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Por que formato da Copa gera distorções e coloca mérito esportivo em xeque

Por CNN Brasil Fonte: gabrielteles 26/06/2026 às 05:33
Por que formato da Copa gera distorções e coloca mérito esportivo em xeque

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O novo formato da Copa do Mundo, com 48 seleções, ampliou o número de participantes e tornou o torneio mais inclusivo. Em contrapartida, também inaugurou discussões sobre o equilíbrio esportivo da competição.

Além das críticas relacionadas ao calor, logística e às paradas para hidratação, o regulamento passou a ser questionado por criar situações em que o desempenho dentro de campo nem sempre é suficiente para garantir vantagens equivalentes.

A principal delas aparece já no início do mata-mata.

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Nem todo líder é recompensado da mesma forma

Pela primeira vez, a Copa conta com 12 grupos de quatro seleções. Avançam os dois primeiros colocados de cada chave, além dos oito melhores terceiros, formando um mata-mata com 32 equipes.

Para acomodar esse novo modelo, a Fifa definiu previamente os cruzamentos da fase eliminatória. Na prática, isso fez com que alguns líderes de grupo fossem destinados a enfrentar terceiros colocados, enquanto outros passaram a encarar vice-líderes.

O resultado é uma diferença significativa no grau de dificuldade entre seleções que tiveram o mesmo desempenho na fase de grupos.

O Brasil ilustra esse cenário. Depois de terminar na liderança de sua chave, a equipe comandada por Carlo Ancelotti terá pela frente o Japão, segundo colocado do Grupo F e uma das seleções mais competitivas do torneio.

Em outros lados do chaveamento, líderes enfrentam equipes que avançaram como terceiros colocados, classificadas com apenas três ou quatro pontos. Na prática, vencer o grupo deixou de representar uma vantagem uniforme.

Chaveamento pesa tanto quanto a campanha

Em formatos anteriores, a lógica era simples: quem fazia melhor campanha, em tese, encontrava um adversário de menor desempenho na fase seguinte.

Na Copa de 2026, essa relação ficou enfraquecida. Como os cruzamentos já estão pré-determinados, o caminho de uma seleção passa a depender também do grupo em que caiu no sorteio, e não apenas dos resultados conquistados em campo.

Isso significa que duas equipes com campanhas praticamente idênticas podem receber recompensas completamente diferentes apenas por ocuparem posições distintas no chaveamento.

Trata-se de uma quebra parcial do princípio do mérito esportivo, já que o desempenho deixa de ser o único fator capaz de definir o grau de dificuldade do mata-mata.

Melhores terceiros também criam vantagem competitiva

Outro ponto que levanta debates é a classificação dos oito melhores terceiros colocados.

Como os grupos são encerrados em dias diferentes, as equipes que atuam nas últimas rodadas já conhecem exatamente quantos pontos, saldo de gols ou gols marcados precisam alcançar para seguir vivas na competição.

Quem joga primeiro, por outro lado, disputa sua partida sem essa informação e muitas vezes precisa assumir riscos maiores, sem saber se eles realmente serão necessários.

Essa diferença de contexto pode influenciar diretamente a estratégia das equipes e cria uma vantagem competitiva baseada no calendário da competição, e não apenas na qualidade técnica.

Embora as partidas da última rodada de cada grupo aconteçam simultaneamente, a comparação entre terceiros colocados ocorre ao longo de vários dias, permitindo que seleções dos grupos finais entrem em campo com um cenário muito mais claro do que aquelas que jogaram antes.

A Copa de 2026 também estreou uma mudança nos critérios de desempate. Com a prioridade do confronto direto sobre o saldo de gols, uma seleção pode ser eliminada mesmo apresentando um saldo superior ao de um concorrente, mudança que também gerou debates durante o torneio.

Debate deve acompanhar as próximas edições

A ampliação da Copa do Mundo era uma demanda antiga da Fifa para aumentar a representatividade das confederações e levar mais países ao principal torneio do futebol mundial.

Ao mesmo tempo, o novo formato inaugurou um debate sobre até que ponto o regulamento consegue premiar de forma equilibrada quem faz melhor campanha.

Mais do que definir classificados, a fase de grupos passou a distribuir caminhos bastante diferentes no mata-mata. Em um torneio decidido por detalhes, o chaveamento, o calendário e até a ordem das partidas ganharam um peso que, para muitos, reduz a influência exclusiva do mérito esportivo na disputa pelo título. Com a manutenção do formato para 2030, não é possível criar um modo de torneio que não deixe essas lacunas na classificação.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por gabrielteles

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