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A safra de grãos e outras commodities agrícolas 2026/27 deve enfrentar maior pressão sobre a rentabilidade do produtor em função da soma de fatores geopolíticos, aumento de custos e dificuldades de acesso ao crédito com El Niño “forte” no radar.
A avaliação é da Consultoria Agro do Itaú BBA. No mercado de commodities, o cenário geral ainda é de preços pressionados na abertura da safra 2026/27.
A 7ª edição do relatório Visão Agro, divulgado nesta sexta-feira (3), aponta para uma recuperação mais consistente do agro se houver ajustes na oferta global.
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Caso o clima favoreça o desenvolvimento das lavouras, a expectativa é de manutenção desse quadro de preços mais baixos.
O setor entra em um novo ciclo após quatro anos de margens comprimidas e oferta abundante de produtos agrícolas, agora sob a influência do fenômeno climático.
Para Cesar de Castro Alves, gerente da Consultoria Agro da instituição, o cenário reforça a necessidade de disciplina financeira no campo.
“Mais do que buscar ganhos de produtividade, torna-se fundamental proteger margens, equilibrar o fluxo de caixa e garantir flexibilidade financeira para atravessar períodos de maior estresse”, afirmou em nota.
Entre os grãos, o relatório traça cenários distintos para soja e milho. No caso da soja, o mercado mundial inicia o novo ciclo com estoques mais ajustados, depois de a produção praticamente empatar com o consumo na safra 2025/26.
Isso torna as cotações mais sensíveis a eventuais perdas de produtividade causadas pelo clima.
Já no milho, a boa safrinha de 2025/26 garante um balanço doméstico mais confortável para o segundo semestre de 2026 e o início de 2027, embora a demanda siga aquecida, puxada sobretudo pelos setores de proteínas animais e etanol.
No algodão, a redução da produção em grandes exportadores, como Estados Unidos e China, combinada a um crescimento moderado da demanda, reduz os estoques globais e dá suporte a um viés mais positivo para os preços.
O banco avalia que o Brasil deve manter a posição de principal exportador mundial da pluma.
Arroz e trigo
Para arroz e trigo, no entanto, o quadro segue mais apertado. No arroz, o excesso de oferta ainda pesa sobre as cotações e, na avaliação do banco, será necessária uma nova redução de área plantada para permitir a recuperação dos preços.
No trigo, as margens pouco atrativas tendem a limitar os investimentos e reduzir a área cultivada, movimento que pode ser agravado pelos efeitos do El Niño.
Açúcar, café e suco de laranja
No setor sucroenergético, a combinação de queda nos preços do açúcar e do etanol com custos elevados de fertilizantes e diesel deve levar os produtores a adotar mais cautela nos investimentos nos canaviais.
Ainda assim, a expectativa é de uma safra volumosa, com maior direcionamento da produção para o etanol. O principal risco, segundo o relatório, está na execução da colheita, caso haja entraves operacionais ou problemas climáticos.
No café, a perspectiva é de safra recorde em 2026/27, puxada pela recuperação da produção de arábica.
O aumento da oferta tende a aliviar o balanço global e favorecer uma acomodação dos preços, embora as cotações devam permanecer em níveis historicamente elevados, preservando boas margens para os produtores mais eficientes.
Na citricultura, o banco avalia que, mesmo com uma safra baixa em termos históricos, a pressão sobre os preços da fruta deve continuar forte.
Nesse cenário, os melhores resultados tendem a se concentrar entre produtores com maior produtividade e contratos mais favoráveis com a indústria.
Proteínas animais
Já no segmento de proteínas animais, o custo da ração segue relativamente favorável, mas aves e suínos enfrentam pressão nos preços das carnes em razão do aumento da oferta, com destaque para a piora das margens na suinocultura.
Para o boi gordo, o Itaú BBA recomenda cautela no segundo semestre, diante da expectativa de redução das exportações para a China, embora projete recuperação gradual do mercado no início de 2027, em linha com a transição do ciclo pecuário.
Pesquisadores do banco também alertaram para a dependência brasileira de fertilizantes importados. A volatilidade dos nitrogenados e os preços elevados dos fosfatados devem continuar pressionando os custos, em um momento em que parte dos produtores já apresenta fragilidade financeira.
Nesse contexto, a tendência é de maior seletividade nos investimentos em tecnologia, o que deve elevar a importância do uso eficiente de insumos e da assistência agronômica para sustentar a rentabilidade no campo.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por isadoracamargo
