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Governo adia reunião sobre mistura de etanol na gasolina

Por CNN Brasil Fonte: fernandapressinott 08/07/2026 às 06:33
Governo adia reunião sobre mistura de etanol na gasolina

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O governo federal adiou, novamente, a reunião que deveria estabelecer o aumento do percentual obrigatório de etanol anidro misturado à gasolina de 30% para 32%. A expectativa era que a medida fosse aprovada durante reunião do CNPE (Conselho Nacional de Política Energética), marcada para às 9h, no MME (Ministério de Minas e Energia), em Brasília.

O MME (Ministério de Minas e Energia) ainda não informou oficialmente motivos do cancelamento nem uma nova data para a realização do encontro.

Segundo apurou a reportagem, outros temas sensíveis na pauta como a política de comercialização do gás natural da União — que consta na pauta desde o ano passado sem consenso com a Peteobras — e repactuacao de dívidas de Angra 3, foram alguns dos motivos que levaram o adiamento.

O aumento da mistura de etanol estava previsto para ser analisado pelo CNPE desde maio, mas três reuniões que tratariam do tema foram canceladas ou adiadas por questões de agenda.

A expectativa foi alimentada pelo próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que anunciou publicamente, ainda em abril, que o governo elevaria a mistura de etanol para 32% e a de biodiesel para 16%, antes mesmo da deliberação do conselho.

Embora o aumento para o E32 tenha apoio dentro do governo e do setor sucroenergético, a discussão também passou por avaliações técnicas. Quando o Brasil elevou a mistura de etanol para 30%, em 2025, foram realizados testes para verificar o desempenho dos veículos e a compatibilidade da nova composição.

Para o avanço de 30% para 32%, o Ministério de Minas e Energia argumenta que não há necessidade de repetir essa bateria de ensaios, entendimento que gerou questionamentos de parte do setor de combustíveis e motivou novas análises técnicas antes da votação.

Por outro lado, a defesa do aumento ganhou força após a escalada das tensões no Oriente Médio, que elevou os preços internacionais do petróleo e reacendeu a preocupação com a dependência brasileira de gasolina importada.

O governo passou a tratar a medida como uma forma de ampliar a segurança energética do país, fortalecer a produção nacional de biocombustíveis e reduzir a exposição às oscilações do mercado externo.

A possibilidade de ampliar a participação do etanol na gasolina foi aberta pela Lei do Combustível do Futuro, que estabeleceu novos instrumentos para estimular a descarbonização do setor de transportes e ampliou a faixa permitida para a mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina, de 22% a 27% para um intervalo entre 22% e 35%.

Segundo estimativas do Ministério de Minas e Energia, a adoção do E32 pode reduzir a necessidade de importação de gasolina em cerca de 450 milhões de litros por ano.

A pasta também calcula que a medida evitará a emissão de aproximadamente 552 mil toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO₂e).

Embora o governo apresente o aumento da mistura de etanol como uma medida voltada à segurança energética e à transição para combustíveis mais limpos, o anúncio também ocorre em um contexto de forte peso político da inflação.

A poucos meses das eleições, iniciativas capazes de reduzir a pressão sobre o preço da gasolina podem ajudar a sustentar a popularidade do presidente Lula, já que o custo dos combustíveis é um dos indicadores mais percebidos pelos consumidores.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por fernandapressinott

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