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A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro anunciou a saída da presidência do PL Mulher nesta terça-feira (30) após a recente crise com os enteados e outras figuras ligadas ao Bolsonarismo. Após conversa com o presidente da sigla, Valdemar Costa Neto, a mulher do ex-presidente Jair Bolsonaro tomou a decisão.
Na última quarta-feira (24), a ex-primeira-dama divulgou dois vídeos em suas redes sociais em que contava o atrito com os enteados e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL). Após as declarações, Flávio fez uma postagem pedindo desculpa à madrasta e indicando que nunca teve intenção de ofendê-la,
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Com a repercussão, outras figuras do bolsonarismo também se envolveram na crise, como o jornalista Paulo Figueredo, que fez uma série de vídeos criticando Michelle e, durante a transmissão de seu podcast, afirmou que mulheres “votam mal”.
Diante do crescimento da crise, a ex-primeira-dama decidiu deixar a presidência do PL Mulher para focar no cuidado da família.
“Após muito refletir com o meu marido sobre o momento em que estamos vivendo em nossa família, reuni-me com o Presidente do Partido Liberal na tarde de hoje e lhe comuniquei a minha decisão de deixar a Presidência do PL Mulher para me dedicar – integralmente – aos cuidados para com o meu marido e minha filha”, disse em comunicado.
Segundo comunicado pela CNN, durante a conversa em que veio a decisão, Michelle teria deixado em aberto a possibilidade de disputar uma vaga ao Senado pelo Distrito Federal nas eleições deste ano.
Entenda o início da crise
A principal discordância entre Michelle e Flávio é a possível escolha do PL (Partido Liberal) em montar um palanque para o governo do Ceará com Ciro Gomes (PSDB).
Para Michelle, o melhor nome para a chapa no estado seria o do senador e pré-candidato Eduardo Girão (Novo), que sempre apoiou o ex-presidente Jair Bolsonaro. Em seu vídeo, é dito que Ciro não merecia o apoio do partido por ter sido um dos maiores críticos de Bolsonaro, além de ter se empenhado em discursos pela inelegibilidade do ex-presidente.
Durante a sua campanha à Presidência em 2022, o ex-ministro teceu duras críticas ao clã Bolsonaro, afirmando que o ex-presidente e seus filhos eram ladrões.
“Como se nada tivesse acontecido, os filhos defendem uma aliança com o candidato que deixou o pai deles, o meu marido, inelegível e humilhado”, declarou a ex-primeira-dama na publicação.
O PL vê a aliança com Ciro como a única forma de “tirar o PT do poder”, em referência ao governador Elmano de Freitas (PT), que foi eleitor no primeiro turno em 2023 e irá se recandidatar ao cargo.
Além do apoio ao nome do ex-governador cearense, outro ponto de divergência no palanque do estado seria o nome do partido para o Senado.
Enquanto Michelle defende a escolha da vereadora de Fortaleza e vice-presidente nacional do PL Mulher, Priscilla Costa, Flávio é favorável a Alcides Fernandes, deputado estadual pelo estado e pai de André Fernandes, presidente do PL Ceará.
Nos planos de Fernandes, o pai seria o candidato à Câmara Alta, enquanto o outro nome viria do lado de Ciro. Já Priscilla Costa seria a escolha do partido para uma vaga como deputada federal.
“Se o André queria agradar o Ciro Gomes, por que ele não ofereceu a vaga do seu próprio pai? Será que ele acha que retirar a vaga de uma mulher seria mais justo e fácil?”, questionou Michelle na publicação.
Quem é quem na disputa do palanque do Ceará:
- Ciro Gomes (PSDB): ex-governador do estado e pré-candidato a retornar ao Palácio da Abolição no pleito deste ano. Seria visto pelo PL como possível nome para uma aliança contra a reeleição de Elmano de Freitas (PT), no entanto a ex-primeira-dama não aprova o político pelas duras críticas de Ciro à família Bolsonaro;
- Eduardo Girão (Novo): senador e nome apoiado por Michelle para a chapa no estado, mas o nome não foi aceito pelas lideranças do estado e por Flávio;
- André Fernandes (PL): presidente do PL Ceará, defende a chapa com Ciro para uma derrota ao PT no estado. Além disso, tem preferência pelo nome do pai, Alcides Fernandes, para a vaga de senador na chapa, em detrimento da indicada de Michelle, a vereadora e vice-presidente nacional do PL Mulher, Priscilla Costa;
- Alcides Fernandes (PL): deputado estadual e pai de André Fernandes, seria o escolhido do partido e de Flávio Bolsonaro para uma das vagas ao Senado na chapa com Ciro;
- Priscilla Costa (PL): vereadora de Fortaleza, é o nome defendido por Michelle para uma das vagas ao Senado na chapa do estado. No entanto, é cotada para uma vaga como deputada federal pela liderança da sigla no estado e por Flávio Bolsonaro.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por filipepereira


