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EUA tratam Brasil como “país X” e “Equador” em proposta para terras raras

Por CNN Brasil Fonte: danielrittner 02/07/2026 às 03:32
EUA tratam Brasil como “país X” e “Equador” em proposta para terras raras

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Os Estados Unidos trataram o Brasil, em um documento oficial, como “Equador” e “país X” na proposta de assinatura de um memorando de entendimentos para cooperação em minerais críticos e terras raras.

Os dois países abriram discussões sobre a possibilidade de um acordo na área, mas não houve avanços significativos até agora. Enquanto isso, o governo de Donald Trump ameaça impor tarifas de 25% sobre produtos brasileiros.

Na proposta americana, enviada a Brasília pelo Departamento de Estado e à qual a CNN teve acesso, há menções à expressão “country X” (em inglês), com rasuras e a palavra “Brazil” escrita em seguida.

Em um parágrafo específico, por aparente falha, o Brasil foi trocado pelo Equador.

Esses trechos foram interpretados por negociadores brasileiros como uma evidência de que o governo Trump tem pouca vontade em explorar uma parceria de interesse mútuo com o Brasil.

A CNN teve acesso parcial ao texto da proposta americana, encaminhado a Brasília pelo Departamento Estado em janeiro, dias antes da reunião (em 4 de fevereiro) conduzida em Washington com 54 países para falar sobre a cadeia produtiva da mineração e perspectivas de fornecimento de matérias-primas às empresas americanas.

Até agora, entretanto, esse erro na redação da oferta ainda não era conhecido. No encontro de fevereiro, foram assinados memorandos de entendimentos com 11 países, incluindo Argentina, Paraguai e Equador.

A avaliação, no governo Lula, foi de o Departamento de Estado mandou propostas na base do “corta e cola”, desconsiderando peculiaridades de cada negociação e características próprias dos países, como o Brasil — detentor da segunda maior reserva de terras raras do planeta, atrás apenas da China.

Um ponto bastante criticado na proposta americana, por assessores presidenciais, é que o acordo desejado pelos americanos teria “non-binding nature”.

Ou seja, não haveria validade jurídica e não precisaria ser incorporado às leis domésticos ou a normas internacionais, servindo apenas como potencial elemento de pressão em caso de eventual divergência.

Em uma trilha paralela, o Itamaraty chegou a iniciar negociações com o USTR (escritório do representante comercial da Casa Branca), com natureza mais técnica e abordando pontos mais aprofundados, como o estabelecimento de preços mínimos no fornecimento de terras raras.

As conversas, segundo relatos feitos à CNN, pararam de evoluir a partir da compra da mineradora Serra Verde pela americana USA Rare Earth.

A operação foi anunciada em abril e fechada por US$ 2,8 bilhões. Única empresa brasileira já com produção de terras raras, a Serra Verde — localizada em Minaçu (GO) — fechou um contrato offtake (de garantia de fornecimento) de 15 anos para o mercado americano.

Na avaliação de funcionários brasileiros, isso fez o USTR perder ímpeto e diminuiu o apetite por um acordo com o Brasil.

Procurada pela CNN nesta quarta-feira (1º), a embaixada dos Estados Unidos em Brasília não respondeu até o momento.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por danielrittner

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