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Pessoas negras têm, em média, quatro vezes mais risco de morrer em ações policiais do que pessoas brancas nos nove estados monitorados pela Rede de Observatórios da Segurança.
O dado faz parte do estudo obtido pela CNN Brasil “Pele Alvo: entre racismo e letalidade, o amanhã”, divulgado nesta quarta-feira (1º), que reúne informações obtidas por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI) junto às secretarias de Segurança Pública de Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro e São Paulo.
Segundo o levantamento, foram registradas 4.330 mortes decorrentes de intervenção policial em 2025, um aumento de 6,4% em relação ao ano anterior. Considerando apenas os casos em que havia informação sobre raça ou cor, 86,3% das vítimas eram negras.
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Jovens de até 29 anos representaram 64,8% de todos os mortos, o equivalente a 2.804 vítimas. Dentro desse grupo, 2.492 tinham entre 18 e 29 anos. O levantamento também contabilizou 312 crianças e adolescentes de até 17 anos mortos em ações policiais, sendo duas crianças de até 11 anos e outras 310 vítimas entre 12 e 17 anos.
“Em os dados de 2025, afirmamos: na média dos o analisar estados, negros têm quatro vezes mais chances de serem mortos pela polícia do que brancos” diz o estudo ao analisar as taxas por 100 mil habitantes.
Veja no gráfico abaixo:
Panorama estadual
A desigualdade é ainda maior em alguns estados. Em Pernambuco, segundo a pesquisa o risco para pessoas negras chega a ser 11 vezes superior ao da população branca. No Rio de Janeiro, a diferença é de seis vezes.
A pesquisa aponta ainda que quatro estados registraram, em 2025, o maior número de mortes por intervenção policial desde o início da série histórica, em 2019. O Ceará contabilizou 200 mortes, o Maranhão 142, o Pará 632 e São Paulo 834 vítimas. Na Bahia, embora tenha havido queda em relação ao recorde registrado em 2024, foram 1.570 mortes.
Os dados mostram que não estamos diante de uma fatalidade ou de casos isolados. Ano após ano, a principal vítima da letalidade policial continua sendo a juventude negra das periferias.
São Paulo registrou o maior número de vítimas da série histórica, mesmo em um contexto de queda em indicadores criminais, como furtos e roubos. Em 2024, foram registradas 812 mortes. Em 2025, houve um aumento de 22 mortes em relação ao ano anterior. O estado acumula 4.774 vítimas em sete anos.
Já o Maranhão, apresentou o crescimento mais alarmante, com uma alta de 86,8% nas mortes em apenas um ano. Os números saíram de 76 mortes para 142 em 2025. No estado nordestino, o fenômeno é atribuído à interiorização de facções criminosas do Sudeste e à resposta estatal baseada no confronto, de acordo com o relatório.
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Os números também mostram a situação no Pará, que atingiu o recorde de 632 mortes, um aumento de 35 mortes em relação a 2024. O estado acumula 4.028 mortos em sete anos. Somente em Belém, foram 99 mortes, o maior número absoluto entre os municípios paraenses.
Por sua vez, o Ceará registrou 200 mortes em 2025, o maior patamar desde 2019. Apenas 12 municípios concentraram 50,5% das vítimas em todo o estado. Em sete anos, a letalidade cresceu 47,1%, totalizando 1.094 mortos no período.
Metodologia
A sétima edição do relatório “Pele Alvo: entre racismo e letalidade, o amanhã” baseia-se na coleta de dados oficiais junto às secretarias de segurança pública dos nove estados monitorados (Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro e São Paulo).
As informações são obtidas por meio de solicitações via Lei de Acesso à Informação e passam por validação e padronização pela Rede de Observatórios; O monitoramento mantém a comparabilidade com os dados coletados desde 2019.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por thomaz.sousa


