O Magazine Luiza (MGLU3) divulgou nesta quinta-feira (12) seu resultado do quarto trimestre de 2025 (4T25), com lucro lĂquido de R$ 131,6 milhões, uma queda de 55,4% sobre o mesmo perĂodo do ano passado (4T24), quando lucrou R$ 294,8 milhões.Â
O lucro lĂquido ajustado, que desconsidera itens nĂŁo recorrentes, ficou em R$ 124,7 milhões, retração de 10,5% ante o 4T24.Â
Sobre o resultado operacional, medido pelo Ebitda (Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado, a empresa totalizou R$ 867,3 milhões, alta de 2,5% em relação ao ano anterior. A margem Ebitda se manteve estável sobre o ano passado, com 7,8%.Â
Viva do lucro de grandes empresas
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Confira o calendário de resultados do 4Âş trimestre de 2025 da Bolsa brasileira Temporada de balanços do 4T25 em destaque: veja ações e setores para ficar de olho A companhia afirma que esse resultado foi alcançado atravĂ©s do forte crescimento das lojas fĂsicas, assim como a expansĂŁo da margem bruta de mercadorias e o desempenho do Luizacred.
A receita bruta chegou a R$ 13,8 bilhões, avanço de 3,3% sobre o 4T24, e a receita lĂquida ficou em R$ 11,1 bilhões, alta de 3,4%. O lucro bruto foi de R$ 3,04 bilhões, uma queda de 6,1% na comparação anual.
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O lucro lĂquido total de 2025 foi de R$ 204,6 milhões, uma baixa de 54,4% sobre o ano completo de 2024. No lucro lĂquido ajustado, o montante foi de R$ 158,9 milhões, queda de 42,6% na comparação ano a ano. Sobre o Ebitda total, o valor alcançou R$ 3,2 bilhões, alta de 10,6% sobre os R$ 2,8 bilhões de 2024.
Em entrevista ao InfoMoney, Lucas OzĂłrio, gerente de relações com investidores do Magalu, explicou que a empresa conseguiu alcançar bons resultados de lucro lĂquido por conta do “ciclo do ecossistema”, que teve seu inĂcio em 2019 e foi finalizado em 2025.Â
A aquisição de companhias de setores diferentes (Kabum, Época CosmĂ©ticos, Estante Virtual, etc), assim como a criação de vertentes complementares ao negĂłcio, como Magalog e MagaluPay, tirou a dependĂŞncia que a empresa poderia ter na taxa básica de juros – algo comum para bens duráveis.Â
“Independente do que acontece com juros, o nosso ecossistema reduz o baque, e assim nĂŁo dependemos da movimentação da Selic”, disse. Mesmo assim, OzĂłrio ressalta que a possibilidade de juros mais baixos para 2026 levará o Magalu a focar na redução das despesas financeiras relacionadas a dĂvidas e antecipação de crĂ©dito.
“Com juros mais baratos, Ă© possĂvel oferecer mais crĂ©dito aos clientes e tambĂ©m expandir a carteira de crĂ©dito, o que leva o cliente a comprar mais e a empresa, consequentemente, consegue diluir as despesas operacionais fixas”, explicou.
Vendas fortes no fĂsicoAs vendas totais do Magalu, totalizando canais digitais e lojas fĂsicas, somaram R$ 18,2 bilhões no trimestre, uma ligeira queda de 1,1% na comparação anual. A companhia ressaltou em balanço que esse valor equivale a um crescimento de 8,7% nas lojas fĂsicas (8,4% no conceito mesmas lojas), que aumentou devido ao ganho de market share, e uma redução de 5,3% no e-commerce, ainda no mesmo perĂodo.
