Saiba quais crimes levaram Nego Di à condenação de mais de 14 anos de prisão
Somadas as condenações, Nego Di recebeu pena de 14 anos e 6 meses de prisão em regime fechado, e Gabriela foi condenada a 8 anos e 4 meses de reclusão, também em regime fechado, por lavagem de dinheiro.
Karol Gomes
24/06/2026 às 09:21
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Nego Di e a esposa Gabriela Vicente de Sousa (Foto: Reprodução)
A decisão judicial que resultou na condenação do humorista Dilson Alves da Silva Neto, o Nego Di, e de sua esposa Gabriela Vicente de Sousa, proferida na terça-feira (23/6), descreve uma série de práticas ilícitas realizadas pelo casal que, segundo o entendimento da Justiça, incluíram estelionato, lavagem de dinheiro, falsificação documental e exploração de rifas sem autorização legal. As informações são do g1.
Conforme os autos, ambos teriam participado de um esquema envolvendo sorteios virtuais irregulares, movimentação financeira destinada a ocultar recursos e utilização de documentos adulterados.
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Abrir em tela cheia Nego Di e a esposa Gabriela Vicente de SousaFoto: Reprodução Nego Di e a esposa Gabriela Vicente de SousaFoto: Reprodução Nego Di e a esposa Gabriela Vicente de SousaFoto: Reprodução Nego Di lança biografia Foto: Thiago Koetz Pitrez Bernardi/DivulgaçãoReprodução/ Thiago Koetz Pitrez Bernardi/Divulgação Nego Di concede entrevista a Cabrini após ser condenado por estelionatoReprodução Nego DiFoto: Reprodução Nego DiFoto: Reprodução
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Saiba quais crimes levaram Nego Di à condenação de mais de 14 anos de prisão
Somadas as condenações, Nego Di recebeu pena de 14 anos e 6 meses de prisão em regime fechado, além de mais 1 ano e 15 dias de prisão simples pela prática de loteria ilegal. Gabriela foi condenada a 8 anos e 4 meses de reclusão, também em regime fechado, por lavagem de dinheiro.
Além das penas privativas de liberdade, a decisão prevê o pagamento de multas calculadas com base no salário mínimo vigente à época dos fatos investigados.
Veja quais foram os crimes apontados pela Justiça
Loteria ilegal
Pela realização de rifas consideradas irregulares, Nego Di foi sentenciado a 1 ano e 15 dias de prisão simples.
Segundo a denúncia acolhida pela Justiça, o influenciador promoveu ao menos 34 sorteios entre novembro de 2022 e maio de 2024 sem a autorização exigida pela legislação. As campanhas eram divulgadas em plataformas digitais e condicionavam a participação à compra de bilhetes.
Os sorteios prometiam prêmios em dinheiro e bens de alto valor. Na avaliação do magistrado, não se tratava de uma conduta pontual, mas de uma atividade organizada, repetida ao longo do tempo e que teria movimentado mais de R$ 2,5 milhões.
Ao analisar o caso, o juiz rejeitou o argumento de desconhecimento da ilegalidade da prática. Para ele, o volume financeiro envolvido e a estrutura da operação exigiam que o influenciador verificasse previamente a regularidade da atividade.
Estelionato
Nesse ponto da condenação, Nego Di recebeu pena de 2 anos e 1 mês de reclusão.
A sentença afirma que rifas eram utilizadas para atrair compradores por meio da promessa de premiações de elevado valor econômico. Um dos episódios destacados envolve um Porsche Macan avaliado em aproximadamente R$ 500 mil.
De acordo com o entendimento judicial, não havia intenção concreta de entregar o veículo sorteado. A decisão também menciona ações que buscavam conferir aparência de legitimidade ao procedimento, incluindo a encenação de contato com uma suposta vencedora.
Para a Justiça, houve obtenção de vantagem indevida, prejuízo financeiro aos participantes e indução das vítimas ao erro. O processo aponta que pelo menos 9.683 pessoas foram afetadas, gerando perdas que somam cerca de R$ 185,3 mil.
Lavagem de dinheiro
A maior parte das penas está relacionada ao crime de lavagem de dinheiro. Nego Di foi condenado a 9 anos, 4 meses e 8 dias de prisão, enquanto Gabriela recebeu pena de 8 anos e 4 meses.
