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Negociação entre EUA e Irã tem “avanços encorajadores”, mas tensão continua

Por CNN Brasil Fonte: diegopavao 22/06/2026 às 05:33
Negociação entre EUA e Irã tem “avanços encorajadores”, mas tensão continua

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Autoridades dos EUA e do Irã alcançaram “avanços encorajadores” na primeira rodada de negociações na Suíça, que terminou na madrugada desta segunda-feira (22), segundo os mediadores, embora a tensão tenha persistido em relação ao Líbano e ao Estreito de Ormuz.

Os mediadores, Paquistão e Catar, afirmaram que as partes concordaram com um roteiro para um acordo final sobre o fim da guerra em 60 dias, apesar de um início tenso, já que Teerã voltou a fechar o estreito e o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou retomar os ataques ao Irã.

Eles afirmaram que os dois lados concordaram com um mecanismo para pôr fim aos combates entre Israel, aliado dos EUA, e militantes do Hezbollah, alinhados ao Irã, no Líbano, e abriram uma linha de comunicação para ajudar a garantir a passagem segura de navios comerciais pelo estreito, uma rota global vital para o abastecimento de petróleo e gás natural liquefeito.

As negociações técnicas continuarão pelo resto da semana no resort suíço de Buergenstock, de propriedade do Catar, segundo o comunicado conjunto.

Em uma postagem nas redes sociais, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, disse que Teerã havia garantido isenções para as exportações de petróleo e petroquímicos, a liberação de alguns ativos congelados e o lançamento de um plano de reconstrução e desenvolvimento para o Irã.

Os preços do petróleo subiram acentuadamente quando Teerã começou a bloquear o Estreito de Ormuz, levando a um bloqueio naval dos EUA aos portos iranianos, mas, depois que os EUA e o Irã assinaram um acordo provisório na semana passada, eles caíram para níveis não vistos desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, com ataques conjuntos dos EUA e de Israel ao Irã.

Os preços do petróleo caíram ainda mais após a declaração conjunta desta segunda-feira (23), com o alívio das preocupações quanto a uma escassez de oferta nos mercados globais.

O petróleo Brent, referência global, era negociado a pouco menos de US$80 por barril.

O presidente dos EUA, Donald Trump, ao lado do presidente francês, Emmanuel Macron, no momento da assinatura do memorando de entendimento com o Irã • @realDonaldTrump

Relatos sobre negociações

O vice-presidente dos EUA, JD Vance, iniciou negociações com autoridades iranianas no domingo (21), nos termos do memorando de entendimento firmado na semana passada para prorrogar um frágil cessar-fogo, em vigor desde abril, por pelo menos mais 60 dias. As discussões se estenderam até as primeiras horas desta segunda-feira (22).

Antes do início oficial das negociações no domingo, a Fox News informou que Trump havia dito ter avisado às autoridades iranianas que “vocês não terão mais um país” caso tentassem fechar o estreito novamente.

Trump também reiterou uma ameaça anterior de que os EUA assumiriam o controle da via navegável e possivelmente cobrariam um pedágio próprio, segundo a Fox News.

Fontes americanas e iranianas apresentaram versões diferentes sobre as discussões na Suíça.

A agência de notícias semioficial iraniana Tasnim, citando uma fonte, afirmou que, depois que as ameaças de Trump vieram a público, a delegação iraniana se recusou a retornar à sala onde as negociações eram realizadas, embora mensagens tenham sido trocadas por meio dos mediadores.

De acordo com a fonte da Tasnim, os iranianos afirmaram que o início das negociações sobre questões nucleares exigia o cumprimento de outras cláusulas do Memorando de Entendimento (MOU na sigla em inglês), incluindo a liberação de ativos congelados e isenções dos EUA autorizando as exportações de petróleo iraniano.

“Os iranianos nunca saíram e ainda estão aqui se reunindo e negociando até altas horas da noite”, disse à Reuters um diplomata norte-americano envolvido nas negociações. “Discutimos sobre o Estreito, o Líbano, questões nucleares e detalhes da implementação do MOU, entre outros temas.”

O acordo prevê a reabertura do Estreito de Ormuz e o fim de todas as hostilidades, inclusive no Líbano, onde Israel continua realizando ataques enquanto o Hezbollah ataca alvos israelenses.

O Irã afirma que os EUA não cumpriram o compromisso de interromper a guerra no Líbano.

No fim de semana, o país declarou ter interrompido o tráfego marítimo pelo estreito e que as negociações de domingo não abordariam questões substantivas, como seu programa nuclear.

Nas negociações, nas quais autoridades dos EUA e do Irã se reuniram na presença de mediadores, Vance minimizou o impacto da violência no Líbano, afirmando que houve avanços no sentido de pôr fim às hostilidades no país.

“Essas coisas são sempre um pouco complicadas”, disse ele.

Vance disse aos repórteres que Trump havia “nos pedido para virar uma nova página e transformar nossa relação com o povo do Irã”.

Um diplomata norte-americano afirmou no final do domingo (21) que as discussões incluíram “esclarecer algumas das mensagens confusas do Irã sobre o estreito e criar mecanismos de prevenção de conflitos para garantir que o estreito permaneça totalmente aberto”.

À medida que os EUA suspendiam seu bloqueio marítimo ao Irã, um segundo navio porta contêiner atracou no porto de Shahid Rajaee, em Bandar Abbas, nesta segunda-feira (22), e começou a carregar sua carga, informou o diretor-geral da Organização Portuária e Marítima de Hormozgan.

Tensão no Líbano

Apesar do anúncio de um novo cessar-fogo no Líbano na sexta-feira (19), há poucos sinais de que os combates no país estejam chegando ao fim.

O Irã informou no sábado (20) que, como resultado, havia fechado o estreito novamente. Cinco embarcações passaram pelo estreito no domingo (21), uma queda acentuada em relação aos 26 navios avistados no dia anterior, segundo dados da empresa de análise Kpler.

Os dados podem excluir embarcações que desligam seus transponders enquanto navegam no Golfo.

O domingo pareceu ser o dia mais tranquilo no Líbano em algum tempo, sem relatos de violência significativa ao anoitecer.

O presidente israelense, Isaac Herzog, afirmou nesta segunda-feira (22) que Israel não se opõe a uma solução diplomática para a guerra com o Irã, mas que qualquer acordo deve garantir que Teerã não possa usar os fundos recebidos como parte do acordo para fins militares ou para apoiar grupos aliados na região.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por diegopavao

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