Ipea lança documento que reĂșne todas as açÔes do Brics desde o inĂ­cio

Por AgĂȘncia Brasil 27/06/2025 Ă s 06:04
Ipea lança documento que reĂșne todas as açÔes do Brics desde o inĂ­cio


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O Instituto de Pesquisa EconĂŽmica Aplicada (Ipea) lançou nesta quinta-feira (26) um documento que reĂșne todas as iniciativas implementadas pelos paĂ­ses-membros do Brics desde a fundação do grupo em 2009. SĂŁo mais de 180 mecanismos de cooperação, disponĂ­veis para fortalecer a governança e servir de referĂȘncia para novos integrantes.

O documento foi apresentado durante o segundo dia do 17Âș FĂłrum AcadĂȘmico do Brics (Fabrics), realizado durante dois dias na sede do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) em BrasĂ­lia.

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“O portfĂłlio traz uma documentação das atividades e resultados propostos pelo Brics e se propĂ”e como referĂȘncia para adesĂŁo de novos participantes do bloco. Ele tambĂ©m apresenta um histĂłrico sobre quais mecanismos tiveram resultados e engajamento dos paĂ­ses participantes”, disse o tĂ©cnico de planejamento e pesquisa do Ipea Walter DesiderĂĄ.

“A entrega do documento Ă© simbĂłlica, pois essa documentação continuarĂĄ em desenvolvimento, servindo como uma base de dados dos mecanismos propostos e implementados”, destacou a presidenta do Ipea, Luciana Santos Servo.

FĂłrum acadĂȘmico

O Fabrics promoveu um ciclo de debates sob a presidĂȘncia brasileira do Brics. Entre os participantes, representantes de think tanks ((instituiçÔes que produzem conhecimento) de nove paĂ­ses, com discussĂ”es organizadas em torno de seis eixos prioritĂĄrios: saĂșde global, inteligĂȘncia artificial, mudanças climĂĄticas, comĂ©rcio e finanças, reforma da governança internacional e desenvolvimento institucional.

Um dos temas de destaque foi o de mudanças climĂĄticas, com foco nos impactos desproporcionais nos paĂ­ses em desenvolvimento, como os da África Subsaariana. Justiça climĂĄtica e desigualdades regionais foram colocadas em pauta, assim como recomendaçÔes conjuntas para 30ÂȘ ConferĂȘncia das NaçÔes Unidas sobre Mudanças ClimĂĄticas (COP30), marcada para novembro, em BelĂ©m.

“Temos um desafio enorme de investimento, e uma das soluçÔes para isso pode ser a implementação de projetos sustentĂĄveis financiados pelo New Development Bank [NDB], alĂ©m do desenvolvimento de plataformas de compartilhamento de informaçÔes e tecnologias entre paĂ­ses”, disse o pesquisador-lĂ­der e coordenador do Policy Studies Institute da EtiĂłpia, Mulugeta Getu.

Outro assunto que ganhou mais relevĂąncia com os conflitos das Ășltimas semanas no Oriente MĂ©dio foi a arquitetura de segurança. Houve defesa de que o sistema multilateral precisa ser reformado, principalmente o Conselho de Segurança da Organização das NaçÔes Unidas (ONU), com fortalecimento do Sul Global.

“A manutenção da paz, o pacto de nĂŁo agressĂŁo entre os membros e o estabelecimento de mecanismos de confiança sĂŁo elementos centrais da visĂŁo do Brics”, disse o tĂ©cnico de planejamento e pesquisa do Ipea Rodrigo Morais.

“O posicionamento precisa sair do campo do debate retĂłrico e polĂ­tico e passar a atitudes concretas que fortaleçam as instituiçÔes multilaterais”, disse a professora da Universidade de KwaZulu-Natal, na África do Sul, Nirmala Gopal.

Os debatedores celebraram a expansão recente do Brics, que passou a contar com seis novos países-membros em 2024: Aråbia Saudita, Argentina, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia e Irã. Mas reforçaram os desafios para ampliar os mecanismos de cooperação.

Criação de modelos institucionais mais claros, estruturas de monitoramento de resultados e escritório permanente do grupo foram algumas propostas apresentadas.

“Sem cooperação estratĂ©gica, fica muito difĂ­cil o desenvolvimento institucional. Para isso, Ă© preciso se organizar, definir as escolhas para entender qual o futuro pretendido, como fortalecer a unidade do bloco, avaliar possĂ­veis reformas, alĂ©m de ter uma visĂŁo clara das questĂ”es mais crĂ­ticas entre os paĂ­ses participantes”, disse o pesquisador sĂȘnior e ponto focal do Brics no Institute of Foreign Affairs da EtiĂłpia Haimanot Guangul.

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