Flip 2026 terá Zadie Smith, Carmen Lúcia e Drauzio Varella; veja grade

Por CNN Brasil 23/06/2026 às 11:34

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A Flip 2026 (Festa Literária Internacional de Paraty) anunciou nesta terça-feira (23) toda a programação de sua 24ª edição, que contará com nomes importantes. Entre os dias 22 a 26 de julho, o público terá a possibilidade de assistir a palestras de nomes como a ministra do STF (Supremo Tribunal Federal) Carmen Lúcia, o médico Drauzio Varella e a britânica Zadie Smith.

Grande parte dos autores internacionais que participarão do Flip não mora mais em seu país de origem. Segundo a organização do evento à imprensa, a motivação se refere “ao momento político contemporâneo, mas também ao bem-vindo universo de instabilidade da palavra, característico da poesia”.

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Entre exemplos dos escritores que se mudaram estão: o argelino Kamel Daoud, a mauriciana Nathacha Appanah, a congolesa Ève Guerra, radicados na França, e o guatemalteco Eduardo Halfon, residente em Berlim.

Outra parte dos convidados é formada por nomes que se destacaram nos últimos meses. Zadie Smith, por exemplo, lançou o romance “A Fraude”, que saiu no Brasil pela Companhia das Letras em 2025. A brasiliense Paulliny Tort, por sua vez, é autora de “Os Imortais”, que ganhou destaque entre os leitores mais ávidos do país.

A autora que será homenageada na atual edição da Flip é Orides Fontela (1940-1998), conhecida por suas inspirações filosóficas. Na quarta-feira (22), estarão presentes o crítico literário Augusto Massi, que foi amigo e editor da profissional, e a poeta Marília Garcia.

Na Flip, o público poderá encontrar 21 mesas literárias. Na sexta e no sábado, a última mesa acontecerá às 19h, enquanto no domingo haverá mesas às 10h, 12h e 15h30.

A venda de ingressos começará nesta terça de forma restrita aos moradores de Paraty, com valor promocional de R$ 39. Na sexta (26), o público geral poderá comprar suas entradas no site. No primeiro lote, os tickets custam R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia entrada). No segundo lote, os preços sobem para R$ 140 (inteira) e R$ 70 (meia entrada).

Veja a programação completa da Flip 2026

Quarta-feira, 22/7, às 19h30

Mesa 1: “entra furtivamente a luz”, com Augusto Massi e Marília Garcia.

O crítico literário Augusto Massi, amigo e editor de Orides Fontela, divide a mesa com a poeta e ensaísta Marília Garcia. Massi discorrerá sobre a obra de Orides e Garcia fará leitura performática de um poema encomendado especialmente para a abertura da 24ª Flip.

Quinta-feira, 23/7, às 10h

Mesa 2: “saber de cor o silêncio”, com Edimilson de Almeida Pereira e José Tolentino de Mendonça.

Poetas de uma mesma geração, donos de obra vasta e ambos detentores de grande erudição, o português José Tolentino Mendonça e o brasileiro Edimilson de Almeida Pereira conversam sobre linguagem poética, enigma e identidade.

Quinta-feira, 23/7, às 12h

Mesa 3: “não vim. não vi. não havia guerra alguma”, com Andrei Kurkov e Maria Reva.

Como narrar o que se viu e o que não se viu mas que está acontecendo? Maria Reva, escritora canadense de origem ucraniana, conversa com o escritor Andrei Kurkov sobre seus livros que, por caminhos distintos (ela, em romance engenhoso e bem-humorado; ele, em diários), tratam da guerra da Ucrânia e do dilema ético que acompanha narrativas de conflitos de grande dimensão.

Quinta-feira, 23/7, às 15h

Mesa 4: “mas para que serve o pássaro? o pássaro não serve”, com Andréa del Fuego e Paulliny Tort.

Duas das mais inventivas ficcionistas brasileiras da atualidade se encontram para conversar sobre seus livros, sobre a capacidade de fabulação e a função da literatura.

Quinta-feira, 23/7, às 17h

Mesa 5: “A infância volta devagarinho”, com Andrea Bajani e Maria Esther Maciel.

Dois grandes escritores, um italiano e uma brasileira, se reúnem para conversar sobre seus romances, em que questionam o amor compulsório dos filhos por seus pais e revisam a relação familiar.

