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Mãe, irmã e filho de Deolane são citados em inquérito que investiga lavagem de dinheiro

Por Karol Gomes 27/05/2026 às 11:33

Mãe, irmã e filho de Deolane são citados em inquérito que investiga lavagem de dinheiro

Empresas ligadas às irmãs de Deolane aparecem mencionadas no relatório policial, que descreve uma suposta estrutura financeira familiar investigada por lavagem de dinheiro e ligação com o PCC. A influenciadora está presa desde o último dia 21 de maio

Karol GomesCadu Safner

27/05/2026 às 11:26

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Deolane, Solange e Dayanne Bezerra (Foto: Reprodução)

A Polícia Civil de São Paulo concluiu o inquérito que coloca a influenciadora e advogada Deolane Bezerra como peça central da investigação que apura um esquema de lavagem de dinheiro ligado a facção PCC (Primeiro Comando da Capital). O relatório também cita o filho da influenciadora, Giliard Vidal dos Santos, um dos investigados e alvo da operação que prendeu a influenciadora, além da mãe e irmã da advogada, Solange e Dayanne Bezerra.

Após a prisão de Deolane, no último dia 21 de maio, o foco da investigação passou a atingir também o núcleo familiar da influenciadora. Empresas ligadas às irmãs de Deolane aparecem mencionadas no relatório policial, que descreve uma suposta estrutura financeira familiar investigada por lavagem de dinheiro e ligação com o PCC.

Veja as fotos

Abrir em tela cheia Giliard Santos e Deolane BezerraFoto: Reprodução/Instagram @deolane @giliardsantosoficiall Solange e Deolane BezerraCrédito: Reprodução Instagram Deolane Bezerra foi presa acusada de participar de um esquema de lavagem de dinheiro para uma facção criminosaCrédito: Van Campos – AgNews Deolane Bezerra, influenciadora digital e advogadaCrédito: Reprodução Deolane Bezerra na audiência de custódia virtual, após ser presa no âmbito da Operação VérnixReprodução: Polícia Penal de São Paulo Deolane BezerraFoto: Reprodução/Instagram @deolane Deolane BezerraFoto: Van Campos/AgNews Solange e Deolane BezerraCrédito: Reprodução Deolane e Solange BezerraCrédito: Reprodução Instagram

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Segundo o documento, a investigação avançou após a análise de celulares apreendidos em operações contra o núcleo financeiro da facção criminosa. A polícia afirma ter encontrado indícios de conexões financeiras envolvendo pessoas próximas à influenciadora.

No relatório, os investigadores afirmam que Deolane foi identificada como destinatária de valores oriundos da empresa Lopes Lemos Transportes Ltda., apontada como ligada ao esquema investigado. Para a polícia, os recursos recebidos não seriam compatíveis com serviços advocatícios.

“Deolane Bezerra Santos foi identificada como beneficiária de valores oriundos da Lopes Lemos Transportes Ltda, recebidos em contexto de ‘acerto’ ou ‘fechamento’ financeiro, e não como contraprestação lícita por serviços advocatícios”, diz o documento.

Movimentação de R$ 40 milhões

A investigação também aponta que as movimentações financeiras atribuídas à influenciadora chamaram a atenção dos investigadores. Segundo a polícia, as contas ligadas a Deolane movimentaram mais de R$ 40 milhões.

“Deolane movimentou mais de R$ 40.000.000,00 (quarenta milhões de reais), sendo que metade disso, em créditos, sequer pôde ser identificada”, afirma o relatório.

Outro trecho aponta que os investigadores não conseguiram identificar a origem de parte dos depósitos recebidos nem o destino de grande volume de transferências realizadas.

“Também não foram identificados os destinatários do montante de mais de R$ 27.000.000,00 que saíram da conta da investigada Deolane”.

De acordo com o relatório policial, a empresa Bezerra Publicidade e Comunicação Ltda seria o principal núcleo operacional do suposto esquema financeiro investigado. A Polícia Civil afirma que a empresa apresentaria incompatibilidades consideradas típicas de operações de lavagem de dinheiro.