Conforme a decisão, após a arrecadação dos valores obtidos por meio das rifas, o casal teria adotado mecanismos para dificultar a identificação da origem dos recursos.
O magistrado apontou que a movimentação financeira envolvia contas bancárias registradas em nome de Gabriela, de uma empresa ligada ao casal e também de terceiros. Os valores circulavam entre diferentes contas e eram misturados a recursos considerados lícitos, o que dificultaria o rastreamento.
A sentença ainda destaca a aquisição de bens aparentemente regulares e descreve a operação como uma estrutura complexa, organizada em diversas etapas. Segundo o juiz, a participação de Gabriela foi determinante para a circulação de mais de R$ 2,4 milhões.
Uso de documento falso
Por esse crime, Nego Di foi condenado a 3 anos e 4 meses de reclusão.
O caso está relacionado à divulgação, nas redes sociais, de um comprovante bancário adulterado. Conforme os autos, o influenciador realizou uma transferência real de R$ 100 via PIX e posteriormente alterou o documento para indicar uma transferência de R$ 1 milhão.
Depois da modificação, o comprovante foi publicado como se fosse autêntico, acompanhado da alegação de que o valor havia sido destinado às vítimas das enchentes no Rio Grande do Sul.
Na avaliação da Justiça, a adulteração foi feita de forma consciente e deliberada, com a finalidade de levar a população a acreditar na realização de uma doação que, segundo a sentença, jamais ocorreu.
Papel da esposa no esquema
A decisão também enfatiza a atuação de Gabriela Vicente de Sousa. De acordo com o magistrado, ela teria disponibilizado contas bancárias e estruturas financeiras utilizadas para movimentar recursos de origem ilícita, além de ter sido beneficiada pela aquisição de patrimônio.
No episódio envolvendo o comprovante da suposta doação, o juiz entendeu que a alteração do valor foi realizada de forma consciente antes da publicação do documento nas redes sociais, contribuindo para induzir o público ao erro.
Caso da loja virtual “Tadizuera”
Paralelamente a essa condenação, Nego Di segue envolvido em outro processo criminal relacionado à loja virtual “Tá Di Zueira”.
Segundo investigações da Polícia Civil e do Ministério Público, entre março e julho de 2022 o influenciador e o sócio Anderson Boneti teriam causado prejuízos a mais de 370 consumidores por meio da plataforma, com perdas estimadas em R$ 5 milhões.
Há ainda registros de ocorrências semelhantes entre março e julho de 2021, envolvendo 16 vítimas na cidade de Canoas. Esses fatos foram levados em consideração em uma decisão judicial publicada em 2025.
O inquérito foi finalizado em agosto de 2023 com pedido de prisão preventiva. Já em julho de 2024, o Ministério Público se posicionou favoravelmente à medida, que acabou sendo decretada pela Justiça no mesmo dia.
Pouco depois, Nego Di foi detido em Florianópolis, Santa Catarina, e permaneceu por mais de quatro meses na Penitenciária Estadual de Canoas (Pecan).
Em novembro daquele ano, o Superior Tribunal de Justiça concedeu liberdade provisória ao influenciador por meio de habeas corpus.
Após deixar a prisão, ele passou a cumprir medidas cautelares, entre elas a proibição de utilizar redes sociais, a entrega do passaporte e a obrigação de comparecer periodicamente à Justiça. Posteriormente, foi advertido após descumprir as restrições com publicações em plataformas digitais.
Em junho de 2025, Nego Di e Anderson Boneti foram condenados em primeira instância a 11 anos e 8 meses de prisão em regime fechado pelo crime de estelionato ligado à operação da Tadizuera. Conforme a Justiça, a execução da pena dependerá do trânsito em julgado do processo.
Meses depois, em outubro de 2025, a 29ª Promotoria de Justiça Criminal de Porto Alegre apresentou uma nova denúncia por estelionato contra o humorista e seu sócio Anderson Boneti, que já se encontrava preso em outro processo relacionado à mesma empresa.
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Tags:Gabriela Vicente de Sousa, Justiça, Nego Di
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Conteúdo reproduzido originalmente em: Portal Leo Dias por Karol Gomes
