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A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, rejeitou na quinta-feira (2) as alegações de que seu governo teria reagido com lentidão excessiva à destruição causada por dois terremotos que mataram mais de duas mil pessoas, após dias de críticas generalizadas à resposta oficial.
Civis de todos os perfis — incluindo sobreviventes, familiares, socorristas voluntários e equipes de resgate estrangeiras — dirigiram-se às áreas afetadas pelo desastre, especialmente ao estado de La Guaira, o mais atingido, desde que os terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5 ocorreram em 24 de junho.
Muitos dos que trabalham na remoção dos escombros, juntamente com organizações internacionais de ajuda humanitária, afirmam que a resposta do governo foi lenta e ineficaz, com atrasos na entrega de itens como alimentos e suprimentos médicos, além da persistente falta de maquinário pesado para remover os destroços durante as operações de busca em andamento.
“Foi uma tragédia natural em uma escala que jamais imaginamos, embora soubéssemos que um evento sísmico poderia ocorrer em nosso país”, disse Rodriguez em sua primeira coletiva de imprensa desde que assumiu o poder em janeiro, após os EUA terem deposto seu antecessor, Nicolás Maduro. “Não esperamos um, dois ou três dias. Agimos imediatamente.”
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Cerca de quatro mil agentes foram mobilizados imediatamente, disse ela; o efetivo subiu para 14 mil no dia seguinte e, posteriormente, para o número atual de 19 mil. Ela também emitiu um decreto de emergência para acionar os protocolos de emergência, informou aos jornalistas.
“Fizemos tudo o que estava ao nosso alcance, e continuaremos a fazer tudo o que estiver ao nosso alcance — e até mais”, afirmou ela, acrescentando que visitou crianças em hospitais que haviam perdido membros e choravam a perda de entes queridos.
“Tive de passar por experiências muito dolorosas”, disse Rodriguez.
Resposta liderada por civis
A televisão estatal tem exibido frequentemente imagens de Rodriguez reunindo-se com autoridades militares e de segurança, enquanto soldados e policiais patrulham as principais vias de La Guaira e, por vezes, orientam o trânsito.
Ainda assim, a resposta ao desastre tem sido liderada por civis — muitos deles voluntários —, segundo relatos de testemunhas da agência de notícias Reuters.
Pessoas têm passado dias tentando resgatar entes queridos usando as próprias mãos, pás e picaretas, com o auxílio de bombeiros, equipes de defesa civil, grupos de resgate estrangeiros, estudantes de medicina e enfermagem, civis que normalmente atuam como professores e veterinários e, ocasionalmente, algum soldado.
Soldados que trabalhavam há dias ao lado de civis nos escombros de seis torres de um grande conjunto habitacional em La Guaira disseram à Reuters que haviam se voluntariado para ajudar no local.
Rodriguez informou que o número de mortos chegava a 2.595 e que o governo ainda não encerraria as operações de busca e resgate.
Ela não divulgou um número de desaparecidos. Uma lista online não oficial, porém amplamente utilizada, registrava cerca de 38.500 nomes na noite de quinta-feira (2), após ter atingido um pico de quase 60 mil nos dias posteriores aos terremotos.
Um representante das Nações Unidas afirmou nesta semana que estava providenciando dez mil sacos para cadáveres para a Venezuela, e o USGS (Serviço Geológico dos EUA) estimou a possibilidade de mais de dez mil mortes.
A presidente interina criticou duramente o que chamou de “laboratórios de mídia” por criarem uma percepção de caos, afirmando que tais ações tinham motivação política.
“A primeira narrativa midiática criada nesses laboratórios de mídia foi: ‘todos para La Guaira’, para gerar caos e dificultar as operações de busca e resgate”, disse ela, sem apresentar explicações.
O FMI e o Banco Mundial ofereceram ajuda e crédito para os esforços de recuperação, informou Rodríguez. A Venezuela estava criando um fundo de reconstrução de US$ 200 milhões em parceria com o FMI, e os recursos seriam destinados a empresas contratadas e auditadas para a reconstrução de moradias.
TópicosDelcy RodríguezTerremotoVenezuela
Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por poliannelima
