PF ouve Wajngarten e atual advogado de Bolsonaro sobre denĂșncia de Cid

Por AgĂȘncia Brasil 02/07/2025 Ă s 05:41


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A PolĂ­cia Federal (PF) ouviu nesta terça-feira (1Âș) os depoimentos dos advogados FĂĄbio Wajngarten, que atuou na defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro; Paulo Cunha Bueno, atual defensor do ex-presidente; Eduardo Kuntz, que atua como advogado do coronel Marcelo CĂąmara; e o prĂłprio Marcelo CĂąmara, ex-assessor de Bolsonaro. 

Eles foram ouvidos de forma simultùnea, mas em salas separadas, pela Polícia Federal, no inquérito que apura uma possível tentativa de obstrução da ação penal que investiga uma trama golpista para manter Bolsonaro no poder. 

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Wajngarten, Kuntz e Bueno compareceram nesta tarde na superintendĂȘncia da PolĂ­cia Federal em SĂŁo Paulo. Eles chegaram ao local por volta das 14h30, sem falar com a imprensa. Apesar de estarem em SĂŁo Paulo, esses depoimentos foram tomados pela PolĂ­cia Federal em BrasĂ­lia, por meio de videoconferĂȘncia. JĂĄ Marcelo CĂąmara prestou depoimento em BrasĂ­lia, onde estĂĄ preso. 

Os depoimentos foram determinados pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), apĂłs Cid apresentar Ă  PolĂ­cia Federal documentos com declaraçÔes da mĂŁe, da esposa e da filha relatando supostas “investidas” de Wajngarten e Bueno sobre elas.

Wajngarten foi secretĂĄrio de Comunicação Social da PresidĂȘncia e atuou na defesa do ex-presidente da RepĂșblica Jair Bolsonaro, e Costa Bueno Ă© um dos atuais advogados de Bolsonaro.

Segundo a defesa de Cid, Wajngarten e Bueno teriam pressionado a mĂŁe, a esposa e a filha do ex-ajudante de ordens em busca de detalhes sobre o conteĂșdo de sua delação. TambĂ©m teriam tentado influenciar os familiares para que ele destituĂ­sse sua defesa jĂĄ constituĂ­da. Para o ministro Alexandre de Moraes, as condutas narradas indicam a suposta prĂĄtica do crime de obstrução de investigação de infração penal que envolva organização criminosa.

Eduardo Kuntz também teria procurado insistentemente a filha menor de Mauro Cid. Por isso, ele também serå investigado por tentativa de obstrução da Justiça.

Bueno foi o primeiro a deixar a sede da PF, antes das 17h, mas saiu sem falar com a imprensa. JĂĄ Kuntz foi o Ășltimo a sair do local. 

ApĂłs mais de 5h30 de depoimento aos agentes, Kuntz deixou o ĂłrgĂŁo depois das 20h e, em entrevista Ă  imprensa, se limitou a dizer que sua “atuação profissional e legal foi totalmente dentro dos parĂąmetros, sem qualquer tipo de conduta ilĂ­cita ou com falha Ă©tica”.

Wajngarten

Na saĂ­da da SuperintendĂȘncia da PF em SĂŁo Paulo, por volta das 17h20, Wajngarten concedeu entrevista à imprensa e disse que pretende entrar com um processo na justiça por calĂșnia, sem especificar contra quem.

“Terminei o meu depoimento, do qual eu nĂŁo pude trazer uma cĂłpia, repudiando de forma veemente a acusação de tentativa de obstrução, e a minha Ășltima frase Ă© que eu tomarei as medidas cabĂ­veis. Vou estudar as medidas cabĂ­veis para ingressar com uma ação de denĂșncia caluniosa a quem quer que seja e eu vou estudar essas possibilidades”, disse ele. 

“Eu repudio de forma veemente a acusação de tentativa de tumultuar, de desorganizar, de atrapalhar, de embaraçar a investigação. Repudio e afirmo que estou estudando a possibilidade de ingressar com açÔes e denĂșncias. Eu nĂŁo sei quem [vou denunciar], mas quem quer que seja”, declarou Wajngarten. 

Wajngarten negou que tenha procurado ou feito contato com a filha de Mauro Cid. Ele afirma que não fala com a família do militar desde agosto de 2023 e que só teria falado com a filha dele sobre um campeonato de hipismo no Jockey de São Paulo. “Nunca perguntei sobre delação. Nunca perguntei sobre depoimento, nunca perguntei de nada, de nada”. 

Para ele, a investigação tem objetivos polĂ­ticos. “Poucas vezes, dei a minha opiniĂŁ. Esse processo de golpe Ă© uma tentativa de retirar o presidente Bolsonaro do processo eleitoral de 2026. Mas uma eleição sem o presidente Bolsonaro nĂŁo Ă© uma eleição democrĂĄtica”, declarou. 

Procurada hoje pela AgĂȘncia Brasil, a PolĂ­cia Federal informou apenas que “nĂŁo se manifesta sobre eventuais tomadas de depoimentos”. 

*Matéria atualizada às 21h para acréscimo de informaçÔes

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