A lei que criou o salário mĂnimo (nÂş 185, de 1936), e que seria regulamentada em 1940, foi resultado de um contexto de lutas de trabalhadores, demarcou uma reordenação social e incomodou elites econĂ´micas, avaliam historiadores ouvidos pela AgĂŞncia Brasil. 

O primeiro artigo da lei enuncia: “Todo trabalhador tem direito, em pagamento do serviço prestado, a um salário mĂnimo capaz de satisfazer, em determinada regiĂŁo do paĂs e em determinada Ă©poca, suas necessidades normais de alimentação, habitação, vestuário, higiene e transporte”.
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 A legislação completa 90 anos nesta quarta-feira (14). Segundo o professor de histĂłria Mateus Gamba Torres, da Universidade de BrasĂlia (UnB), durante os anos 1910 e 1920, ocorreram greves no Brasil com exigĂŞncia de melhores condições de trabalho.
“AtĂ© entĂŁo, o contrato era civil, de prestação de serviços. NĂŁo existia um valor mĂnimo que o empregador deveria pagar”, afirma.Â
Pressões
Inclusive, desde o final do sĂ©culo 19, como ele explica, movimentos de trabalhadores e o contexto internacional, como a legislação mais avançada de outros paĂses (entre elas a do Uruguai) favoreceram a evolução tambĂ©m no Brasil.
Outro pesquisador, o professor Deusdedith Rocha, do Centro Universitário de BrasĂlia (Ceub), aponta que se trata de um perĂodo de reorganização das relações trabalhistas da Ă©poca.
“Esse Ă© um perĂodo de transição de uma sociedade mais agroexportadora para uma sociedade cada vez mais urbana e industrial”, afirma.Â
Segundo ele, a mudança  introduziu uma nova cultura, ainda que fosse efetiva, na prática, na RegiĂŁo Sudeste. Rocha avalia que, em que pese a evolução das relações com o salário mĂnimo, a legislação favoreceu o controle polĂtico.
Em relação a esse momento, Mateus Torres, da UnB, ressalta que a história das conquistas de cidadania por parte da classe trabalhadora tem relação com as pressões exercidas sobre os representantes públicos, como foi o caso.
Postura dĂşbia
O entĂŁo presidente GetĂşlio Vargas sofreu pressões tambĂ©m das elites econĂ´micas, conforme identificam os pesquisadores, mesmo com mais dinheiro injetado na economia. De acordo com o professor Deusdedith Rocha, a elite brasileira teve postura ambivalente ao receber a novidade do salário mĂnimo.Â
“Tanto resistiu quanto se acomodou estrategicamente para se adaptar Ă s mudanças que ocorriam naquele momento. As desconfianças do setor agrário eram compensada pela ideia de estabilização social”, afirma.Â
Mateus Gamba, da UnB, acrescenta que o mĂnimo se consolidou como conquista fundamental para a regulação das relações de trabalho.
“O trabalhador percebeu o salário mĂnimo como algo fundamental para ter a possibilidade maior de sobrevivĂŞncia”.



