Compartilhar matéria
John Bolton, ex-conselheiro de segurança nacional do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump — e que desde então se tornou um de seus críticos mais ferrenhos —, declarou-se culpado nesta sexta-feira (26), em um tribunal federal, pela gestão inadequada de informações sigilosas e enfrenta uma pena de até cinco anos de prisão.
“Lamento o ocorrido”, disse Bolton ao juiz distrital dos EUA, Theodore D. Chuang, durante a audiência.
A agência de notícias Reuters havia noticiado anteriormente que Bolton se declararia culpado como parte de um acordo com os promotores; o acordo previa uma faixa de pena que variava de nenhuma prisão até cinco anos de detenção, cabendo ao juiz determinar a sentença final.
Como parte do que foi acordado, Bolton aceitou pagar uma multa de US$ 2,25 milhões. O ex-conselheiro, de 77 anos, deverá pagar metade do valor em até cinco dias após a sentença e quitar o valor total em até 90 dias após a decisão judicial.
- “8647”: EUA investigam suposta ameaça contra Trump; entenda
- Trump diz que a ABC deveria demitir Jimmy Kimmel enquanto a Disney resiste
- Ex-diretor do FBI é indiciado por suposta “ameaça” contra Trump
Ele também se comprometeu a cumprir até 100 horas de serviço comunitário e a reunir-se com autoridades de inteligência e do Departamento de Justiça para prestar esclarecimentos. Bolton também abrirá mão de sua aposentadoria como servidor público.
Chuang agendou a leitura da sentença para outubro.
Acusações contra o ex-conselheiro
Bolton é acusado de compartilhar informações sigilosas com dois parentes para possível uso em um livro de memórias que estava escrevendo, incluindo anotações sobre informes de inteligência e reuniões com autoridades governamentais de alto escalão e líderes estrangeiros.
No ano passado, ele declarou-se inocente das 18 acusações criminais.
O livro detalhava o período em que Bolton atuou como conselheiro de segurança nacional de Trump durante seu primeiro mandato.
Na obra, ele descreveu o presidente como inapto para o cargo, desencadeando uma disputa pública. No entanto, os promotores afirmaram nesta sexta-feira (26) que nenhuma informação sigilosa foi publicada no livro de Bolton, “The Room Where It Happened”.
As autoridades informaram que o e-mail pessoal do ex-conselheiro foi hackeado por alguém que se acredita ter vínculos com o Irã — um ponto reiterado pelos promotores nesta sexta-feira.
Bolton, que atuou como conselheiro de segurança nacional durante o primeiro mandato de Trump, é um dos vários oponentes políticos de destaque que enfrentaram processos movidos pelo Departamento de Justiça sob a gestão do líder republicano — uma prática que rompeu com normas de longa data que separavam as ações de aplicação da lei de considerações partidárias.
No entanto, diferentemente de outros casos movidos contra críticos do presidente, a investigação sobre Bolton teve início antes de Trump retornar ao cargo em 2025 e contou com o apoio de procuradores federais de carreira.
TópicosDonald TrumpEstados UnidosJohn Bolton
Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por poliannelima
