Figueiredo abre mão de falar contra tarifaço em audiência em Washigton

Por CNN Brasil 06/07/2026 às 12:32

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O jornalista e influenciador Paulo Figueredo anunciou nesta segunda-feira (6) que não participará presencialmente da audiência pública realizada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) a respeito do tarifaço aplicado sobre o Brasil.

A sessão serve para discutir o parecer do órgão sobre a implementação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros a partir de 15 de julho. A participação do influenciador para argumentar sobre a sobretaxas estava prevista nesta segunda.

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Figueredo decidiu pelo envio de seus comentários por escrito para deixar o destaque a seu aliado, o senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), que discursará no segundo e último dia da audiência nesta terça-feira (7). O cronograma divulgado mostra Flávio previsto para falar a partir das 10h (11h no horário de Brasília).

“O foco da semana deve ser a ida do @FlavioBolsonaro para lutar contra as tarifas que Lula tanto está cavando. Por isso, em vez de participar pessoalmente da audiência, optei por enviar os meus comentários por escrito. Tenho certeza de que o Flavio vai brilhar e nos representar”, escreveu o influenciador em suas redes sociais.

Além de Flávio de Figueredo, o evento deve contar com representantes de empresas, associações empresariais, escritórios de advocacia e especialistas em política comercial. Os envolvidos devem tentar convencer o representante americano de não haver motivos para imposição das tarifas e rebater os argumentos do parecer divulgado em 1º de junho.

As novas alíquotas são resultado da investigação conduzida pelo USTR com base na Seção 301, que aponta o suposto favorecimento ao Pix, acordos comerciais preferenciais, etanol, desmatamento, corrupção e pirataria como justificativas para a imposição de novas tarifas contra o Brasil.

O senador deve discursar contra a sobretaxa e, principalmente, na defesa do PIX, como anunciado anteriormente. Além disso, a fala deve tentar afastar a imagem de Flávio de uma suposta atuação a favor das taxas, como acusa a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), após a visita de Flávio à Casa Branca em maio.

Já Figueiredo, que já participou de outros movimentos de articulação da direita brasileira com o governo americano, pode pedir pela aplicação da Lei Magnitsky contra os ministros do Supremo Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes no lugar do tarifaço, como postado em suas redes anteriormente.

Conforme divulgou a CNN, o governo brasileiro decidiu, de última hora, enviar representantes da Embaixada Brasileira em Washington para a audiência. Porém, a participação do governo brasileiro deve se restringir apenas à condição de observador, sem nenhuma interferência ou fala. O Brasil escolheu privilegiar os canais diplomáticos.

O foco da semana deve ser a ida do @FlavioBolsonaro para lutar contra as tarifas que Lula tanto está cavando. Por isso, em vez de participar pessoalmente da audiência, optei por enviar os meus comentários por escrito. Tenho certeza de que o Flavio vai brilhar e nos representar.

— Paulo Figueiredo (8) (@pfigueiredo08) July 6, 2026

Figueiredo foi alvo de críticas de Flávio na última semana. O senador e pré-candidato condenou o aliado por uma declaração de que “mulher vota muito mal”. A fala ocorreu em um momento de desgasta junto a eleitorado feminino por causa da crise com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.

Como irá funcionar a audiência

A audiência acontece na Comissão de Comércio Internacional dos Estados Unidos, em Washington, e será dividida em 14 painéis. Os primeiros sete serão realizados nesta segunda-feira, a partir das 11h (horário de Brasília, 10h em Washington), enquanto os sete restantes começam às 11h de terça-feira (7), também no horário de Brasília.

Representantes dos setores brasileiros afetados, assim como importadores, distribuidores, indústrias, associações, federações, câmaras de comércio, consultorias, escritórios especializados, entidades de representação econômica e demais participantes inscritos que possam apresentar argumentos técnicos e objetivos sobre os impactos das tarifas, contarão com cinco minutos para apresentar um resumo executivo em defesa da cadeia produtiva que representam.

O processo também prevê momentos para questionamentos, que poderão ser feitos pelo próprio USTR, seguidos das respectivas respostas das entidades participantes.

Os preparativos para as audiências começaram no mês passado. Os interessados tiveram até o dia 22 de junho para solicitar participação no processo e até 1º de julho para encaminhar manifestações por escrito, que servirão de base para as apresentações.

O governo brasileiro entrou na reta final da tentativa de evitar o tarifaço americano. Nesta quinta-feira (2), o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias, teve a quarta reunião de alto nível com o representante de comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer.

As equipes técnicas voltam a se encontrar no início da próxima semana e uma nova reunião entre as autoridades está prevista para acontecer antes de 15 de julho, quando uma decisão sobre supostas práticas desleais por parte do Brasil deve ser tomada pelos americanos, inclusive a ameaça de aplicar tarifas de 25% sobre parte dos produtos nacionais.

Para tentar mudar esse cenário, o Brasil apresentou um “mapa do caminho” com uma série de medidas para responder às queixas dos americanos. Entre elas, a redução de tarifas de importação em setores como máquinas, equipamentos de saúde e tecnologia da informação — porém, o PIX continua fora de negociação.

Com informações de Luciana Amaral e Patrick Palhares

TópicosFlávio BolsonaroLuiz Inácio Lula da Silva (Lula)Paulo FigueiredoTarifaço EUA


Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por filipepereira

Conteúdo Original / Fonte: filipepereira

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