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O presidente Donald Trump afirma que as grandes petrolíferas estão mantendo os preços da gasolina artificialmente altos, repetindo uma reclamação feita pelo ex-presidente Joe Biden durante o último aumento nos preços da gasolina. Mas, ao contrário de Biden, Trump diz que quer que o Departamento de Justiça investigue o caso.
Em uma postagem no Truth Social na madrugada desta quarta-feira (1), Trump argumentou que os preços nos postos de gasolina não estão caindo com rapidez suficiente, apesar da queda nos preços do petróleo.
“As grandes petrolíferas não estão reduzindo os preços nos postos de gasolina de forma proporcional à queda acentuada nos preços que estão pagando pelo petróleo”, disse ele.
“Esses preços estão caindo vertiginosamente! Em outras palavras, os consumidores estão sendo ‘explorados’. Instruí o Departamento de Justiça a começar a investigar isso imediatamente. É melhor que os preços da gasolina comecem a cair muito mais rápido do que estou vendo!”
Se isso soa um pouco familiar, é porque realmente é.
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Biden publicou uma reclamação semelhante em 2022, quando a invasão da Ucrânia pela Rússia fez os preços da energia dispararem.
“Os preços do petróleo estão caindo, os da gasolina também deveriam”, dizia sua postagem em março de 2022, quando os preços subiam rumo a um recorde histórico. “Da última vez que o petróleo estava a US$ 96 o barril, a gasolina custava US$ 3,62 o galão. Agora custa US$ 4,31. As empresas de petróleo e gás não deveriam inflar seus lucros às custas dos americanos que trabalham duro.”
O desafio para Trump, e para Biden em 2022, é que os preços da gasolina no varejo não são definidos pelas “grandes petrolíferas”. Eles são definidos por dezenas de milhares de donos de postos de gasolina, que são pequenas empresas independentes e baseiam seus preços, em grande parte, no custo da gasolina no atacado.
E os preços do petróleo e da gasolina no atacado também não são definidos diretamente pelas empresas petrolíferas. Eles são determinados, em grande parte, pelos mercados globais de commodities. É por isso que, embora em 2022 tenha chegado relativamente pouco petróleo russo aos tanques de gasolina americanos — assim como petróleo do Golfo Pérsico —, as perturbações nos mercados de petróleo e gasolina ainda afetam os preços nos Estados Unidos.
Trump está certo ao afirmar que os preços da gasolina no varejo têm demorado a cair. Mas essa é uma característica de longa data do mercado, não necessariamente uma evidência de aumento abusivo dos preços.
Os donos de postos de gasolina viram seus lucros reduzidos devido aos preços no atacado que dispararam nos primeiros meses da guerra no Irã. Alguns chegaram a vender combustível com prejuízo para evitar fixar preços mais altos do que os concorrentes, que haviam comprado combustível no atacado a preços mais baixos alguns dias antes.
Quando os preços no atacado começam a cair, os varejistas costumam demorar para reduzir os preços nas bombas. Eles precisam cobrir os preços mais altos que já pagaram pelo estoque adquirido a custos mais elevados e também tentam recuperar parte do dinheiro que perderam quando os preços estavam subindo.
Essa é uma das principais razões pelas quais o setor há muito tempo descreve os preços da gasolina como “subindo como um foguete e descendo como uma pena”. Em outras palavras, os preços não caem como uma pedra, como Trump (e os consumidores) gostariam. Não se trata de uma conspiração. É economia.
Mas culpar as “grandes petrolíferas” pelo sofrimento que as pessoas estão enfrentando nos postos de gasolina é muito mais fácil do que explicar as complexidades do comércio global de commodities ou as práticas locais de precificação dos postos.
Trump não é o primeiro presidente a apontar o dedo quando os preços da gasolina se tornam um problema político. E provavelmente não será o último.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por beatrizoliveira

