Uma blockchain usada por diversas exchanges de criptomoedas para movimentar Bitcoin foi hackeada, causando um prejuízo de US$ 320 milhões, no mais recente de uma série de ataques que abalaram a confiança na segurança dos ativos digitais.
Cerca de 4 mil dos 4,2 mil Bitcoins mantidos em uma carteira usada pela Liquid Network foram retirados, informou a operadora da plataforma em uma publicação no X. Segundo a empresa, os responsáveis pelo ataque parecem ser “hackers white hat”, que exploram falhas de segurança e normalmente devolvem os fundos, às vezes em troca de uma taxa.
“As carteiras da Liquid serão afetadas, e pedimos desculpas por qualquer inconveniente”, escreveu a Liquid Network, acrescentando que interrompeu todas as novas transações. “Os membros da Federação estão trabalhando ativamente para resolver isso, para que possamos restaurar a atividade normal da rede.”
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Alex Thorn, chefe de pesquisa da empresa de criptomoedas Galaxy Digital Inc., afirmou em uma publicação no X na noite de segunda-feira, no horário de Londres, que os hackers devolveram 3.400 Bitcoins, aparentemente mantendo cerca de US$ 47 milhões para si.
🚨💧 LIQUID HACKERS RETURN 85% OF STOLEN BITCOIN TO LIQUID FEDERATION
after a lengthy conversation with blockstream via OP_RETURNs, in block 965,950 hackers sent 3400 BTC back to the original Liquid Federation address, apparently keeping 598.5 BTC (~$47m) for themselves (15%) pic.twitter.com/fAOPEHnRXa
— Alex Thorn (@intangiblecoins) September 7, 2026
O ataque é o mais recente de uma série de invasões que colocaram a segurança cibernética das criptomoedas sob os holofotes. Na semana passada, um invasor drenou US$ 6 milhões de uma plataforma de empréstimos de ativos digitais ligada à Crypto.com. Em agosto, um ataque à popular carteira offline de Bitcoin Coldcard levantou questionamentos sobre a forma mais segura de armazenar o ativo digital.
“Embora esses eventos possam abalar compreensivelmente a confiança dos consumidores, eles destacam onde as salvaguardas da infraestrutura crítica precisam ser fortalecidas e por que uma segurança abrangente em toda a infraestrutura é essencial para os operadores”, disse Ziqing Ang, chefe de política para a Ásia-Pacífico da TRM Labs.
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A Liquid Network foi criada em 2018 pela Blockstream Corp., empresa de tecnologia blockchain cofundada pelo criptógrafo que se tornou entusiasta do Bitcoin Adam Back. Atualmente, a rede é administrada por uma federação com mais de 80 exchanges, empresas de infraestrutura e gestoras de ativos, segundo a Blockstream. A Liquid Network e a Blockstream não responderam aos pedidos de comentário enviados por e-mail.
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Em sua publicação no X, a Liquid Network afirmou que os fundos foram retirados por meio da SideSwap, uma plataforma de liquidação autorizada a processar transferências da rede, mas que a chave não foi comprometida.
Nas horas seguintes à publicação da Liquid Network sobre o hack, mensagens que aparentavam ter sido trocadas entre os hackers e a Blockstream apareceram incorporadas a pequenas transações de Bitcoin, segundo dados do rastreador de blockchain Mempool. Os hackers disseram que devolveriam os fundos depois de confirmar que a vulnerabilidade havia sido corrigida.
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A Liquid opera como uma chamada sidechain, uma rede separada usada por exchanges para liquidação rápida, já que a blockchain principal do Bitcoin pode enfrentar transações lentas e caras devido ao congestionamento da rede. A Liquid acelera esse processo emitindo Liquid Bitcoin, ou L-BTC, em troca de Bitcoins reais, que ficam bloqueados.
A Blockstream lista várias grandes exchanges como usuárias da Liquid, incluindo BTSE e Bitfinex, que compartilha a mesma empresa controladora da Tether, a maior emissora de stablecoins do mundo. A BitMEX, que anunciou que encerrará suas operações neste mês, também era usuária da rede.
Aneirin Flynn, CEO da empresa de tecnologia de segurança cibernética FailSafe, disse que as evidências preliminares apontam para um bug que permitia a emissão de L-BTC.
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A invasão “é o mais recente de uma série de ataques que expõem fragilidades na infraestrutura de criptomoedas neste ano”, disse Flynn.
© 2026 Bloomberg L.P.
Conteúdo reproduzido originalmente em: InfoMoney por Bloomberg.
