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Com intuito de estimular a participação de meninas no esporte, uma ação socioeducativa que atua em escolas públicas do Piauí realiza atividades voltadas para o futebol feminino e reflexões sobre igualdade de gênero.
O projeto realiza iniciativas para promover o acesso das meninas ao esporte, além de rodas de conversa entre meninas e meninos, debates e exercícios de empatia, atendendo cerca de 2 mil adolescentes entre 12 e 17 anos.
A atuação também conta a participação de meninos, uma vez que o projeto Líderes da Mudança, da Plan International Brasil, considera que a transformação do ambiente esportivo depende de todos os atletas, incluindo futuros atletas também.
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A organização da ação avalia que um grande impasse para a inclusão de meninas no esporte são os padrões tradicionais de masculinidade, que também impactam os meninos e tendem a contribuir para a reprodução de desigualdades.
A especialista em inclusão e gênero da Plan International Brasil, Ana Nery, explica a importância do incentivo para que meninas pratiquem mais esportes.
“Quando estimulam a curiosidade, respeitam as escolhas das meninas e oferecem diferentes possibilidades de desenvolvimento, as famílias contribuem para criar ambientes livres de limitações, ampliando o acesso ao futebol e a outras práticas esportivas e fortalecendo o direito das meninas de brincar, se desenvolver, participar, ocupar espaços e construir suas próprias trajetórias”, afirma a especialista.
O interesse e as dificuldades das mulheres no mundo do esporte
De acordo com dados do estudo Women and Sports 2026, do IBOPE Repucom, o interesse das mulheres brasileiras por esportes cresceu em 25% entre 2020 e 2025, superando o registrado entre homens no mesmo período.
Contudo, apesar do aumento no interesse, as meninas ainda enfrentam diversas barreiras quando se trata do acesso e permanência no esporte, como comentários preconceituosos, ausência de equipes femininas, estereótipos de gênero, pela economia do cuidado e outros fatores sociais.
Com o futebol ainda sendo associado ao gênero masculino, o esporte passa a reproduzir desigualdade desde a infância de quem o acompanha, sendo necessário um incentivo mais abrangente, indo além da prática esportiva.
Segundo Ana Nery, o esporte é uma ótima ferramenta de fortalecimento da autoconfiança, liderança, autonomia e contribui para a ocupação de meninas em espaços que tradicionalmente são negados para elas
Representatividade
A presença de mulheres atletas, treinadoras, árbitras e comentaristas auxiliam na representatividade e amplia as referências das meninas, mostrando para elas que o esporte também pode ser um espaço delas.
A especialista em inclusão e gênero da Plan International Brasil ressalta que “Jogadoras, treinadoras e comentaristas mostram que é possível ocupar esses espaços e isso tem impactos na vida de todas as meninas, pois passam a se reconhecer nesse cenário e a acreditar que aquele lugar também pode ser seu, se assim desejarem.”
Ana Nery ainda comenta que garantir que meninas tenham contato com experiências esportivas diversificadas desde cedo ajuda a combater as desigualdades. “Importa ainda que possam ter exemplos positivos na mídia e em seus contextos próximos para que possam vislumbrar uma amplitude maior de possibilidades de interesse”, explica.
É ressaltado pela organização que a ampliação da participação feminina no futebol depende de oportunidades, incentivos e mudanças que começam na infância, ao garantir que meninas possam jogar, competir e ocupar esses espaços.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por laurynamaral



