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Muitas pessoas associam a exaustão mental a quadros mais evidentes, como crises de ansiedade, insônia ou à sensação de que o corpo e a mente simplesmente não conseguem mais funcionar. No entanto, o processo de esgotamento costuma começar de forma silenciosa, com sinais sutis que, muitas vezes, são confundidos com cansaço passageiro ou falta de motivação.
Um dos primeiros indícios é a dificuldade de concentração. Tarefas simples passam a exigir mais esforço do que o habitual, enquanto esquecimentos frequentes e lapsos de memória tornam-se mais comuns. Embora esses sintomas possam parecer coisas do dia a dia, eles podem indicar que o cérebro está operando sob um nível elevado de estresse por um período prolongado.
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Mudanças no comportamento também costumam surgir. Profissionais que antes demonstravam entusiasmo e participação podem começar a se sentir emocionalmente distantes das atividades. Reuniões, projetos e até conversas com colegas passam a gerar irritação ou apatia. Em muitos casos, a pessoa continua cumprindo suas responsabilidades, mas sem o mesmo envolvimento de antes.
Outro sinal frequentemente ignorado é a sensação constante de fadiga, mesmo após períodos de descanso. Dormir uma noite inteira e ainda acordar cansado pode indicar que a mente não está conseguindo se recuperar adequadamente das pressões acumuladas. Especialistas explicam que o desgaste emocional prolongado afeta diretamente os mecanismos de recuperação física e cognitiva.
“Também tem a irritabilidade que vai subindo de tom em reuniões que antes eram triviais, a impaciência com pequenos erros da equipe, a sensação de que o dia rende menos mesmo trabalhando mais e o cansaço que o fim de semana não resolve”, diz Daniel Sócrates, psiquiatra corporativo e doutor pela Unifesp.
A queda na produtividade também costuma ser um indicativo importante. Diferentemente da preguiça ou da falta de comprometimento, a exaustão mental reduz a capacidade de organização, tomada de decisões e resolução de problemas. Como consequência, atividades rotineiras passam a demandar mais tempo e energia.
“O cansaço normal tende a ser passageiro e costuma melhorar após períodos de descanso. Já o esgotamento mental persiste mesmo depois do fim de semana, das férias ou de momentos de lazer. Além disso, ele costuma vir acompanhado de sensação de incapacidade, desmotivação, queda de produtividade, dificuldade de concentração e uma percepção constante de que qualquer tarefa exige um esforço excessivo. Não é apenas estar cansado; é sentir que a energia emocional está se esgotando”, acrescenta Êdela Nicoletti, psicóloga e especialista em Terapia Comportamental Dialética (DBT).
Corpo também dá sinais
Os reflexos não ficam restritos ao campo emocional. O corpo também pode manifestar sinais de alerta, e alguns deles são: dores de cabeça, principalmente no final do dia, tensão muscular, alterações no apetite e desconfortos gastrointestinais. Em muitos casos, esses sintomas físicos aparecem antes mesmo de a pessoa perceber que está emocionalmente sobrecarregada.
A busca constante por estimulantes, como o café e energéticos, ou por válvulas de escape imediatas após o horário comercial, costuma camuflar a necessidade real de repouso e desconexão.
Por isso, especialistas em saúde mental alertam que reconhecer esses sinais precocemente é fundamental para evitar o agravamento do quadro. Quando ignorada, a exaustão mental pode evoluir para condições mais sérias, como transtornos de ansiedade, depressão e síndrome de burnout, reconhecida pela Organização Mundial da Saúde como um fenômeno associado ao estresse crônico no ambiente de trabalho.
“Os sintomas mais comuns são as alterações de sono, tanto a dificuldade de adormecer quanto o sono que não restaura, dores de cabeça tensionais, dores musculares principalmente em pescoço e ombros, alterações de apetite e uma fadiga persistente que nenhum exame de rotina explica. Há ainda manifestações cardiovasculares, como palpitações e elevação da pressão, ligadas à ativação contínua do sistema de estresse”, acrescenta Sócrates.
A recomendação é observar mudanças persistentes no comportamento, nos níveis de energia e na capacidade de lidar com as demandas diárias. Buscar momentos de descanso, estabelecer limites entre trabalho e vida pessoal e procurar apoio profissional quando necessário são medidas que podem ajudar a interromper o ciclo de desgaste antes que ele comprometa de forma mais profunda a saúde mental e a qualidade de vida.
“O brasileiro tem muita dificuldade de se posicionar, de dizer não e de colocar limites e isso é por conta da nossa cultura. Assim, ao invés de descansar, as pessoas se sentem extremamente culpadas por não estarem performando. E aí forçam ainda mais o funcionamento, buscando performar sem ter energia psíquica para isso. Então é preciso aprender a gerenciar essa culpa, aprender a descansar e entender que nós precisamos desse tempo de recarga”, diz Ana Lisboa, psicanalista, advogada e fundadora do Altis Lisboa, ecossistema voltado à educação emocional e saúde mental.
Tópicosbem estar mentalSaúde mentalSíndrome de Burnout
Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por Simone Machado