Segundo os investigadores, foi identificada divergência entre a receita oficialmente declarada e os valores efetivamente movimentados nas contas bancárias, além de distribuição de lucros em patamares considerados incompatíveis com a realidade contábil das empresas analisadas.

O documento afirma ainda que parte relevante dos recursos teria sido rapidamente redistribuída para a própria Deolane, familiares próximos e terceiros apontados pela investigação como pessoas de baixa capacidade econômica ou com antecedentes criminais. Para a polícia, essa dinâmica financeira indicaria tentativa de pulverização dos valores e ocultação da origem do dinheiro.

A investigação sustenta a tese de que as empresas não operariam apenas como atividade comercial regular, mas também como instrumentos de circulação, redistribuição e integração patrimonial de recursos supostamente ligados ao PCC. Apesar da contundência das conclusões, o relatório policial não representa condenação judicial.

Além da Bezerra Publicidade e Comunicação Ltda, o inquérito também cita as empresas DB Santos Apoio Administrativo e Financeiro Ltda, DSDD Cobranças e Informações Cadastrais Ltda, Bezerra Produções Artísticas Ltda e Deolane Bezerra Comércio e Serviços Ltda, algumas delas vinculadas ao núcleo familiar da influenciadora.

Segundo os investigadores, essas empresas teriam operado com dinâmica típica de “contas de passagem”, expressão utilizada em investigações financeiras para descrever contas que recebem valores elevados e rapidamente transferem quase todo o dinheiro para terceiros.

“Outras pessoas jurídicas vinculadas ao grupo, como Bezerra Produções Artísticas Ltda e Deolane Bezerra Comércio e Serviços Ltda, apresentaram dinâmica típica de ‘contas de passagem’.”

De acordo com o relatório, os investigadores identificaram movimentações relevantes seguidas de débitos imediatos, sem contratos, prestação de serviço ou justificativas comerciais consideradas suficientes para explicar a circulação financeira. A tese da polícia busca demonstrar um padrão financeiro recorrente: entrada rápida de dinheiro, redistribuição imediata dos valores e posterior transformação desses recursos em patrimônio de luxo, mecanismo frequentemente associado, em investigações financeiras, à ocultação da origem do dinheiro.

O inquérito também menciona a aquisição de um veículo de luxo. Segundo a polícia, a empresa Deolane Bezerra Comércio e Serviços Ltda. comprou uma Ferrari SF90 avaliada em cerca de R$ 4,4 milhões.

Filho também pe investigado

O filho da influenciadora, Giliard Vidal dos Santos, também aparece no relatório. De acordo com os investigadores, ele teria movimentado mais de R$ 11 milhões mesmo sem histórico empresarial ou profissional considerado compatível com esse volume financeiro.

“Em relação ao alvo Giliard, filho de Deolane, um jovem sem qualquer histórico empresarial/laborativo, movimentou mais de R$ 11.000.000,00 (onze milhões de reais).”

A polícia ainda afirma que ele poderia ter sido utilizado como “interposto” nas operações financeiras atribuídas à mãe.

“Restando evidenciado nesse contexto investigativo, que se trata de pessoa que funciona como interposto de sua mãe e de suas empresas.”

Apesar disso, o documento informa que Giliard não foi formalmente indiciado naquele momento. “Sendo desarrazoado, neste momento, o seu indiciamento.”

Mãe e irmã citadas no inquérito

As irmãs e a mãe de Deolane também aparecem mencionadas no relatório. Daniele Bezerra Santos é citada como advogada em um boletim de ocorrência analisado pelos investigadores.

Já Dayanne Bezerra e a mãe da influenciadora, Solange Bezerra, aparecem em trecho que trata de movimentações financeiras consideradas incompatíveis pela polícia.

“Identificou-se padrão semelhante de incompatibilidades financeiras nas contas de Dayanne e Solange, respectivamente irmã e mãe de Deolane Bezerra.”

O relatório conclui que Deolane Bezerra Santos seria “beneficiária final e elemento central de coordenação” do esquema investigado.

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Tags:Dayane Bezerra, Deolane, Deolane Bezerra, Solange Bezerra

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Conteúdo reproduzido originalmente em: Portal Leo Dias por Karol Gomes

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