Mistério das mortes dos Médici é desvendado por cientistas; saiba como

Por CNN Brasil 11/07/2026 às 02:32

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Um estudo analisou restos mortais de dois integrantes da família Médici, que questionaram a famosa teoria de que eles haviam sido envenenados. Segundo análises do DNA de ambos, foi detectado o diagnóstico de malária.  

O estudo foi publicado pela ISience em junho de 2026 e divulgado nesta semana pela revista Science.  

Foi detectada a presença de seis espécies de Plasmodium, gênero de protozoários parasitas intracelulares responsáveis por causar a malária, no DNA do Grão-Duque Francesco I de’ Médici (1541–1587) e do Cardeal Giovanni de’ Médici (1543–1562).  

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Os Médici faziam parte da burguesia italiana que governou Florença e, mais tarde, a Toscana durante a maior parte do período de 1434 a 1737. Foram muito influentes na Europa quando forneceram à Igreja Católica Romana quatro papas (Leão X, Clemente VII, Pio IV e Leão XI) e formaram laços matrimoniais com as famílias reais da Europa, principalmente na França, com Catarina de Médici e Maria de Médici. 

Malária na Europa 

O Plasmodium falciparum, agente causador da forma mais letal da malária humana, é um protozoário unicelular obrigatório transmitido por mosquitos fêmeas do gênero Anopheles. Segundo o documento, acredita-se que o protozoário tenha proliferado nas comunidades agrícolas da África subsaariana há 5.000 a 4.000 anos, e por conta das migrações humanas, ainda é incerto o momento em que ele se disseminou para a Europa.   

Na Itália, a malária já havia sido descrita em momentos por Hipócrates e Celso, que forneceram algumas das primeiras descrições da doença, associando-a a febres periódicas, fraqueza e outros sintomas hoje reconhecíveis como malária. 

Durante a Idade Média e o início da Idade Moderna, a doença permaneceu endêmica. A malária só foi erradicada na década de 1950, na Toscana, quando as campanhas foram colocadas em práticas.  

Análise no DNA dos membros da família Médici 

Como as análises já feitas não conseguiam identificar a variação genética das cepas de Plasmodium falciparum que circulavam na Itália central durante o século XVI, os especialistas decidiram extrair DNA antigo de restos osteológicos dos dois membros da família Médici, porque as mortes eram compatíveis com infecções por malária, e seus restos mortais foram preservados em caixas de metal nas Capelas Médici, em Florença, o que garantiu condições favoráveis para a extração do DNA. 

Os especialistas extraíram DNA de quatro amostras de costela, três pertencentes ao Grão-Duque e uma ao grupo do Cardeal. Os extratos de DNA identificaram seis espécies de Plasmodium (P. falciparum, P. vivax, P. malariae, P. ovale spp., P. knowlesi e P. cynomolgi). 

Os resultados demonstram a presença de Plasmodium spp. nos restos mortais de ambos, embora em quantidades muito menores no Grão-Duque. 

Também foi identificado que a cepa do Cardeal pode ter derivado de uma cepa de P. falciparum que já circulava na península italiana, Velia-186: século I – II d.C., e em outras partes da Europa, na Baixa Áustria, entre 371 e 176 a.C., e na França, entre 1280 e 1395.  

Quem eram o Grão Duque e o Cardeal?  

O Grão-Duque Francesco I de’ Médici (1541–1587) e o Cardeal Giovanni de’ Médici (1543–1562), eram irmãos, filhos do mesmo pai, Cosimo I de’ Médici (primeiro Grão-Duque da Toscana), e da mesma mãe, Eleonora de Toledo.  

O Cardeal, juntamente com sua mãe e outro irmão, contraiu malária durante uma viagem em família ao litoral e aos pântanos da Toscana, região conhecida na época por ser afetada pela “febre terçã”. 

Segundo relatos, esses três membros da família Médici sucumbiram a febres severas em um período de quatro semanas, até o final de 1562.  

Vinte e cinco anos depois, o Grão-Duque e sua esposa, Bianca Cappello, visitaram a vila dos Médici em Poggio a Caiano (Prato), localizada em uma área de arrozais com condições sanitárias precárias, um ambiente típico de malária endêmica. O casal faleceu em 1587, após apresentar febres altas intermitentes, compatíveis com malária.

As mortes súbitas e quase simultâneas, no entanto, deram origem a rumores de envenenamento com arsênico pelo irmão Cardeal Ferdinando.  

Malária no cenário mundial 

A malária foi erradicada na Europa na década de 1970, mas segue presente na África subsaariana, Oceania, Sul e Sudeste Asiático e América do Sul, sendo responsável por 280 milhões de casos em todo o mundo somente em 2024. 

O Plasmodium falciparum ainda é o principal agente causador.  

A descoberta de uma cepa dessa espécie, até então não caracterizada, proveniente do Renascimento italiano, amplia o conhecimento sobre a diversidade de cepas circulantes em um período para o qual as informações sobre essa espécie são muito limitadas, expandindo o conhecimento sobre a variação do *P. falciparum* em tempos históricos. 

 

TópicosDNAItáliaMalária


Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por anaclaracampos

Conteúdo Original / Fonte: anaclaracampos

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