Fim da 6×1 não é solução para produtividade, diz presidente da CBIC

Por CNN Brasil 22/06/2026 às 08:32

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O debate em torno da proposta de fim da escala 6×1, que tramita no Congresso Nacional, ganhou ainda mais relevância diante da queda do Brasil em sete posições no ranking mundial de competitividade, segundo dados da IMD World Competitiveness Center em parceria com a Fundação Dom Cabral.

Para Renato Correia, presidente da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), a medida não representa uma solução para o problema da produtividade no país.

Em entrevista ao CNN Money nesta segunda-feira (22), Correia destacou que a produtividade brasileira corresponde a apenas 20% da americana.

“Com baixa produtividade, a gente deixa de competir no mercado mundial, porque o nosso produto industrializado não tem como concorrer nesse mercado”, afirmou.

Para ele, o debate em si é positivo, mas a PEC (Proposta de Emenda à Constituição), na forma e na velocidade em que está proposta, tende a agravar os custos de produção sem gerar ganhos reais de eficiência.

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A proposta prevê uma redução de jornada em 60 dias, com nova redução após um ano. Correia alertou que esse ritmo é incompatível com a capacidade do setor produtivo de crescer em produtividade.

“Aumentando os custos de produção, aumenta os preços do nosso consumo, do nosso serviço, e vai aumentar a inflação dificultando a queda de juros”, disse.

No setor de construção, onde parte da remuneração é variável e atrelada à produção por tarefas, a redução de horas trabalhadas pode significar, na prática, uma diminuição nos ganhos dos próprios trabalhadores.

Escassez de mão de obra agrava o cenário

Outro ponto levantado por Correia é a escassez de mão de obra. Segundo ele, o setor de construção civil emprega hoje pouco mais de 3 milhões de trabalhadores com carteira assinada.

A implementação imediata da redução de jornada demandaria cerca de 288 mil trabalhadores adicionais — ou 144 mil no caso de uma redução parcial de duas horas.

Essa mão de obra não existe. Nós teríamos que cobrir fazendo horas extras para recompor as horas não trabalhadas em horário normal, o que aumentaria o custo”, explicou.

Proposta de transição gradual

Diante desse cenário, Correia defendeu uma transição de quatro anos, com redução de uma hora por ano, para que o setor possa organizar ganhos de produtividade por meio de investimentos em maquinário e equipamentos, sem repassar os custos aos preços finais.

Ele também apontou a burocracia como um gargalo relevante: processos de aprovação de projetos, licenciamentos e ligações de energia e saneamento representam cerca de 12% do custo dos imóveis.

“Há espaço, sim, para a melhoria da burocracia”, afirmou.

Correia ainda alertou que, em um cenário de juros elevados, um aumento estrutural nos custos trabalhistas poderia inviabilizar projetos de investimento privado em infraestrutura.

“Na medida em que há alta taxa de juros e mais custo de produção elevado, as viabilidades para o investimento privado começam a ser recalculadas”, concluiu.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por afonsobenites

Conteúdo Original / Fonte: afonsobenites

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