Quinta-feira, 23/7, às 19h

Mesa 6: “falo do que impede o sono”, com Djaimilia Pereira de Almeida e Kamel Daoud.

Vencedor do Goncourt 2024, Kamel Daoud e a premiada escritora luso-angolana Djaimilia Pereira de Almeida, autora de Luanda, Lisboa, Paraíso, conversam sobre a construção de seus romances e também sobre esquecimento, luto e dever de memória.

Quinta-feira, 23/7, às 21h

Mesa 7: “Do livro ao palco: Dalton, que tinha um cachorro”, com Denise Stoklos.

Espetáculo inspirado na obra de Dalton Trevisan, com direção de Alessandra Maestrini. A apresentação marca a estreia do espetáculo.

Sexta-feira, 24/7, às 10h

Mesa 8: “água parada água parada água parando”, com Carmen Stephan e Drauzio Varella.

Uma conversa sobre escrita, doenças tropicais, medicina, vida e morte. Carmen Stephan, escritora alemã que escreveu um romance sobre a malária (narrado pelo mosquito transmissor), e o renomado escritor e médico Drauzio Varella, autor de, entre outros livros, O médico doente, em que trata do momento em que contraiu febre amarela e esteve à beira da morte.

Sexta-feira, 24/7, às 12h

Mesa 9 (Zé Kleber): “a severa arquitetura serenamente prende-nos”, com José Godoy e Solano Benítez.

De que modo se habita um espaço? A serviço de quem está o uso que se faz de um determinado lugar? Como esse habitar pode estar a serviço da vida ou de políticas repressivas? Esta mesa reúne dois latino-americanos, um arquiteto paraguaio e um jornalista brasileiro, para debaterem diferentes formas de ocupar o espaço. Se José Godoy relata suas descobertas sobre a Ilha Dawson, território chileno que foi usado para extermínio de indígenas e, décadas depois, sob o governo Pinochet, para tortura e encarceramento de dissidentes políticos, Benítez fala de sua experiência como inventor de espaços que reivindicam estreita relação com a natureza e respeito às populações locais.

Sexta-feira, 24/7, às 13h30

Mesa 10: “estado de sítio, estado de sido, estase”, com Cármen Lúcia.

A ministra do Supremo Tribunal Federal fala de seu recém-lançado livro Pela mão do povo – Democracia e voto no Brasil, bem como dos recentes ataques à democracia brasileira.

Sexta-feira, 24/7, às 15h

Mesa 11: “Como revelar-te se me revelas?”, com Flávia Péret e Julieta Correa.

A conversa reúne uma escritora mineira e uma escritora argentina para falar de seus livros, que, enquanto refletem sobre a relação entre neta e avó, e mãe e filha, narram, de forma delicada e bem-humorada, o processo de adoecimento por demência de mulheres de sua família.

Sexta-feira, 24/7, às 17h

Mesa 12: “e perdura. Apesar”, com Bethânia Pires Amaro e Nathacha Appanah.

Duas escritoras, uma brasileira e uma franco-mauriciana, conversam sobre seus livros que têm protagonistas mulheres. Em comum, seus livros revelam inúmeras formas de violência a que são submetidas suas personagens. Ganhadora do Femina 2025 com um dos romances de maior repercussão no ano passado na França, Nathacha Appanah se encontra com Bethânia Pires Amaro, que recebeu o Jabuti (Contos) em 2024.

Sexta-feira, 24/7, às 19h

Mesa 13: “o tecido: não sabemos qual a trama”, com Katie Kitamura e Marta Pérez-Carbonell.

Até onde acreditar no que se lê? Em que medida se pode narrar a vida do outro sem se preocupar com as consequências dessa decisão? As romancistas Katie Kitamura e Marta Pérez-Carbonell conversam sobre narradores pouco confiáveis, histórias que desestabilizam leitores e o efeito ilusório que a ficção pode trazer.

Sábado, 25/7, às 10h

Mesa 14: “a saída é a volta”, com Eduardo Halfon e Paloma Vidal.

