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A decisão da Fifa de suspender a punição aplicada ao atacante Folarin Balogun, liberando o jogador para defender os Estados Unidos nas oitavas de final da Copa do Mundo contra a Bélgica, provocou uma série de reações no futebol internacional.
Balogun havia recebido cartão vermelho na vitória sobre a Bósnia e Herzegovina e cumpriria suspensão automática.
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No entanto, a Fifa utilizou um dispositivo do Código Disciplinar para suspender a sanção por um período probatório de um ano, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pedir ao presidente da entidade, Gianni Infantino, que revisasse o caso, segundo jornal americano.
A medida foi alvo de críticas de dirigentes, federações, treinadores e até de um ex-presidente da Fifa.
Veja reações à decisão da Fifa
Uefa
A entidade europeia foi a mais dura nas críticas e afirmou que a Fifa “cruzou uma linha vermelha” ao abrir uma exceção para Balogun durante o Mundial.
Segundo a Uefa, a suspensão automática após um cartão vermelho é uma regra objetiva e não pode ser flexibilizada. A entidade também afirmou que a decisão compromete a integridade da competição e cria um precedente para casos semelhantes no restante da Copa.
Federação Belga
A Federação Belga de Futebol afirmou que a decisão contraria o próprio Código Disciplinar da Fifa.
Segundo a entidade, embora o artigo 27 permita a suspensão da execução de determinadas sanções, o artigo 66 estabelece que um cartão vermelho gera automaticamente suspensão para a partida seguinte, como ocorreu em todos os demais casos registrados nesta Copa do Mundo.
Federação Alemã
O presidente da Federação Alemã de Futebol, Bernd Neuendorf, pediu esclarecimentos imediatos da Fifa sobre as informações de que a decisão teria sido precedida por uma ligação entre Donald Trump e Gianni Infantino.
Para o dirigente, é necessário afastar rapidamente qualquer impressão de interferência política no esporte.
Rudi Garcia
O técnico da Bélgica ironizou a decisão da entidade.
“Não sabia que, na Copa do Mundo, o dia 5 de julho havia se transformado em 1º de abril”, afirmou, em referência ao Dia da Mentira. Segundo Garcia, o debate vai além da seleção belga e envolve a defesa das regras do futebol.
Sepp Blatter
O ex-presidente da Fifa também criticou a medida.
Para Blatter, cartões vermelhos não podem ser revertidos por “telefonemas políticos”, mas apenas por regras, provas e órgãos independentes. Ele ainda afirmou que o futebol jamais deve se tornar “um playground para o poder político”.
Thomas Tuchel
O técnico da Inglaterra questionou os critérios utilizados para reverter a suspensão.
Segundo Tuchel, o árbitro e a equipe do VAR chegaram à conclusão de que o lance era para cartão vermelho e, por isso, a decisão deveria ser respeitada.
“O que me intriga é quem pode reverter essa decisão, quando isso acontece e com base em quais critérios. Queremos consistência”, afirmou.
Ståle Solbakken
O treinador da Noruega classificou a decisão como um erro grave da Fifa.
Na avaliação de Solbakken, a medida prejudica a credibilidade da Copa do Mundo e também coloca uma marca sobre uma eventual classificação dos Estados Unidos.
“Se eles vencerem a Bélgica, sempre haverá esse assunto acompanhando a campanha. É uma decisão ruim para o esporte e para a Copa do Mundo”, disse.
Glenn Micallef (Comissário Europeu do Esporte)
“Muitos torcedores de futebol, incluindo ex-jogadores, já se manifestaram sobre a suspensão da punição de Balogun. Como torcedor, também acredito que foi uma decisão errada.
Dito isso, sempre deixei claro que decisões sobre regras esportivas e questões do esporte cabem às entidades esportivas, e não aos políticos. Influenciar decisões esportivas comprometeria a autonomia do esporte.
Nosso foco deve estar, em vez disso, nos verdadeiros desafios de governança do esporte, incluindo a utilização do esporte como instrumento para fins políticos.”
Jürgen Klopp (ex-técnico do Liverpool)
“Este é o nosso esporte, não o deles.”
“Se Donald Trump e Gianni Infantino realmente resolveram isso entre eles, é uma loucura; isso coloca tudo em dúvida. Essas duas pessoas (Trump e Infantino), que não entendem nada de futebol, não deveriam ter absolutamente nada a ver com isso.”
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Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por manuelladalmas
