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O governo federal anuncia hoje (30) o Plano Safra 2026/27 para a agricultura empresarial. A cerimônia está marcada para as 10h, no Palácio do Planalto, e será conduzida pelo presidente em exercício, Geraldo Alckmin, e pelo ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva estará em Assunção, no Paraguai, para participar da Cúpula do Mercosul e, pela primeira vez desde o início de seu mandato, não participará do lançamento do programa voltado aos médios e grandes produtores.
A principal expectativa é a confirmação de uma redução de até 1,5 ponto percentual nas taxas de juros das linhas de crédito rural com recursos controlados. O corte, embora represente um alívio para os produtores, deve ficar abaixo do pleito apresentado pelo Ministério da Agricultura e pelas entidades do setor, que defendiam taxas inferiores a dois dígitos.
Na safra 2025/26, as taxas das linhas controladas variaram entre 8,5% e 14% ao ano, com a principal linha de custeio operando a 14%. A intenção da equipe do Ministério da Agricultura era reduzir esse percentual para abaixo de 10%, mas a equipe econômica avaliou que o cenário fiscal e o custo da equalização dos juros pelo Tesouro Nacional impedem uma redução mais expressiva.
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Equalização é o desafio do governo
O custo da equalização continua sendo o principal desafio do governo. Como os bancos emprestam aos produtores com juros inferiores aos praticados pelo mercado, a União precisa compensar essa diferença às instituições financeiras. Mesmo com a perspectiva de redução da taxa básica de juros ao longo do ano, o impacto sobre os gastos públicos ainda é considerado elevado, limitando a capacidade do governo de ampliar os subsídios.
Outro ponto aguardado é o volume de recursos que será ofertado para financiamentos de custeio, investimento e comercialização. Na safra passada, o governo anunciou R$ 516,2 bilhões para a agricultura empresarial. Para este ciclo, entidades do agronegócio defenderam um Plano Safra entre R$ 623 bilhões e R$ 674 bilhões, alegando aumento dos custos de produção e maior demanda por crédito. No entanto, a expectativa é de que o valor anunciado fique abaixo desse intervalo devido às restrições orçamentárias.
Além da limitação fiscal, o governo também considera o aumento do endividamento dos produtores rurais e o crescimento dos pedidos de renegociação de dívidas. Esse cenário levou a equipe econômica a adotar maior cautela na definição dos recursos e das condições de financiamento para a nova safra.
Entre as novidades esperadas está a manutenção do incentivo às linhas voltadas para investimentos em sustentabilidade, armazenagem, irrigação, inovação tecnológica e agricultura de baixo carbono, consideradas estratégicas para ampliar a competitividade do setor e atender às exigências dos mercados internacionais.
Após o anúncio oficial, o Conselho Monetário Nacional (CMN) deverá realizar uma reunião extraordinária para aprovar as resoluções que regulamentam o Plano Safra e permitem que bancos e cooperativas de crédito iniciem a contratação das operações.
Agricultura familiar
Ainda nesta terça-feira, às 18h, o governo lançará o Plano Safra da Agricultura Familiar, desta vez com a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O programa voltado aos pequenos produtores deverá trazer condições diferenciadas de financiamento e novas medidas de incentivo à produção de alimentos.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por fernandapressinott
