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O governo de Trump está planejando um aumento das operações de fiscalização migratória em locais de trabalho, com múltiplas agências federais envolvidas na definição de como aumentar o número de prisões e acalmar a base eleitoral do presidente, segundo cinco fontes familiarizadas com as discussões.
Funcionários do governo afirmam que investigações criminais já estão em andamento e que qualquer nova medida de fiscalização virá dessas apurações. Um porta-voz do Departamento de Segurança Interna disse à CNN que houve um “aumento das investigações criminais voltadas a fraudes”.
A gestão interna ocorre enquanto o governo tenta equilibrar a execução de um número histórico de deportações sem perturbar setores-chave — da indústria manufatureira à construção civil e à agricultura — nem desestabilizar uma economia frágil.
O Departamento de Segurança Interna já enviou anteriormente mensagens contraditórias sobre a realização de operações em locais de trabalho. No ano passado, uma operação de imigração em uma fábrica da Hyundai na Geórgia desencadeou uma disputa diplomática entre Estados Unidos e Coreia do Sul.
Setores mais rígidos em relação à imigração afirmam que a fiscalização nos locais de trabalho é necessária para o sucesso da agenda migratória mais ampla do presidente.
“A realidade é que a fiscalização em locais de trabalho não está acontecendo, e sem isso os números não vão atingir os níveis necessários”, disse à CNN um funcionário do governo, referindo-se à situação atual.
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Funcionários de várias agências federais, incluindo o Departamento de Justiça e o Departamento de Segurança Interna, vêm mantendo conversas contínuas para elaborar uma estratégia sobre a fiscalização em locais de trabalho, disseram três das fontes à CNN.
Parte desse plano, até o momento, envolve educar empregadores sobre suas responsabilidades na contratação, além de realizar prisões migratórias em locais de trabalho envolvidos em atividades criminosas, disse uma das fontes. As fontes alertaram que os planos ainda estão em desenvolvimento e podem mudar.
“Isso não é uma política nova”, disse um funcionário da Casa Branca à CNN. “O governo vem conduzindo investigações criminais sobre uma série de violações desde o início da administração, em casos como fraude de assistência social, fraude de benefícios, roubo de identidade e outros.”
“Essas investigações são de natureza penal. Se as investigações exigirem ação das autoridades para deter aqueles que estão violando a lei, o governo Trump fará cumprir a lei”, acrescentou o funcionário.
Pode levar meses, se não anos, para preparar uma operação em um local de trabalho, que muitas vezes se baseia em uma investigação criminal em andamento.
As investigações da Segurança Interna do ICE geralmente notificam a intenção de auditar a documentação migratória de uma empresa; realizam essa auditoria; e, se surgirem problemas, iniciam uma investigação criminal.
“São difíceis porque são montanhas de papelada e exigem muita análise e diligência para montar o caso e provar a culpa”, disse à CNN um ex-funcionário do DHS (Departamento de Segurança Interna), referindo-se às operações em locais de trabalho. “Exigem bastante esforço.”
Os setores mais rígidos em relação à imigração e aliados do presidente têm pressionado há tempos o governo a intensificar a fiscalização em locais de trabalho, vendo isso como uma forma de deportar uma grande parcela de imigrantes sem documentos, além daqueles considerados ameaças à segurança pública ou nacional, e de punir empregadores que os contratam.
“O governo vai enfrentar um teste: eles vão passar nesse teste ou não?”, disse Mark Krikorian, diretor do Center for Immigration Studies, que defende uma imigração mais restrita. “O teste é se eles vão intensificar de forma significativa a fiscalização relacionada ao emprego. Isso não é apenas fazer operações em locais de trabalho.
Isso precisa fazer parte, mas também todo o resto, como a aplicação das exigências de documentação.”
Isso inclui colocar os empregadores em alerta, disse ele.
A iniciativa nos locais de trabalho ocorre em um momento em que o governo também está ampliando sua atuação geral em prisões migratórias.
Nos últimos dias, o ICE intensificou as detenções, levando cerca de 2.000 pessoas por dia sob custódia, em média, acima dos meses anteriores — uma meta que as autoridades querem manter. (No ano passado, o então vice-chefe de gabinete da Casa Branca, Stephen Miller, ordenou que o ICE cumprisse cotas diárias de 3.000 detenções migratórias, um número sem precedentes que a agência teve dificuldade de atingir.)
“Estamos vendo nossos números de prisões aumentarem. Estamos vendo nossos números de deportações continuarem a subir.
Neste momento, estamos deportando em média mais de 3.000 indivíduos; na verdade, a média, há várias semanas, tem sido de mais de 3.200 indivíduos por dia”, disse o secretário de Segurança Interna, Markwayne Mullin, em uma coletiva de imprensa em Nova York na quarta-feira (1).
“Estamos intensificando a cada dia porque estamos tentando restaurar a lei e a ordem, independentemente de você viver em um estado vermelho ou em um estado azul”, acrescentou.
No ano passado, o próprio Trump oscilou repetidamente sobre o tema de endurecer as medidas contra trabalhadores migrantes.
Em alguns momentos, ele havia sugerido que fazendas e outras indústrias que empregam migrantes deveriam ser protegidas, ao mesmo tempo em que ele e alguns assessores de alto escalão pressionavam o ICE para intensificar suas operações de imigração.
Isso provocou mudanças de orientação dentro do ICE, já que agentes foram instruídos a limitar operações em fazendas, hotéis e restaurantes, e depois voltaram a receber ordens para continuar a fiscalização em locais de trabalho.
Ainda não está claro qual será o alcance da mais recente iniciativa de fiscalização migratória.
“Isso vai incomodar algumas pessoas”, disse Krikorian, referindo-se aos empregadores. “Não há como fazer (uma deportação em massa) e não há como incentivar uma autodeportação significativa sem isso.”
Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por Luciana Caczan
