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O memorando de entendimento firmado entre os Estados Unidos e o Irã é considerado vago, impreciso e incapaz de resolver as questões centrais do conflito.
A avaliação foi feita por Américo Martins, correspondente sênior de internacional da CNN Brasil, e por Vitelio Brustolin, professor da UFF (Universidade Federal Fluminense) e pesquisador de Harvard, que analisaram, durante o videocast Fora da Ordem, os limites do acordo e os obstáculos que mantêm a negociação em impasse.
Segundo Américo Martins, o documento resultou de um processo conduzido por negociadores pouco experientes em tratados com o Irã.
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“Esse acordo é muito vago, ele é muito impreciso, ele é muito falho”, afirmou.
Para ele, especialistas em segurança nacional e diplomacia foram afastados do processo, o que comprometeu a qualidade do texto.
Além disso, ambos os lados — tanto os Estados Unidos quanto o Irã — teriam optado deliberadamente por empurrar as questões mais fundamentais para discussões futuras, em um prazo inicial de 60 dias, prorrogável por mais 60, sem garantia de resolução.
Acordo omite mísseis, drones e grupos aliados ao Irã
Vitelio Brustolin destacou que o memorando de entendimento apresenta lacunas graves.
“Esse memorando de entendimento não fala dos mísseis”, apontou, lembrando que a ausência desse tema foi justamente uma das críticas feitas ao acordo firmado em 2015.
O documento também não menciona o programa de drones do Irã nem faz referência aos grupos considerados proxies de Teerã — como o Hezbollah (Líbano) e os Houthis (Iêmen) —, abordando exclusivamente a questão nuclear.
Brustolin ressaltou ainda que o artigo primeiro dos 14 pontos do memorando inclui expressamente o Líbano e grupos aliados ao Irã, o que torna ainda mais evidente a contradição interna do texto.
Estreito de Ormuz e o dilema militar dos EUA
Um dos pontos centrais da análise diz respeito ao Estreito de Ormuz. Brustolin lembrou que o fechamento do estreito já estava previsto em cenários da Marinha dos Estados Unidos desde 1979 e que, entre 1987 e 1988, foram necessários 14 meses de operação conjunta com Reino Unido e França para reabrir a passagem, que havia sido minada pelo Irã.
Atualmente, o Irã dispõe de um arsenal estimado entre 2 mil e 6 mil minas navais, além de drones e mísseis de cruzeiro, tornando extremamente difícil garantir a segurança das embarcações que transitam pelo estreito.
Para cumprir os objetivos políticos da guerra, Brustolin avaliou que seria necessário colocar tropas norte-americanas em solo iraniano — medida que contradiz diretamente o discurso histórico de Donald Trump contra guerras prolongadas no exterior.
“Para neste momento conseguir cumprir os objetivos políticos dessa guerra, seria necessário para os Estados Unidos colocar tropas no terreno, que é justamente o que o Trump sempre criticou”, afirmou.
Sem essa presença militar e sem o reconhecimento do controle iraniano sobre o Estreito de Ormuz, o conflito permanece em impasse.
“Se os Estados Unidos não vão colocar tropas no terreno e se os Estados Unidos não vão reconhecer o controle do Estreito de Hormuz pelo Irã, a guerra está no impasse”, concluiu Brustolin.
Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.TópicosDonald TrumpEstreito de OrmuzEUAFora da OrdemGuerra Oriente MédioHouthisIrã
Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por afonsobenites
