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ONU: Países devem cobrir déficit de US$ 4 tri para metas de desenvolvimento

Por CNN Brasil Fonte: beatrizoliveira 07/07/2026 às 14:33
ONU: Países devem cobrir déficit de US$ 4 tri para metas de desenvolvimento

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Países de todo o mundo devem tomar medidas decisivas para colmatar um déficit de financiamento anual de US$ 4 trilhões, a fim de garantir que as metas de desenvolvimento sustentável estabelecidas há pouco mais de uma década possam ser alcançadas até 2030, segundo um novo relatório das Nações Unidas.

Embora o relatório mencione grandes avanços em relação a alguns dos SDGs (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável), proporcionando acesso à eletricidade, água e assistência médica a bilhões de pessoas, ele alerta que crises simultâneas e um déficit de financiamento cada vez maior representam grandes desafios.

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Principais conclusões do relatório

O relatório mostra que o avanço rumo aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável continua insuficiente e desigual.

A ajuda oficial ao desenvolvimento sofreu uma queda recorde de 23,1% em 2025, retornando a níveis próximos aos de 2015. A redução foi impulsionada, entre outros fatores, pelo fim da agência de ajuda dos Estados Unidos, a USAID.

Das 139 metas dos ODS, apenas 36% estão no caminho certo ou apresentam progresso moderado. Outras 49% avançam em ritmo muito lento, enquanto 15% regrediram para patamares inferiores aos registrados em 2015.

Atualmente, cerca de 10% da população mundial vive em extrema pobreza, sobrevivendo com menos de US$ 3 por dia — apenas três pontos percentuais abaixo do índice de 2015. Sem novas medidas, a expectativa é que esse percentual permaneça em torno de 9% até 2030.

A insegurança alimentar também continua em níveis elevados. Cerca de 2,3 bilhões de pessoas — o equivalente a 28% da população mundial — enfrentam insegurança alimentar moderada ou grave, sem acesso regular a uma alimentação adequada ao longo do ano. Além disso, 673 milhões de pessoas sofrem de fome crônica. Em ambos os casos, os números superam os registrados em 2015.

Embora a maior parte das regiões do mundo esteja próxima de erradicar a pobreza extrema até 2030, esse objetivo ainda parece distante para a África Subsaariana, o Oriente Médio e o Norte da África, além da Oceania, excluindo Austrália e Nova Zelândia.

Na área da educação e do trabalho, houve avanços, mas os desafios permanecem significativos. O trabalho infantil diminuiu em mais de 20 milhões de casos entre 2020 e 2024. Ainda assim, 273 milhões de crianças e jovens continuam fora da escola, e os jovens têm quase quatro vezes mais chances de estar desempregados do que os adultos.

Os deslocamentos forçados também aumentaram. Em meados de 2025, a população global de refugiados atingiu 440 pessoas para cada 100 mil habitantes, mais que o dobro do nível observado em 2015.

No campo econômico, a dívida externa dos países de baixa e média renda alcançou o recorde de US$ 8,9 trilhões em 2024.

Já na área ambiental, os indicadores continuam se deteriorando. Em 2025, a temperatura média global ficou 1,43 °C acima dos níveis pré-industriais, enquanto a concentração de dióxido de carbono na atmosfera atingiu o maior patamar dos últimos dois milhões de anos.

Ao comentar o relatório, o secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que os dados demonstram que, embora o progresso seja possível, ele ainda ocorre em ritmo insuficiente. Segundo Guterres, esse cenário é agravado por obstáculos como o colapso da ajuda ao desenvolvimento, o aumento do endividamento, a intensificação dos conflitos, a desaceleração do crescimento econômico global e o agravamento da crise climática.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por beatrizoliveira

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