Irani aposta em eficiência operacional para crescer e prepara nova expansão

Por CNN Brasil 26/06/2026 às 03:32

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A Irani, fabricante de papel para embalagens e papelão ondulado, avança em um novo ciclo de investimentos com foco em eficiência operacional, aumento de capacidade produtiva e expansão geográfica. Após aprovar o projeto Gaia XII, voltado à modernização de uma de suas máquinas de papel, a companhia já prepara um plano para mais do que dobrar de tamanho nos próximos anos.

Segundo o diretor de Administração, Finanças e Relações com Investidores da empresa, André Camargo de Carvalho, o principal critério para aprovação dos investimentos é a geração de valor para os acionistas. O projeto prevê investimentos de R$ 514 milhões em Capex bruto (despesas de capital) e R$ 453 milhões em Capex líquido.

“Mesmo com as taxas de juros em níveis elevados, o projeto apresenta retorno acima do custo de capital da companhia. Essa é uma condição fundamental para qualquer investimento aprovado pela Irani”, afirmou à CNN Brasil.

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O projeto Gaia XII prevê a modernização da máquina de papel MP#7, elevando sua capacidade de produção de 60 mil toneladas para 96 mil toneladas anuais, um aumento de 60%.

Além do ganho de escala, a companhia espera avanços em eficiência operacional, qualidade do produto e sustentabilidade.

Segundo Carvalho, a iniciativa permitirá a produção de papéis com menor gramatura e melhor desempenho, além de reduzir a emissão de carbono por tonelada produzida. “O projeto não traz apenas aumento de capacidade. Ele melhora a qualidade do papel, reduz consumo de recursos e torna todo o processo produtivo mais eficiente”, destacou.

Um dos fatores que sustentaram a aprovação do investimento foi justamente o perfil do projeto. Diferentemente de expansões dependentes de novas vendas ou de condições favoráveis de mercado, a modernização está concentrada em ganhos internos de produtividade.

Todo o volume adicional produzido será destinado ao abastecimento das próprias operações de conversão da companhia, onde o papel é transformado em embalagens de papelão ondulado.

“A captura de valor está muito mais dentro de casa do que dependente de fatores externos. Isso torna o investimento mais seguro em um ambiente de incertezas macroeconômicas”, explicou o executivo.

Mercado doméstico sustenta estratégia

A Irani tem atualmente menos de 20% de sua receita ligada ao mercado externo. A maior parte dos negócios está concentrada no Brasil, especialmente em segmentos ligados ao consumo de alimentos.

Para a companhia, o setor alimentício continuará sendo uma das principais avenidas de crescimento nos próximos anos. “O mercado de alimentos é extremamente resiliente. As pessoas podem mudar hábitos de consumo, mas continuam consumindo alimentos. Isso dá estabilidade à demanda por embalagens”, afirmou Carvalho.

A avaliação da empresa é que o Brasil seguirá ampliando sua relevância como produtor e exportador global de alimentos, o que deve sustentar a expansão da demanda por embalagens industriais.

Historicamente, o mercado brasileiro de papelão ondulado cresce cerca de 2,5% ao ano em volume, ritmo que a companhia utiliza como referência em suas projeções de longo prazo. Com participação de aproximadamente 4% nesse mercado, a Irani acredita haver espaço significativo para expansão.

Plano prevê crescimento

Além do Gaia XII, a companhia apresentou durante seu Investor Day uma visão estratégica de longo prazo que prevê a construção de duas novas fábricas de embalagens e uma nova unidade de produção de papel.

O plano, chamado internamente de Plataforma Neos, ainda depende de aprovação formal do conselho de administração, mas já tem diretrizes definidas.

A primeira unidade prevista terá capacidade para produzir 120 mil toneladas anuais de papelão ondulado, volume próximo a 70% de toda a capacidade atual da companhia, estimada em cerca de 170 mil toneladas por ano. A expectativa da administração é submeter o projeto para aprovação ainda em 2026.

A região considerada prioritária para receber o investimento está localizada entre o Sul de Minas Gerais e o interior paulista, área vista pela companhia como estratégica devido à elevada concentração de clientes industriais.

Segundo Carvalho, a proximidade com os consumidores é um fator decisivo para a competitividade do setor. “O papelão ondulado é um produto leve, mas ocupa muito espaço no transporte. Por isso, estar próximo dos clientes é fundamental para reduzir custos logísticos e aumentar a competitividade.”

Caso as duas plantas previstas sejam construídas, a capacidade instalada da companhia poderá mais que dobrar ao longo da próxima década.

Embora a empresa ainda não tenha divulgado valores de investimento ou projeções financeiras para a nova fase de expansão, a administração reforça que todos os projetos deverão seguir a mesma disciplina financeira.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por Kaique Cangirana

Conteúdo Original / Fonte: Kaique Cangirana

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