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Rali da IA atrai capital global e pressiona fluxo para bitcoin

Por CNN Brasil Fonte: marianatokura 29/06/2026 às 10:35
Rali da IA atrai capital global e pressiona fluxo para bitcoin

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A forte valorização das empresas ligadas à inteligência artificial tem provocado um fenômeno que vai além da bolsa americana.

À medida que investidores direcionam recursos para ações e ETFs relacionados à IA, outros ativos de risco, como as criptomoedas, enfrentam um ambiente mais desafiador para atrair capital.

Nos últimos meses, gigantes da tecnologia impulsionaram os principais índices de Wall Street. Segundo Pedro Fontes, analista de Research do Mercado Bitcoin, o movimento gerou uma concentração de liquidez em torno da tese de inteligência artificial e aumentou o custo de oportunidade para investidores.

“Existe sim um efeito de custo de oportunidade acontecendo. Quando um setor concentra retornos tão expressivos em um período curto, é natural que investidores realoquem capital para participar dessa tendência”, afirma.

De acordo com o especialista, cerca de 65% da alta recente do S&P 500 veio de apenas 10 empresas, sendo metade delas do setor de semicondutores. O índice de semicondutores (SOX), um dos principais termômetros da indústria de IA, acumulou valorização próxima de 66% em apenas dois meses.

Ao mesmo tempo, o mercado de criptomoedas passou por um enfraquecimento dos fluxos de investimento.

Desde o topo recente do bitcoin, os ETFs à vista da criptomoeda nos Estados Unidos registraram bilhões de dólares em saídas líquidas, revertendo parte relevante dos aportes que haviam impulsionado a valorização do ativo anteriormente.

A correção do bitcoin não pode ser atribuída a um único fator. Além da concentração de capital na inteligência artificial, o mercado cripto enfrenta desafios próprios e um ambiente macroeconômico mais restritivo, observa o analista.

“O fluxo que ajudou a impulsionar a alta do bitcoin foi praticamente devolvido durante a correção. Ao mesmo tempo, a concentração de capital na tese de IA tem sido uma força importante nesse processo”, explica.

Para Julia Santos, fundadora do Contadora Cripto, o interesse dos investidores por ativos digitais não desapareceu, mas passou a competir com uma narrativa que atualmente domina o mercado global.

“O que estamos vivendo não é o fim do interesse por cripto, mas uma migração de liquidez. O capital de risco se concentrou em uma única narrativa, a da inteligência artificial, e isso elevou o custo de oportunidade de qualquer outro ativo”, afirma.

Segundo ela, o fenômeno ajuda a explicar por que o mercado de criptomoedas atravessa um período de menor participação do varejo, mesmo sem mudanças estruturais na tese de investimento do bitcoin.

“Quando Nvidia, SpaceX e a temática de IA entregam retornos expressivos, o investidor deixa de precisar da cripto para ter exposição a risco com história para contar. O resultado é um varejo mais apático e volumes menores”, diz.

Embora a IA seja vista como uma das tecnologias mais transformadoras das próximas décadas, os especialistas alertam que momentos de forte concentração costumam aumentar a vulnerabilidade do mercado.

Fontes destaca que indicadores tradicionalmente utilizados para avaliar o nível de valorização das bolsas americanas já apontam sinais de atenção. Um deles é o chamado Buffett Indicator, que compara o valor total do mercado acionário dos Estados Unidos com o  Produto Interno Bruto (PIB) do país.

“O Buffett Indicator atingiu aproximadamente 238%, o maior nível da história e muito acima do observado durante a bolha da internet. Isso não significa que a IA seja uma tese ruim, mas mostra que parte do mercado já embute expectativas extremamente otimistas”, afirma.

Porém, a busca dos investidores por empresas ligadas à inteligência artificial também pode estar criando um novo tipo de concentração de risco.

“A ironia é que, ao fugir do risco das criptomoedas para se concentrar em ações de tecnologia ligadas à IA, o investidor pode estar assumindo uma concentração ainda maior do que aquela que tentou evitar”, avalia Santos.

Diante desse cenário, é importante montar a sua carteira baseada em diversificação e liquidez. 

Para isso, investidores que participaram do forte rali dos ativos ligados à IA podem considerar realizar parte dos ganhos e recompor posições de caixa, sem necessariamente abandonar a tese de longo prazo.

“A principal palavra neste momento é equilíbrio. Não vemos o cenário como uma escolha entre IA ou cripto, mas como uma oportunidade para rebalancear riscos, aumentar a liquidez e construir posições gradualmente onde a relação entre risco e retorno parece mais favorável”, aconselha Pedro.

Embora o mercado cripto já se aproxime de níveis historicamente associados a momentos de maior pessimismo dos investidores, o cenário pode melhorar as perspectivas para quem investe com horizonte de longo prazo.

“Em momentos de elevada concentração de atenção e preços esticados em parte do mercado, liquidez deixa de ser dinheiro parado e passa a ser uma reserva estratégica para aproveitar oportunidades futuras”, complementa.

Resenha do Dinheiro

Realizado com o apoio da B3 e da gestora de investimentos BlackRock, o programa é apresentado por Thiago Godoy, o “Papai Financeiro”, Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos; Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb e propõe uma abordagem leve, direta e descomplicada sobre temas ligados a educação financeira e investimentos. A atração aborda semanalmente os principais temas da economia com a informalidade de uma conversa entre amigos — sem abrir mão da análise.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por marianatokura

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