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No ano, as vendas foram de R$ 65 bilhões, sendo online R$ 44 bilhões; e-commerce com estoque prĂłprio (1P) chegou a R$ 27 bilhões e marketplace (3P) representou 39% das vendas online.Â
OzĂłrio destaca que as vendas em lojas fĂsicas, pela primeira vez, passaram da marca de R$ 20 bilhões em um ano, o que significa um crescimento de 6% nas vendas totais do canal fĂsico em 2025. SĂł no 4T25, foi um aumento de 9% na comparação anual.Â
Parte da razĂŁo para esses nĂşmeros foi a estreia da Galeria Magalu, localizada em SĂŁo Paulo, que integra cinco lojas do ecossistema (Magalu, Kabum!, Netshoes, Época CosmĂ©ticos e Estante Virtual) em um Ăşnico lugar, com um fluxo mensal esperado de 90.000 pessoas.Â
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Ticket mĂ©dioOutro ponto importante sobre vendas fĂsicas ou online foi o aumento do ticket mĂ©dio do consumidor. O gerente ressalta que, com a competição no e-commerce com diversos players, a companhia decidiu mudar o posicionamento da marca: ser reconhecida por produtos (e serviços) de alta qualidade. EntĂŁo, se o cliente quiser um novo celular premium, ele vai pensar no Magalu, “pela curadoria especial com entrega rápida e plataforma de serviços de qualidade”, destacou.
Parcerias de qualidade tambĂ©m sĂŁo o foco da companhia, que tem ajudado a diversificar fontes de renda e cobrir outros nĂveis de ticket. Sobre os nĂveis menores, OzĂłrio detalha: “NĂŁo vamos brigar por esse ticket baixo, mas vamos melhorar a rentabilidade do negĂłcio. O foco Ă© alavancar vendas em tickets mais altos, que estĂŁo crescendo”, explicou o porta-voz.
A parceria com o Aliexpress, segundo o gerente, é o grande exemplo disso. As companhias passaram a permitir que produtos sejam vendidos nas plataformas digitais uma da outra, com um acordo feito em 2024, com a meta de aumentar a atuação do Magalu no segmento “cross-border”, que envolve a venda de produtos internacionais.
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Ozório afirma que a parceria tem sido um sucesso. “Procuramos parcerias com reciprocidade, onde o Magalu anuncia produtos 1P e acessa novas fontes de clientes. Vemos que as categorias estão performando bem em conjunto com o nosso terceiro novo pilar estratégico”, afirmou.
Novos pilares estratégicosCom a finalização do ciclo de ecossistema, os novos pilares estratégicos do Magalu atuam como uma continuação, segundo Ozório. Os principais pontos são:
Redefinir o Magalu com inteligĂŞncia artificial; E-commerce com curadoria e alto nĂvel de serviço; Acelerar as vendas por meio de plataformas parceiras; Potencializar o ecossistema e ampliar sua multicanalidade; Fortalecer a alavanca de serviços financeiros via MagaluPay. Sobre IA, a empresa vai usar o “AI Commerce”, utilizando o WhatsApp da Lu para integrar marcas como Netshoes e KaBuM! em uma jornada de compra Ăşnica. “ApĂłs ciclos de 5 anos focados no ecossistema, agora vamos destravar os ativos e usar IA. O pilar da IA Ă© interno e externo. Queremos usar a Lu para chegar no cliente como um novo meio de compra e comportamento de consumo, com curadoria dentro do WhatsApp”, explicou.
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Ainda sobre a utilização de IA, OzĂłrio destaca que a tecnologia será integrada na companhia em suas diversas facetas, com o objetivo de fortalecer o colaborador, sua produtividade e aumentar a rentabilidade.Â
O foco será o modelo de “brand place”, com curadoria de produtos e prioridade para a logĂstica de entrega rápida, garantindo um atendimento de excelĂŞncia enquanto automatiza processos internos para ganhar agilidade.
A expansĂŁo de vendas será fortalecida com parcerias em plataformas externas, como o AliExpress, para atrair novos clientes e monetizar a escala logĂstica do grupo. Unidades como Magalog e Magalu Ads tambĂ©m passarĂŁo a prestar serviços para empresas de fora, gerando novas receitas.
Na frente financeira, o MagaluPay será integrado de forma nativa às compras, oferecendo soluções de crédito e pagamento personalizadas. Com a criação de sua própria financeira, a MagaluPay SCFI, a companhia terá maior eficiência tributária e capacidade de criar produtos financeiros exclusivos. O objetivo é converter transações em relacionamento de longo prazo, elevando a rentabilidade de todo o grupo.

