Rússia avança na Ucrânia, mas especialistas dizem que ritmo é limitado

Por CNN Brasil 28/06/2026 às 07:33

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A Rússia continua avançando lentamente na região de Donetsk, no leste da Ucrânia, onde concentrou a maior parte de suas tropas, enquanto segue com os esforços para cercar a cidade de Kostyantynivka, um ponto-chave do chamado “cinturão de fortalezas”, e a cidade de Lyman.

No entanto, soldados ucranianos e especialistas ouvidos pela CNN afirmam que as alegações russas de avanço são exageradas. Segundo eles, o Kremlin provavelmente tenta projetar uma narrativa de sucesso para contrapor o impacto de recentes ataques ucranianos em território russo.

A agência de notícias estatal russa TASS alegou, na segunda-feira, que as forças do país haviam “assumido o controle total” da parte oriental de Kostyantynivka e se aproximado de seus arredores a nordeste.

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Na realidade, partes da cidade tornaram-se uma “zona cinzenta” disputada, sem controle efetivo de nenhum dos lados, segundo o Instituto para o ISW (Estudo da Guerra), um centro de estudos sediado em Washington.

“Trata-se de infiltrações, não de avanços. São grupos de talvez um ou dois homens — militares russos — entrando em algumas posições na cidade… não é uma posição consolidada”, disse Kateryna Stepanenko, chefe da equipe de análise sobre a Rússia no ISW, descrevendo a tática como lenta e desgastante.

“Eles ainda precisam de muito tempo e muitos recursos para realmente transformar isso em posições consolidadas”, adicionou.

Soldados ucranianos na linha de frente disseram à CNN que a situação no campo de batalha está piorando, embora ainda seja administrável e os movimentos da Rússia continuem extremamente lentos.

“A situação no setor de Kostyantynivka, particularmente na própria Kostyantynivka, vem se deteriorando visivelmente nas últimas semanas”, disse à CNN, na terça-feira, Kostiantyn Melnykov, assessor de imprensa da 24ª Brigada Mecanizada da Ucrânia, que combate na cidade vizinha de Chasiv Yar.

“O inimigo está aumentando o número de ataques aéreos neste setor”, comentou.

O objetivo da Rússia é tomar toda a região ucraniana de Donbas, que abriga o “cinturão de fortalezas”, composto por cidades industriais, ferrovias e estradas, que constitui a espinha dorsal da defesa do país e abastece a linha de frente.

Isso inclui a tomada de Kostyantynivka e das localidades vizinhas, algo que parece ser o principal objetivo russo no momento.

No entanto, Melnykov acrescentou que as unidades ucranianas na região estão eliminando tropas russas, destruindo equipamentos e “contendo as forças do inimigo, que são vastamente superiores”.

A estratégia da Rússia tem sido enviar grupos de infantaria muito pequenos — aqueles que sobrevivem aos avanços iniciais — para se infiltrarem na cidade.

É a mesma tática que Moscou utilizou para tomar a cidade ucraniana de Pokrovsk no início de 2026, uma batalha que se prolongou por meses após a infiltração inicial das tropas russas e que foi marcada por muitas declarações prematuras de conquista.

Em alguns casos, forças ucranianas observaram um único soldado russo avançando, segundo Yuriy Madyar, vice-comandante interino do 19º Corpo de Exército da Ucrânia, em entrevista à emissora pública ucraniana Suspilne na semana passada.

A CNN não pôde verificar de forma independente a situação no local.

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Há várias razões pelas quais a Rússia está intensificando suas missões de infiltração neste momento. Um comandante russo publicou no Telegram, na terça-feira (23), que suas forças conseguiram avançar aproveitando a cobertura da vegetação de verão. Boas condições climáticas também facilitam a operação de drones — embora isso também valha para a Ucrânia.

Há relatos de que o Kremlin estabeleceu o mês de setembro como prazo para tomar a região de Donbas, embora o ISW avalie que é improvável que a Rússia alcance esse objetivo.

“O mais importante é que eles querem anunciar vitórias no campo da informação. Os russos enfrentam muitas vulnerabilidades neste momento”, disse Stepanenko, citando os recentes ataques da Ucrânia a infraestruturas na Crimeia ocupada pela Rússia, em Kherson ocupada e em outras áreas.

“As infiltrações são uma das formas de a Rússia fazer essas declarações grandiosas de vitória sem, de fato, alcançar plenamente seus objetivos”, afirmou.

No entanto, é provável que elementos dos avanços alegados pela Rússia sejam falsos. Segundo o ISW, “autoridades russas intensificaram recentemente sua campanha de utilização de imagens — provavelmente alteradas por IA — para reforçar suas alegações exageradas de sucessos russos nas proximidades do ‘Cinturão de Fortalezas’ da Ucrânia, na região de Donetsk”.

Por exemplo, o Ministério da Defesa da Rússia divulgou um vídeo de suas tropas hasteando uma bandeira em Lyman — algo que o ISW afirmou não ter conseguido verificar, acrescentando que “tem motivos para acreditar que as imagens possam ter sido alteradas por inteligência artificial”.

Em Lyman, as forças ucranianas estão, de fato, observando “uma intensificação significativa da atividade”, especialmente ao norte da cidade, segundo o porta-voz das Forças Armadas da Ucrânia, Viktor Tregubov, em entrevista à imprensa local. No entanto, Tregubov ressaltou que as forças ucranianas têm conseguido repelir essas investidas.

Após ataques às redes logísticas russas na região, Tregubov disse à Suspilne que “parece que eles (os russos) estão tentando obter algum resultado antes que a situação logística — incluindo o abastecimento de combustíveis e lubrificantes — comece a realmente pesar sobre eles”.

A campanha de ataques de longo alcance da Ucrânia

Enquanto isso, Kiev intensificou os ataques com drones de longo alcance contra grandes cidades russas.

Na madrugada de domingo para segunda-feira (22), a Ucrânia atacou a região metropolitana de Moscou pela terceira vez na última semana.

O presidente russo, Vladimir Putin, afirmou na terça-feira que as Forças Armadas da Ucrânia “estão atacando infraestruturas civis com drones na tentativa de desestabilizar a sociedade russa”, segundo a agência TASS.

A declaração ocorre após a Ucrânia ter atingido uma instalação de petróleo nos arredores de Moscou na semana passada — um ataque de grande porte ao qual as defesas aéreas russas tentaram reagir e durante o qual um míssil de defesa russo aparentemente errou o alvo, explodindo inadvertidamente a tampa de um tanque de armazenamento de petróleo.

No entanto, Putin ainda demonstrou confiança quanto aos objetivos de guerra da Rússia, acrescentando: “Chegaremos aonde precisamos chegar”.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por tiagotortella

Conteúdo Original / Fonte: tiagotortella

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