Ex-secretária e outras 8 pessoas viram rés por eutanásias “em massa” no RS

Por CNN Brasil 02/07/2026 às 07:34

Compartilhar matéria

A Justiça do Rio Grande do Sul recebeu, nesta quarta-feira (1º), a denúncia apresentada pelo Ministério Público contra a ex-secretária do Bem-Estar Animal de Canoas, Paula Lopes, e outras oito pessoas investigadas por um esquema de eutanásia em massa de cães e gatos para desviar recursos destinados a tratamentos que nunca foram realizados.

Com a decisão, os nove apontados no processo, incluindo uma policial civil e uma associação fundada e mantida pela ex-titular da secretaria, passam à condição de réus.

De acordo com o Ministério Público, os denunciados respondem por eutanásia ilegal de cães e gatos e outros crimes relacionados a maus-tratos de animais domésticos. O órgão sustenta que os fatos teriam ocorrido em 2025, no Centro de Bem-Estar Animal de Canoas e em outros locais do município e de Porto Alegre.

Leia Mais

  • Polícia encontra gatos congelados em ONG em SP; 136 animais são resgatados
  • Ex-secretária e veterinários são presos por eutanásias “em massa” no RS
  • Lei Orelha: Alesc aprova penas para pais de menores que maltratam animais

Na denúncia, o MP pede a aplicação das sanções previstas nas legislações ambiental e penal, incluindo a proibição da guarda de animais, a perda de bens relacionados aos crimes e a perda de cargos e funções públicas.

Segundo o TJRS (Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul), a defesa de Paula Lopes apresentou um pedido de liberdade, que foi negado pela Vara Regional do Meio Ambiente. Com isso, a ex-secretária permanece presa.

Entenda o caso

A protetora de animais e ex-secretária do Bem-Estar Animal de Canoas, na região metropolitana de Porto Alegre (RS), Paula Lopes, foi presa no dia 15 de junho. Além dela, a Polícia Civil prendeu dois veterinários — entre eles, uma mulher que também trabalhava no órgão municipal, por um esquema de eutanásia em massa de cães e gatos para desviar valores doados para tratamentos que nunca aconteceram.

As investigações tiveram início em 2025. Na primeira fase da operação, que foi deflagrada em setembro, a polícia cumpriu mandados de busca e apreensão na sede da Secretaria, na casa e no sítio da ex-secretária e na residência da veterinária que atuava junto à secretaria.

De acordo com a investigação, após análise do material apreendido, foi constatado que o número de eutanásias na Secretaria do Bem-Estar Animal de Canoas estava acima do esperado para o perfil dos animais recolhidos e também em comparação aos anos anteriores.

Ao todo, foram pelo menos 478 procedimentos em oito meses. Depois, os animais eram levados a uma universidade para serem incinerados.

A denúncia sobre o caso veio de usuários do serviço e dos próprios agentes da Secretaria. Segundo a Polícia Civil, a mulher valia-se da condição de “protetora dos animais” para praticar os crimes.

A Polícia Civil disse que ficou comprovado que os animais resgatados eram encaminhados para eutanásia em situações em que ainda havia alternativas de tratamento.

Nas redes sociais, a suposta protetora publicava fotos com animais com deficiência que dizia adotar e salvar por meio de uma ONG. Para a polícia, era dessa maneira que ela legitimava as captações de doação em dinheiro.

Relembre o caso: Ex-secretária e veterinários são presos por eutanásias “em massa” no RS

Além disso, conforme a investigação, a exoneração do cargo de secretária não desmobilizou o esquema, que continuou a operar no sítio onde funcionava a suposta ONG. Paula foi secretária de Bem-Estar Animal do município entre janeiro e agosto de 2025 – mês em que foi exonerada

De acordo com o apurado, ela atuava desde 2020, com mais de 500 vaquinhas realizadas durante o período. No total, o Instituto já recebeu cerca de R$ 670 mil, de doações de quase 15 mil pessoas, informou a polícia.

Além das prisões de Paula e dos veterinários, foram apreendidos celulares, computadores e outras provas para a sequência das investigações. Também foi resgatado o cachorro “Dudu”, animal sem as patas dianteiras, que era utilizado para pedidos de pix nas redes sociais.

A CNN Brasil tenta contato com a defesa de Paula Lopes.

*Sob supervisão de Carolina Figueiredo

TópicosAnimaisEutanásiaJustiçaRio Grande do Sul


Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por Bruna Lopes

Conteúdo Original / Fonte: Bruna Lopes

Bloqueador de anuncios detectado

Por favor, considere apoiar nosso trabalho desativando a extensão de AdBlock em seu navegador ao acessar nosso site. Isso nos ajuda a continuar oferecendo conteúdo de qualidade gratuitamente.