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O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) admite redesenhar sua política para a América do Sul devido ao avanço da direita, segundo fontes palacianas. A gestão federal prevê o esvaziamento de fóruns internacionais e aposta na relação bilateral com os vizinhos.
A avaliação de auxiliares do presidente é de que, com a nova composição do continente, o Brasil não encontrará consenso em fóruns como a Celac (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos) ou a Unasul (União de Nações Sul-Americanas) – ao menos não sob o governo Lula.
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Por outro lado, a diplomacia brasileira vê sinais de “pragmatismo” na atuação dos novos líderes do continente. Abelardo de la Espriella, direitista e novo presidente da Colômbia, por exemplo, respondeu amistosamente à uma mensagem em que Lula o parabenizava pela eleição.
“O Brasil é nosso vizinho, e nossos povos estão unidos […] A Colômbia, em liberdade e ordem, sob minha liderança, buscará um único objetivo: cumprir a aliança com o povo que não é de ideologias, mas de extrema coerência, e que inclui nossos vizinhos no Brasil, liderados por seu presidente Luiz Inácio Lula da Silva”, escreveu.
Fontes palacianas indicam que o presidente chileno José Antonio Kast também tem mostrado pragmatismo e, inclusive, pede para ter um encontro com Lula às margens da Cúpula do Mercosul, que acontece na próxima semana.
Rodrigo Paz, presidente da Bolívia, chegou a pedir ajuda do petista em meio à onda de protestos no país e foi atendido, enquanto Daniel Noboa, do Equador, já foi recebido por Lula em um encontro tido como amistoso em Brasília, enumeraram as fontes. A avaliação é de que a relação não será diferente com Keiko Fujimori, eleita no Peru.
O governo vê ao menos quatro áreas em que os interesses do Brasil e desses vizinhos convergem e que serão apostas para as relações: infraestrutura, especialmente para rotas de integração e acesso aos oceanos Atlântico e Pacífico; energia, tema impulsionado pela crise no Oriente Médio; combate ao crime organizado; e contenção de desastres naturais.
A única exceção mencionada pelos diplomatas é Javier Milei, da Argentina. O Brasil vê um afastamento da relação bilateral com o vizinho desde que o direitista assumiu a presidência.
Apesar de indicar que os reflexos da “onda azul” no continente são limitados para o Brasil, o Palácio do Planalto monitora os impactos de mais nações do continente passarem a orbitar os planos dos Estados Unidos, de Donald Trump, para a região.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por polianafarias



