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Com a chegada do inverno, muita gente percebe duas mudanças quase automáticas: a vontade de comer aumenta e a balança parece subir com mais facilidade. Não por acaso, surgem também nas redes sociais diversas afirmações de que o frio faz o corpo queimar mais calorias e, por isso, ajudaria a emagrecer. Mas a realidade é mais complexa.
É verdade que o organismo precisa trabalhar para manter a temperatura corporal estável. Quando somos expostos ao frio, o corpo aumenta a produção de calor por diferentes mecanismos. Um deles envolve a chamada gordura marrom, um tipo de tecido adiposo capaz de gerar calor e gastar energia. O problema é que, na maioria das pessoas, esse aumento no gasto energético é relativamente pequeno e está longe de compensar os excessos alimentares típicos da estação.
Em outras palavras, o frio até pode fazer o organismo gastar um pouco mais de calorias, mas esse efeito costuma ser modesto e insuficiente para provocar perda de peso significativa.
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Por que a fome parece aumentar no inverno?
Muitas pessoas realmente sentem mais fome durante os meses frios, e isso não é apenas uma impressão. Existem mecanismos biológicos e comportamentais que ajudam a explicar esse fenômeno.
Ao longo da evolução humana, períodos de temperaturas mais baixas eram frequentemente associados à escassez de alimentos. Desenvolver um maior apetite e formar reservas energéticas representava uma vantagem para a sobrevivência. Embora hoje vivamos em uma realidade completamente diferente, parte desses mecanismos ainda permanece em nosso organismo.
Além disso, o frio aumenta a busca por alimentos mais reconfortantes, geralmente ricos em açúcar, gordura e carboidratos. Massas, chocolates, fondue, bebidas quentes e sobremesas passam a fazer parte da rotina de muitas pessoas, elevando significativamente a ingestão calórica.
Também existe um componente emocional. Dias mais frios e com menos luminosidade favorecem atividades dentro de casa e podem aumentar a procura por alimentos associados ao prazer e ao conforto.
O comportamento pesa mais que o metabolismo
Do ponto de vista do controle do peso, o principal problema do inverno costuma estar menos no metabolismo e mais nas mudanças de comportamento.
Nesta época do ano, é comum reduzir a prática de atividades físicas, caminhar menos e passar mais tempo em ambientes fechados. A combinação de menor gasto energético com maior ingestão de alimentos calóricos cria o cenário ideal para o ganho de peso.
Isso ajuda a explicar por que tantas pessoas relatam dificuldade em manter o peso durante o inverno, apesar da ideia popular de que o frio ajudaria a queimar mais calorias.
É importante lembrar que alguns quilos adquiridos durante a estação podem parecer pouco relevantes inicialmente, mas, quando esse processo se repete ano após ano, contribui para o ganho progressivo de peso e para o aumento do risco de obesidade, diabetes tipo 2, hipertensão e doenças cardiovasculares.
A boa notícia é que não é necessário abrir mão dos prazeres gastronômicos do inverno. O segredo está no equilíbrio. Manter algum nível de atividade física, controlar o tamanho das porções e fazer escolhas alimentares mais conscientes permite aproveitar a estação sem grandes impactos na saúde.
O frio modifica, sim, o funcionamento do organismo. Mas, quando falamos de ganho de peso, a ciência é bastante clara: o que costuma fazer a diferença não é o pequeno aumento do gasto energético provocado pela temperatura, e sim as mudanças de hábitos que acompanham os meses mais frios do ano.
Confira respostas a perguntas frequentes sobre frio e ganho de peso
- Tomar bebidas quentes acelera o metabolismo? Não de forma significativa. Chás e cafés podem trazer sensação de conforto, mas não provocam aumento relevante do gasto calórico.
- Dormir em um ambiente frio ajuda a emagrecer? A exposição ao frio pode aumentar discretamente o gasto energético, mas esse efeito é pequeno e não substitui alimentação equilibrada e atividade física.
- É normal ganhar peso no inverno? Algumas pessoas ganham peso nessa época devido às mudanças de hábitos, maior consumo de alimentos calóricos e redução das atividades físicas.
*Texto escrito pelo endocrinologista Maurício Yagui Hirata (CRM/SP 59813 | RQE 088604), membro do corpo clínico do Hospital Albert Einstein e Sírio-Libanês, membro da Endocrine Society, European Society of Endocrinology e American Association of Clinical Endocrinology e Head Nacional de Endrocrinologia da Brazil Health
TópicosBrazil HealthEmagrecimentoInvernoMetabolismo
Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por nathalieayres
