A Prefeitura de Manaus mobilizou secretarias e órgãos federais para enviar ajuda humanitária à Venezuela após os terremotos que atingiram o país na última semana. Em entrevista ao CNN 360°, o prefeito Renato Júnior relatou as ações adotadas e destacou a gravidade da situação enfrentada pelas equipes de resgate no país vizinho.
Segundo Renato Júnior, mais de 200 toneladas de mantimentos já foram enviadas à Venezuela, incluindo 10 mil cestas básicas, mais de 500 colchões, alimentos, medicamentos e kits de higiene. O material foi transportado na segunda-feira pelo Exército, com apoio da FAB, e já chegou à fronteira venezuelana.
Bombeiros sem água para continuar as buscas
Um dos pontos mais alarmantes relatados por Renato Júnior diz respeito à falta de água para os bombeiros que atuam nas operações de busca por sobreviventes entre os escombros.
“Não há água para que os bombeiros possam continuar os seus trabalhos de busca, então isso é muito sério”, afirmou. Além disso, a alimentação também escasseia, pois o acesso aos comércios está obstruído e as telecomunicações estão paralisadas nas áreas afetadas.
Diante da dimensão da crise, Renato Júnior anunciou o envio de mais 200 toneladas de mantimentos previsto para a sexta-feira (3). A Secretaria de Assistência Social de Manaus foi transformada em ponto de arrecadação, recebendo também doações de roupas da população. A iniciativa ganhou adesão de venezuelanos, colombianos e outras colônias de imigrantes residentes em Manaus.
“Não somente aqui da Prefeitura de Manaus, de todo o time de secretários, mas da população também, para ajudar, independente de ideologias, independente de cor de bandeiras, de país”, destacou.
Solidariedade como retribuição histórica
Renato Júnior também mencionou o contexto histórico que motiva a solidariedade de Manaus. Durante a pandemia de Covid-19, quando o Amazonas enfrentou grave crise de oxigênio nos hospitais, a Venezuela prestou auxílio ao estado.
“As fronteiras servem para separar países, separar estados, mas não para separar as pessoas. E está acima de ideologia, está acima de política”, declarou. Ao encerrar, Renato Júnior fez um apelo para que outros governantes brasileiros também contribuam com a Venezuela neste momento.
Quanto à logística do envio, Renato Júnior informou que não há impedimentos burocráticos nem por parte do Brasil nem da Venezuela.
A Receita Federal disponibilizou o sistema Radar Siscomex para agilizar a exportação humanitária, e os materiais têm chegado ao destino com rapidez. A proximidade geográfica — com o Amazonas e Roraima fazendo fronteira com o país vizinho — facilita o escoamento da ajuda pela BR-319.
Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por afonsobenites
