ContilNet Notícias
Notícias

Fome de gol: Haaland toma leite cru em dieta de 6 mil calorias; veja riscos

Por CNN Brasil Fonte: Vitor Bonets 11/07/2026 às 12:33
Fome de gol: Haaland toma leite cru em dieta de 6 mil calorias; veja riscos

Compartilhar matéria

Não é só de gols que o atacante norueguês Erling Haaland, responsável por eliminar o Brasil da Copa do Mundo de 2026, sente fome. O jogador conhecido pela força física revelou que mantém uma dieta de 6 mil calorias por dia que inclui alguns alimentos controversos, como o leite cru (não pasteurizado).

Embora o atleta busque uma alimentação mais “natural”, a ciência alerta que a prática é um risco para a saúde em geral.

Há vantagem em consumir leite cru?

Diferente do que algumas tendências sugerem nas redes sociais, o leite cru não oferece vantagens nutricionais ou de desempenho em relação ao leite pasteurizado. Estudos demonstram que proteínas, carboidratos e minerais como cálcio permanecem praticamente inalterados após o processo de pasteurização.

Segundo Tayanne Malafaia, nutricionista, pesquisadora e pós-doutoranda pela UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro), a literatura de ciência de alimentos é clara: quem consome o leite processado obtém o mesmo aporte de nutrientes essenciais sem os riscos associados.

“Há apenas uma redução pequena de algumas vitaminas termossensíveis, como parte do complexo B e vitamina C, mas o leite sequer é uma fonte relevante dessas vitaminas na dieta”, explica Malafaia.

Os perigos do leite cru na dieta

O principal perigo do leite cru é a contaminação bacteriana. Sem o tratamento térmico, o alimento pode carregar patógenos perigosos como Salmonella, E.cola, Listeria e Camplyobacter.

Canetas emagrecedoras: 84% reduzem consumo de alimentos industrializados

De acordo com a especialista, entre 1998 e 2018, o CDC (Centros de Controle e Prevenção de Doenças) documentou mais de 200 surtos de doenças associados ao consumo de leite cru nos Estados Unidos, com centenas de hospitalizações.

No entanto, para um atleta de elite, o consumo de leite não processado pode ser considerado uma “roleta russa”. Malafaia alerta que o potencial de perder semanas ou meses de uma temporada por infecção gastrointestinal grave supera qualquer suposto ganho nutricional que não tenha respaldo científico.

“Essa não é uma questão de opinião ou ‘gosto pessoal’ do ponto de vista nutricional, é uma questão bem estabelecida”, afirma a especialista.

Leia Mais

As 6 mil calorias de Haaland: excesso ou necessidade?

Para um atleta com o biotipo de Haaland, que tem 1,95 m de altura e pesa entre 88 kg e 94 kg, o consumo de 6 mil calorias é quase o triplo do que um adulto sedentário ingere em média. No entanto, a alta ingestão calórica do atacante não é uma cifra aleatóra, mas sim uma necessidade fisiológica individualizada.

Com base em cálculos, estima-se que o metabolismo basal (o gasto apenas para manter as funções vitais) de Haaland gira em torno de 2.200 e 2.500 calorias diárias. Ao somar o volume de treinos intensos e o custo energético de manter uma massa muscular acima da média, o aporte calórico é o que garante que ele não entre em REDs (Deficiência Energética Relativa no Esporte).

Ainda segundo a nutricionista, a dieta hipercalórica bem estruturada funciona como uma ferramenta multifuncional. “O foco não é apenas o peso, mas garantir energia para sustentar a intensidade dos jogos sem o risco de lesões muscoesqueléticas ou quedas de rendimento associadas ao déficit energético”.

Retatrutida é eficaz para perda de peso, aponta estudo

Sem esse combustível, o corpo de um atleta de elite pode passar a “queimar” os próprios músculos como fonte de energia, o que resulta em alterações hormoniais e prejuízo à densidade óssea.

Recuperação muscular e reposição de glicogênio

A dieta hipercalórica funciona como uma ferramenta de reconstrução contínua. Por exemplo, a recuperação muscular depende de energia disponível. Sem calorias suficientes, mesmo que a ingestão proteica seja alta, o corpo não consegue reparar eficientemente as microlesões causadas pelos jogos.

Além disso, o desempenho em alta intensidade depende da reposição constante de glicogênio muscular (os estoques de carboidratos nos músculos). Para um jogador que depende de sprints potentes como Haaland, manter esses estoques cheios exige uma ingestão calórica elevada.

Posso imitar a dieta de Haaland?

Os especilaistas ouvidos pela CNN Brasil são unânimes: a dieta de Haaland é individualizada para as necessidades de um atleta de alto rendimento e não deve ser replicada pelo público geral.

Copiar o volume calórico ou alimentos específicos de um profissional do mais alto nível, sem o mesmo ecossistema de gasto energético e monitoramento multidisciplinar, tende a gerar efeitos opostos, como ganho de gordura indesejado, desconforto digestivo e desequilíbrios metabólicos.

Assim, Malafaia recomenda que o público entenda dietas de atletas como retratos de necessidades individuais extremamente específicas, não como modelos a seguir.

“Antes de adotar qualquer padrão alimentar visto nas redes sociais, o caminho mais seguro é buscar orientação de um profissional, que pode traduzir os princípios por trás dessas estratégias para a realidade de cada pessoa, sem os riscos de uma cópia literal.”

Por esse viés, Fernanda Heitzmann, nutricionista e especialista em Fisiologia do Exercício pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), diz que a ideia não é “demonizar” alimentos, mas sim orientar sobre os possíveis riscos. Ela destaca que o leite em si é um grande aliado da alimentação, com um consumo seguro, tanto para quem pratica atividade física quanto para os não praticantes.

“Na rotina esportiva, por exemplo, ele pode ser consumido após o treino, contribuindo para a recuperação muscular por fornecer proteínas de alta qualidade e carboidratos naturalmente presentes no alimento. Também pode fazer parte do café da manhã, de lanches ou até mesmo do almoço e jantar, como ingrediente de receitas culinárias, sendo uma forma prática de incluir nutrientes importantes no dia a dia.”

Inverno faz a gente engordar? O que a ciência diz sobre frio e metabolismo

A fome de gol continua?

Mesmo após consumir tantas calorias, Haaland continua insaciável quando o assunto é marcar gols. Após eliminar o Brasil, o atacante enfrenta a Inglaterra no início da noite deste sábado (11) pelas quartas de final da Copa do Mundo de 2026. 

O norueguês já marcou 7 gols nesta edição do Mundial e figura entre os principais artilheiros da competição. Agora, resta saber se ele ainda tem fome de balançar as redes mais uma vez.

TópicosCopa do Mundo 2026Erling HaalandInglaterra (seleção)LeiteNoruega (Seleção)


Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por Vitor Bonets

Sair da versão mobile