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A Indonésia realizou nas últimas semanas uma nova rodada de auditorias em frigoríficos brasileiros como parte do processo para ampliar o número de unidades autorizadas a exportar carne bovina ao país asiático, a informação foi confirmada à CNN Brasil por fontes da indústria.
Segundo apuração da CNN Agro, uma das empresas inspecionadas foi a Golden Imex, localizada em Paranaíba, no Mato Grosso do Sul. As auditorias são consideradas a etapa final antes da possível habilitação das plantas para embarques ao mercado indonésio.
O movimento reforça a estratégia da Indonésia de diversificar seus fornecedores de carne bovina em um momento de crescimento do consumo e de busca por maior segurança no abastecimento.
Caso novas unidades brasileiras sejam aprovadas, o país poderá se aproximar ou até ultrapassar a China em número de frigoríficos brasileiros habilitados. Atualmente, a China conta com 66 frigoríficos brasileiros habilitados.
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Em janeiro deste ano, a Indonésia autorizou mais 14 estabelecimentos brasileiros, elevando para 52 o total de plantas aptas a exportar. Entre as empresas já autorizadas para o mercado indonésio estão JBS, Minerva, Frigol, Cooperfrigu, Prima Foods e Fribal.
Embora ainda represente uma parcela relativamente pequena das exportações brasileiras de carne bovina, a Indonésia vem ganhando importância estratégica para o setor por adquirir produtos com baixo consumo no mercado doméstico, aumentando o aproveitamento da carcaça e agregando valor à produção.
Segundo a gerente de exportação Natalia Braga, o mercado indonésio compra principalmente miúdos e cortes de menor demanda no Brasil, como língua, fígado, papada, tendões e outros tecidos utilizados pela indústria de alimentos.
Entre eles, os tendões se destacam por praticamente não terem mercado consumidor no país e serem amplamente utilizados na Indonésia para o processamento de produtos como almôndegas e outros alimentos industrializados.
A executiva explica que esses produtos normalmente teriam baixo valor comercial no mercado interno e, em alguns casos, seriam destinados à graxaria, setor responsável pelo processamento de resíduos e subprodutos de origem animal. Com a exportação, esses cortes passam a gerar receita para a indústria, melhorando o rendimento econômico de cada animal abatido.
“São produtos que praticamente não têm consumo no Brasil. A Indonésia compra justamente esses cortes, permitindo que a indústria aproveite melhor toda a carcaça e reduza perdas”, afirma.
Outro diferencial do mercado indonésio é a exigência pela certificação halal, requisito obrigatório para um país de maioria muçulmana. O Brasil já possui ampla experiência nesse tipo de produção, o que facilita o atendimento às exigências sanitárias e religiosas impostas pelo governo indonésio.
Além do potencial comercial, o tamanho do mercado chama a atenção da indústria. Apesar de possuir território muito menor que o Brasil, a Indonésia tem uma população superior a 280 milhões de habitantes. Atualmente, o consumo de carne bovina ainda é relativamente baixo, com predominância do pescado na alimentação da população.
Para Natalia Braga, qualquer aumento na frequência de consumo de carne bovina pelos indonésios poderá representar um crescimento expressivo da demanda por proteína brasileira devido ao tamanho da população.
Dados do Comex Stat mostram que a Indonésia respondeu por 0,8% das exportações brasileiras de carne bovina fresca, refrigerada e congelada no acumulado do primeiro semestre de 2026. O país figura entre os principais compradores do produto brasileiro, em um ranking liderado pela China, que concentrou 53,2% dos embarques no período.
A CNN procurou o Ministério da Agricultura e Pecuária para comentar as auditorias, mas até o fechamento desta reportagem não havia recebido resposta.
Por que a Indonésia se tornou estratégica para a carne bovina brasileira?
A busca por novos mercados tornou-se uma das principais estratégias da indústria brasileira de carne bovina. De um lado, a China, responsável por mais da metade das exportações do produto, passou a adotar cotas para administrar o ritmo das importações. De outro, a União Europeia endurece as regras de rastreabilidade e sustentabilidade para produtos agropecuários.
Diante desse cenário, mercados emergentes como a Indonésia passam a ser vistos como fundamentais para reduzir a dependência de poucos compradores e garantir maior estabilidade às exportações brasileiras.
O MAPA (Ministério da Agricultura e Pecuária) tem acelerado a abertura de mercados para reduzir a dependência das exportações para a China, que impôs um limite de cota anual. Entre as frentes recentes, o Brasil concluiu negociações para a exportação de carne bovina, com e sem osso, para destinos como as Filipinas, além de exportação de gordura bovina para o Vietnã.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por andressasimao
