01/09/2026

Porta-aviões dos EUA chega à Tailândia após mais de 200 dias no mar

Por CNN Brasil

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O porta-aviões USS Abraham Lincoln chegou à Tailândia na noite desta terça-feira (1°), em sua primeira escala em porto em mais de oito meses, encerrando uma longa permanência no mar, no Oriente Médio, que gerou preocupações sobre o bem-estar de sua tripulação.

O navio de 100 mil toneladas partiu de San Diego em novembro de 2025 e, ao retornar ao sul da Califórnia ainda este ano, terá completado uma das missões mais longas da história da Marinha dos EUA.

O Lincoln estabeleceu um recorde moderno de dias consecutivos no mar durante missões de combate e bloqueio na guerra com o Irã, segundo o senador americano Richard Blumenthal.

A missão prolongada gerou problemas de moral em meio à escassez de suprimentos e pelo menos uma possível tentativa de suicídio entre sua tripulação de 5 mil pessoas, informou a CNN.

Blumenthal, democrata de Connecticut e membro do Comitê de Serviços Armados, escreveu ao Secretário de Defesa Pete Hegseth e ao secretário interino da Marinha no mês passado para expressar “séria preocupação” com a duração crescente das missões e exigir respostas sobre as condições de vida a bordo do porta-aviões.

“Houve relatos generalizados de escassez de suprimentos básicos, contaminação da água, problemas hidráulicos, deterioração da saúde mental e preocupações com a segurança no convés” a bordo do navio, disse ele na carta, bem como “interrupções no sistema de correio, que fizeram com que muitos pacotes de apoio a caminho do navio ficassem perdidos em trânsito por meses”.

Hegseth disse mais tarde que as condições no Lincoln haviam sido “totalmente deturpadas”, embora não tenha especificado suas ressalvas em relação às reportagens.

O presidente dos EUA, Donald Trump, ao ser questionado sobre a longa missão, minimizou as preocupações, dizendo que ela “não foi nem de longe longa o suficiente”.

Mas, logo após a divulgação dos problemas a bordo do porta-aviões, o Pentágono anunciou que o porta-aviões USS George Washington, sediado no Japão, estava sendo enviado ao Oriente Médio para substituir o Lincoln.

Desde então, ele assumiu posição na região juntamente com o USS George H.W. Bush, mantendo a presença de dois porta-aviões da Marinha dos EUA enquanto as hostilidades com o Irã continuam.

Críticos afirmaram que a saída do George Washington da região do Leste Asiático evidenciou problemas de capacidade da Marinha, deixando a força sem um de seus maiores navios de guerra para demonstrar apoio a aliados e exercer dissuasão contra adversários como a China e a Coreia do Norte.

Em declarações a jornalistas na Virgínia, na semana passada, o Almirante Daryle Caudle, Chefe de Operações Navais dos EUA, reconheceu a pressão que as missões prolongadas têm exercido sobre a Marinha, seus marinheiros e as famílias deles.

Ele afirmou que a força tentaria trazer mais previsibilidade aos prazos das missões, mas que as demandas de combate podem dificultar isso.

“Eu preferiria, sabe, missões de sete meses. Normalmente, não sou muito a favor de prorrogações e resisto bastante a elas. Mas o inimigo também tem voz na situação”, disse Caudle, segundo o USNI News.

Pattaya: fruto da Guerra do Vietnã

Ao fazer escala em um porto próximo a Pattaya, na Tailândia, o Lincoln chega a um local de descanso e lazer que ficou famoso durante a Guerra do Vietnã como um destino agitado, onde militares dos EUA podiam relaxar e aliviar as tensões do conflito.

Pattaya fica a menos de uma hora de carro ao norte de U-Tapao, onde uma base aérea abrigou dezenas de bombardeiros B-52 dos EUA durante a Guerra do Vietnã.

A base permitia que os bombardeiros de oito motores chegassem ao Vietnã do Norte em três ou quatro horas, proporcionando uma economia significativa de tempo e combustível em comparação com o outro ponto principal de decolagem dos B-52: a Base Aérea de Andersen, em Guam, no Pacífico.

No auge da guerra, cerca de 50 mil americanos estavam baseados em U-Tapao e em outras bases na Tailândia.

Como aliada dos EUA por força de tratado, a Tailândia oferecia um local estratégico para o descanso de tropas que combatiam no Vietnã. Segundo um relatório de 2017 do Instituto de Economia do Trabalho (Institute of Labor Economics), entre 11% e 16% de todos os visitantes da Tailândia em 1966-67 eram militares dos EUA em licença vinda do Vietnã.

Nos arredores das bases americanas e em locais de praia como Pattaya, o comércio sexual cresceu — em parte facilitado pelas autoridades dos EUA e da Tailândia, segundo o instituto.

Em 1966, a Tailândia aprovou a Lei de Estabelecimentos de Serviços (Service Establishment Act), que “permitia que estabelecimentos de entretenimento em todo o país contratassem mulheres para oferecer ‘serviços especiais'”, diz o relatório. “Casas de massagem, bares e casas de chá onde os clientes podiam solicitar esses serviços foram legalizados mediante licença.”

Um ano depois, a Tailândia e os EUA estabeleceram o “Tratado de Descanso e Recreação, que formalizou o acordo das autoridades tailandesas em autorizar serviços de entretenimento para militares americanos”, diz o relatório.

Esse tratado é amplamente considerado o marco inicial da indústria do turismo sexual na Tailândia.

Embora a presença dos EUA na Tailândia tenha diminuído rapidamente após o fim da Guerra do Vietnã, em 1975, a indústria do sexo sobreviveu; hoje, locais como a Walking Street, em Pattaya, fervilham com casas de massagem, bares e casas noturnas. A prostituição nas ruas ou em bordéis é ilegal, embora ativistas argumentem há muito tempo que isso criminaliza injustamente profissionais do sexo em situação de vulnerabilidade.

Mesmo antes da chegada do Lincoln, as autoridades tailandesas vinham anunciando uma repressão a supostos profissionais do sexo que atuam fora de estabelecimentos licenciados.

Segundo a imprensa local, a polícia de Pattaya deteve, durante o fim de semana, pelo menos 25 pessoas suspeitas de aliciamento para prostituição, uma infração sujeita a multa.

Autoridades locais informam que as autoridades dos EUA estabeleceram regras proibindo o pessoal militar de visitar pontos de venda de cannabis e de praticar esportes aquáticos, como jet ski e parasailing.

O prefeito de Pattaya, Poramet Ngampichet, disse esperar que a escala do Lincoln impulsione a economia local.

Esse conteúdo foi publicado originalmente emVer original 


Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por lucasoliveira.

Conteúdo Original / Fonte: lucasoliveira

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