreos contra o grupo para impedir que ele conquiste mais território no Iêmen ou recuar na esperança de evitar ataques com drones contra infraestruturas estratégicas.
Ataques contra a Arábia Saudita
Os avanços dos houthis ao longo da costa do Iêmen significam que as forças do grupo agora estão posicionadas junto ao estreito de Bab el-Mandeb, o que lhes dá maior controle sobre o transporte marítimo entre o Mar Vermelho e a Ásia e a capacidade de bloquear a importante passagem.
Com o Irã já tendo bloqueado a maior parte do transporte marítimo no estreito de Ormuz, as exportações de energia do Golfo, rico em petróleo, estão quase totalmente isoladas dos mercados globais, aumentando a pressão sobre os preços do petróleo.
Um bloqueio americano aos portos iranianos também impede o Irã de vender seu próprio petróleo, contribuindo para os graves problemas da economia do país.
Apesar dos danos causados pela guerra a todos os lados, há poucos sinais de retomada do acordo de cessar-fogo provisório firmado em junho, mas que desmoronou em julho em meio a disputas sobre seus termos.
O Irã reiterou neste domingo que não reabrirá o estreito de Ormuz até que sejam cumpridos os termos daquele acordo de junho, segundo a interpretação de Teerã.
O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, afirmou que o Irã terá de continuar lutando e negociando para conter seus inimigos e consolidar eventuais ganhos por meio da diplomacia.
Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por yasmincaetano.
