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Às vésperas do anúncio do Plano Safra 2026/27, previsto para esta terça-feira (30), o analista da LEK Consulting, Eric Emiliano, afirmou que as taxas de juros do programa ainda devem permanecer em patamar elevado diante da situação financeira enfrentada pelos produtores rurais. Segundo ele, o setor precisaria de condições mais favoráveis de financiamento, mas as limitações orçamentárias do governo reduzem a margem para uma queda mais expressiva.
“A gente precisaria de mais. O produtor não está conseguindo pagar as contas das safras passadas, está muito endividado. A taxa de juros ainda está muito alta. Mas, com todas as limitações que a gente tem de orçamento do governo, dificilmente a gente vai conseguir passar desse número”, afirmou em entrevista à CNN Agro News.
Emiliano ainda destacou que a inadimplência, que era de 3% historicamente, está em mais de 15% para alguns bancos, batendo perto de 20% da carteira.
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Para o analista, diante desse cenário, a cadeia do agronegócio continuará recorrendo a outras fontes de financiamento além do crédito oficial. Na avaliação do analista, embora o Plano Safra mantenha papel importante no financiamento da produção agropecuária, ele já não atende sozinho às necessidades do setor.
Segundo ele, bancos, cooperativas, tradings e o mercado de capitais têm ampliado sua participação na oferta de crédito rural.
“A gente vê cada vez mais a participação de bancos, de outros agentes da cadeia, como mercado de capitais, tradings e cooperativas, ganhando espaço para auxiliar o produtor. O próprio Plano Safra, ainda com crescimento, não entrega tudo que o agro precisa”, disse.
Emiliano afirmou que o aumento da demanda por financiamento impulsionou o desenvolvimento de instrumentos privados de crédito, como as LCAs (Letras de Crédito do Agronegócio), os Fiagros (Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais) e as CPRs (Cédulas de Produto Rural). “Mesmo o Plano Safra crescendo acima da inflação, ele ainda está aquém da necessidade que temos na agricultura e, por isso, essas letras e financiamentos vêm crescendo”, afirmou
Ele também destacou o crescimento das cooperativas no financiamento da atividade rural. De acordo com estimativas da LEK Consulting, a participação dessas organizações no PIB do agronegócio passou de cerca de 8% para 15% nas últimas cinco ou seis safras.
Segundo Emiliano, esse avanço está ligado à proximidade das cooperativas com os produtores e à capacidade de responder mais rapidamente em momentos de crise.
Ao comentar o aumento da participação dos recursos destinados ao custeio em relação aos investimentos, o analista classificou o movimento como um “sinal amarelo”. Ele acrescentou que a redução do espaço para investimentos pode comprometer o planejamento de longo prazo da atividade.
“O investimento não é anual, tem investimento para ter retorno a longo prazo. Quando a gente não olha o plurianual, acabamos perdendo essa visão de longo prazo e o investimento perdendo bastante participação ao longo do tempo”, afirmou.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por gabriellaweiss
