Quem é Mariângela Fialek, a suposta “operadora” do orçamento secreto

Por CNN Brasil 12/07/2026 às 12:57

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O ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou o bloqueio de R$ 6,1 milhões do ex-deputado federal Eduardo Cunha (Republicanos-MG), por suspeita de desvio de emendas parlamentares. A decisão, tornada pública neste domingo (12), aponta que a servidora pública Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, desempenhava o papel de “consultora, facilitadora e implementadora” das demandas repassadas por Cunha.

Mariângela está envolvida em outras duas investigações que miram o chamado “orçamento secreto” do Congresso: uma que apura o envolvimento do presidente do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto, deflagrada nesta semana; e outra ação executada pela PF (Polícia Federal) em dezembro de 2025, no âmbito da Operação Transparência, que mirou o deputado Arthur Lira (PP-AL), do qual a investigada é ex-assessora.

Fialek dominava procedimentos, sistemas e fluxos administrativos essenciais ao fracionamento, remanejamento e justificativa formal das emendas, o que lhe conferia capacidade concreta de materializar decisões tomadas fora do processo parlamentar regular”, aponta o documento que autoriza a operação.

Conhecida entre os investigados como “Tuca“, Mariângela trabalha na Câmara dos Deputados há aproximados seis anos e desempenhava funções na organização técnica do orçamento. Em dezembro de 2025, foram realizadas buscas na casa e no local de trabalho da servidora, que teve seu celular examinado pela PF.

O material examinado apresenta indícios robustos de peculato-desvio praticado por servidora com domínio da etapa interna de alocação de emendas, em concurso com terceiro não detentor de cargo público, que teria induzido e dirigido o resultado, valendo-se de sua influência partidária”, diz a nova decisão.

Mariângela, 51, nasceu em União da Vitória (PR), é advogada formada pela PUC/RS e mestra em Direito do Estado pela Faculdade de Direito da USP (Universidade de São Paulo). Segundo apontou sua defesa, ela integrou o Poder Executivo por quase uma década, tendo inclusive desempenhado a função de Assessoria na Subchefia de Assuntos Jurídicos da Casa Civil no governo Lula, em 2003.

Também ocupou a Subchefia de Assuntos Parlamentares no Governo Temer e foi assessora parlamentar do Ministério de Desenvolvimento Regional no governo Bolsonaro. A servidora ainda trabalhou no Senado da República por 10 anos, desempenhando a função de assessoria jurídica da Liderança dos Governos Lula e Dilma.

Em nota enviada à imprensa na última sexta-feira (10), a defesa de Mariângela Fialek afirmou que a sua atuação era “estritamente técnica, apartidária e impessoal” e destacou que não se atribui à servidora “a prática de nenhuma irregularidade funcional ou criminal“.

A defesa do ex-deputado Eduardo Cunha também emitiu uma nota afirmando que o ex-deputado “desconhece qualquer irregularidade na tramitação das emendas” e que “rejeita a tentativa de equiparar automaticamente a legítima interlocução política ao exercício clandestino de mandato parlamentar”. Leia a íntegra abaixo:

A defesa de Eduardo Cunha tomou conhecimento, pela imprensa, da decisão divulgada neste domingo e esclarece que, antes da decretação do bloqueio patrimonial, não havia sido intimado, ouvido ou chamado a prestar qualquer esclarecimento no âmbito dessa investigação.

Eduardo Cunha não exerce mandato parlamentar e, portanto, não apresentou, subscreveu ou formalizou nenhuma das emendas mencionadas nas reportagens. Ao contrário. Conforme pode-se observar, elas foram oficialmente apresentadas e indicadas por parlamentares, bancadas ou órgãos legitimados, únicos que possuem competência sobre o processo orçamentário.

Eduardo Cunha sempre pautou sua vida publica pelo compromisso ético e probidade, respeitando as normas legais, inclusive, enquanto exerceu seu mandato parlamentar.

Deste modo, a defesa rejeita a tentativa de equiparar automaticamente a legítima interlocução política ao exercício clandestino de mandato parlamentar.

É igualmente necessário esclarecer que o montante de R$ 6,15 milhões corresponde ao valor global das emendas questionadas, destinadas a municípios ou outros beneficiários públicos, e nem mesmo a decisão imputa recebimento de qualquer vantagem a Eduardo Cunha.

Eduardo Cunha desconhece qualquer irregularidade na tramitação das emendas. Cabe ressaltar que a própria PGR considerou prematuro o bloqueio das contas de Eduardo Cunha.

A defesa buscará acesso integral à investigação a fim de conhecer o contexto completo dos fatos, exercer o contraditório e impugnar as medidas decretadas.

Veja abaixo a lista de cidades para onde foram destinadas as emendas atribuídas a Cunha:

TópicosEduardo CunhaPF (Polícia Federal)


Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por Rafael Sotero.

Conteúdo Original / Fonte: Rafael Sotero

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