A mesa reúne um escritor guatemalteco de origem judaica, criado nos Estados Unidos e hoje residente em Berlim, e uma escritora argentina que vive no Brasil, com passagens por Estados Unidos e França. Ele escreve em espanhol, apesar de ter o inglês como língua principal; ela escreve em português, apesar de sua língua materna ser o espanhol. Os dois são personagens de seus próprios romances e aqui se reúnem para falar de seus projetos literários, de deslocamentos e identidades.

Sábado, 25/7, às 12h

Mesa 15: “se o delírio te eleva à potência do abismo”, com João Cezar de Castro Rocha e Paulo Schiller.

Anabela Mota Ribeiro: encontro de dois ensaístas para debater o autoritarismo e a ascensão da extrema direita. O crítico literário João Cezar de Castro Rocha e o psicanalista e tradutor Paulo Schiller recuperam os argumentos que sustentam seus livros mais recentes para tentar entender, a partir do repertório de suas respectivas áreas de atuação, como comportamentos associados ao autoritarismo ganharam a cena nos últimos tempos.

Sábado, 25/7, às 15h

Mesa 16: “o boi é só. o boi é só. o boi”, com Ana Paula Tavares.

Vencedora do prêmio Camões 2025, a poeta, ensaísta e pesquisadora angolana Ana Paula Tavares fala de sua trajetória e de sua produção poética, ambas profundamente marcadas pela história de seu país e da luta pela emancipação feminina. Conversa também a respeito de sua relação com o Brasil, por meio da língua, da poesia e da literatura, sobretudo a partir dos laços que o unem a Angola.

Sábado, 25/7, às 17h

Mesa 17: “não mais sabemos do barco, mas há sempre um náufrago”, com Hisham Matar e Milton Hatoum.

Hisham Matar conversa com Milton Hatoum sobre histórias de famílias que têm seu destino determinado por governos autoritários. Matar tinha 19 anos quando seu pai foi sequestrado pelo governo do ditador líbio Muammar Gaddafi e nunca mais reapareceu. Hatoum, em sua recente trilogia, narra o desaparecimento de uma mãe ocorrido durante a ditadura militar brasileira. Uma conversa entre dois premiados escritores sobre seus livros e a relação entre memória e literatura, política e ficção, escrita e liberdade.

Sábado, 25/7, às 19h

Mesa 18: “e este chão não existe, e esta paz é vertigem”, com Zadie Smith.

Entrevista com a escritora britânica Zadie Smith, uma das vozes mais celebradas da literatura em língua inglesa da atualidade. Ela responderá a questões sobre sua obra, a construção fina e arguta de cada um de seus livros, e discutirá temas presentes em seus romances, como colonialismo, imigração e racismo.

Domingo, 26/7, às 10h

Mesa 19: “a porta está aberta”, com Ernesto Mané e Ève Guerra.

Adriana Ferreira Silva: A mesa reúne dois autores que, em seus livros, refletem sobre a relação com a diáspora africana contemporânea e tocam em temas como imigrações, violência, famílias birraciais, afeto, identidade e pertencimento. Se o físico e diplomata brasileiro conta da viagem que fez à Guiné-Bissau para conhecer a família de seu pai, a poeta e professora francesa Ève Guerra narra, em seu premiado romance, a experiência de repatriar o corpo do pai do Congo para a Europa.

Domingo, 26/7, às 12h

Mesa 20: “nunca crer no que não canta”, com Leonardo Gandolfi e Mateus Baldi.

Nessa mesa se reúnem um poeta, cujo olhar se fixa nas pequenas coisas cotidianas, e uma contista, que mira com delicadeza o espaço urbano e quem o habita. Também aparecem um poeta e pesquisador que enaltece a música em seus versos e nos versos dos outros, e uma ensaísta que se dedica a refletir sobre um dos maiores discos da MPB. Trata-se de um encontro sobre poemas, canções e cidades, e o que resulta daí.

Domingo, 26/7, às 15h30

Mesa 21: “o que faço desfaço, o que amo desamo”, com Eva Baltasar e Susy Freitas.

Encontro de duas escritoras de enorme originalidade. A catalã Eva Baltasar, que escreveu uma vertiginosa trilogia sobre a maternidade, e a amazonense Susy Freitas, autora do frenético romance No baile do juízo final. À sua maneira, as duas escritoras esgarçam os estereótipos do feminino e colocam suas personagens em situações-limite de sustentação do próprio desejo.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por paulovito

Conteúdo Original / Fonte: paulovito

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