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Ex-OMC: Expectativa é por aumento da lista de exceções às tarifas dos EUA

Por CNN Brasil Fonte: afonsobenites 06/07/2026 às 14:33
Ex-OMC: Expectativa é por aumento da lista de exceções às tarifas dos EUA

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A audiência pública entre representantes do setor produtivo brasileiro e o governo dos Estados Unidos para discutir as novas tarifas de 25% impostas sobre produtos brasileiros teve início nesta segunda-feira (6). Em entrevista à CNN, o ex-diretor-geral da OMC (Organização Mundial do Comércio) Roberto Azevêdo avaliou o cenário das negociações e apontou que há expectativa concreta por um aumento na lista de exceções aos produtos sobretaxados.

Questionado sobre se haveria uma decisão de cunho político-ideológico por parte dos Estados Unidos nas negociações, Azevêdo fez uma distinção importante. “O que há é uma decisão de política industrial dos Estados Unidos, que não se aplica apenas ao Brasil. Então, não tem nada a ver com ideologia com relação ao Brasil ou qualquer outro país”, afirmou.

Segundo ele, quase 90 países estão sendo afetados pelas medidas tarifárias americanas, o que demonstra o caráter amplo e estrutural da iniciativa.

Política industrial, não ideologia

Para Azevêdo, o objetivo central dos Estados Unidos é revisar sua política industrial, elevando impostos de importação que, na visão americana, são excessivamente baixos e acabam favorecendo produtos estrangeiros em detrimento da produção doméstica.

“A meu ver, é um cálculo equivocado do ponto de vista estritamente econômico”, avaliou. Ele reconheceu, no entanto, que se for considerado sob o ângulo de um projeto de maior nacionalismo econômico e menor dependência de fornecedores externos, a medida possui uma lógica política interna.

Argumentos para ampliar a lista de exceções

Ao ser perguntado sobre a possibilidade de ampliar a lista de produtos isentos das sobretaxas — que incluem calçados, equipamentos, máquinas, pescados e crustáceos —, Azevêdo delineou os critérios que considera essenciais para obter êxito nessa frente.

“A chave do sucesso é você conseguir provar que o seu produto, se for sobretaxado, vai encarecer muito a cadeia produtiva americana e o preço no fim da linha para o consumidor americano”, explicou.

Outro argumento fundamental, segundo ele, é demonstrar a ausência de alternativas de suprimento equivalentes fora do Brasil, ou que fornecedores alternativos só poderiam suprir a demanda a custos muito mais elevados.

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Azevêdo destacou ainda que 62% das exportações brasileiras para os Estados Unidos nos produtos afetados pelas tarifas são insumos — não produtos finais — que integram a cadeia produtiva norte-americana.

“Portanto, vai encarecer a produção dentro dos Estados Unidos. Em alguns casos, talvez até inviabilizar”, alertou. Sobre os 11 produtos em que o Brasil figura como principal fornecedor dos EUA — como álcool e hidróxido de alumínio —, o especialista ressaltou que a posição de maior fornecedor geralmente reflete maior competitividade, o que torna ainda mais difícil a substituição por outros países.

Aliados americanos como caminho mais eficaz

Para Azevêdo, a estratégia mais eficaz para garantir exceções não passa pelas negociações diplomáticas tradicionais, mas sim pela mobilização de aliados dentro dos próprios Estados Unidos.

“O caminho que tem se mostrado mais eficaz é o de você conseguir aliados dentro dos Estados Unidos — as congêneres americanas, os clientes americanos — que vão bater na porta do Departamento de Comércio e da própria Casa Branca para dizer que estão sendo prejudicados”, afirmou.

Segundo ele, nenhum dos produtos que entrou na lista de exceções americanas o fez por conta das negociações bilaterais, que, em sua avaliação, não têm avançado.

Azevêdo relatou que tanto o lado americano quanto o brasileiro se acusam mutuamente pela falta de progresso nas tratativas. Enquanto os americanos alegam que o Brasil não está se engajando da forma esperada, o Brasil sustenta que os Estados Unidos não apresentam uma lista clara de demandas e procrastinam as negociações.

Diante desse impasse, ele concluiu que o setor privado não pode aguardar o avanço das negociações oficiais e precisa buscar seus próprios caminhos. “O setor privado não pode se dar o luxo de esperar que as negociações oficiais avancem. Tem que procurar os seus atalhos”, afirmou.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.Acompanhe Economia nas Redes Sociais

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Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por afonsobenites

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